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Sobre o Concílio Pan-Ortodoxo Realizado em Creta, no Semestre Passado



Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu preside sobre a Divina Liturgia Sinodal e concelebra com os Primatas das Igrejas Ortodoxas Locais na Igreja dos Santos Paulo e Pedro em Chania, Creta. Foto: John Mindala.

Em curtas palavras, um grande desperdício de tempo. É uma pena, porque haviam grandes temas pendentes de resolução.

O Concílio foi um fracasso. Ele foi feito para que todas as 14 Igrejas locais da Ortodoxia aprovassem as resoluções apenas se se manifestassem de forma unânime. Os Patriarcados russo e antioquino não estavam lá, entre outros que também faltaram. O consentimento unânime tornara-se impossível. Só o Patriarcado russo representa 2/3 de todos os ortodoxos do mundo. O Concílio foi uma conferência de uma pequena minoria de bispos pró-Ocidente.

O ecumenismo foi o tema principal do Concílio. Haviam gemidos e temores de que ele seria uma espécie de uma versão ortodoxa do Vaticano II, onde o sincretismo haveria de ser oficialmente promulgado na vida litúrgica e devocional da Igreja. Isso não se concretizou, mas também não foi posto um limite acerca do que a Igreja pode tolerar na coexistência com os heterodoxos. A coexistência, mesmo pacífica, é incondicional? Pode-se tolerar tudo, mesmo as seitas mais absurdas, coisa que nem mesmo os códigos penais dos Estados modernos toleram? Ou seria essa coexistência restrita aos membros do Concílio Mundial de Igrejas? Isso o Concílio não diz. Ele aprovou um laicismo radical.

Historicamente, a coexistência pacífica com os heterodoxos é limitada pelo caráter do Estado. Se o Estado é confessionalmente heterodoxo, a Igreja busca ser tolerada conjuntamente com outras as seitas que ele tolera. Se o Estado é confessionalmente ortodoxo, a Igreja pode coexistir com seitas que são muito parecidas consigo, mas costuma interferir profundamente no funcionamento público das seitas restantes. Imperadores e bispos santos fecharam templos e baniram para longe os seus líderes pagãos e heréticos. O Concílio, ao falar genericamente sobre a coexistência, condenou homens santos como Justiniano, Teodósio, e outros, como os bispos Cirilo de Alexandria e Crisóstomo de Constantinopla, etc. Esses homens fecharam templos de heterodoxos e deixaram os cabeças incomunicáveis com os seus séquitos. Eles não conheciam a laicidade de Estado. Como essa realidade passada encaixa-se no conceito de coexistência do Concílio? Ele não diz.

Negar o passado parece ser um movimento calculado, porque o Concílio carece de um preâmbulo que deveria receber formalmente as decisões dos Nove Concílios Ecumênicos anteriores (os Sete Concílios Ecumênicos, mais o IV Concílio de Constantinopla e os Sínodos Palamitas). Tal preâmbulo é um costume dos Concílios passados e sua falta diz muito sobre as reais intenções dos partidários do ecumenismo. As consciências eclesiais dos padres do Concílio os incomodaram, por isso preferiram fugir do passado. O fato é que se tentou impor à toda a Igreja um ecumenismo profundo, anti-canônico e quasi-sincretista. Pela Providência Divina, os ecumenistas falharam. Mas introduziram impurezas e omissões o bastante para render o Concílio imprestável. Uma delas é o reconhecimento, errôneo, dos batismos dos heterodoxos. A Igreja não reconhece a validade dos batismos feitos fora de seu seio, embora, como um incentivo para os novos convertidos, Ela não costuma repeti-los com freqüência. Basta, em muitos casos, Ela fazer a Crismação para conferir a graça celestial que falta ao batismo irregular. Isso é um ato de liberalidade e não de reconhecimento sacramental. O Concílio passou da liberalidade relativa para o reconhecimento oficial, o que também implica num reconhecimento, errôneo, de uma realidade eclesial fora da Igreja. Porque fora dela haveria uma comunidade de batizados, o que é falso.

Até havia um espaço para uma tolerância maior ao ecumenismo, a despeito dos cânones da Igreja. Na história, o que o Papa Francisco cunhou como um “ecumenismo de sangue” é uma realidade ainda que incômoda. Quando a perseguição anti-cristã é generalizada, não é incomum que ortodoxos e heterodoxos compartilhem os locais de adoração. Quando a Igreja foi ferozmente perseguida pelo Imperador Valens (Valêncio), ariano, os cismáticos novacianos emprestaram os seus templos aos ortodoxos. Os protestantes americanos emprestaram os seus templos aos ortodoxos russos, quando eles não tinham um local para adorar, senão os navios da Marinha Imperial da Rússia. Esses exemplos mostram que há um legítimo espaço para o ecumenismo, se a causa é de natureza humanitária, privação forçada ou pobreza, e se os envolvidos são parecidos e não se impõem condições prévias. Se o Concílio não estivesse com o ânimo festivo de aprovar o ecumenismo total por razões sentimentais, ele poderia muito bem, com um ânimo sério, analisar um possível e legítimo relaxamento dos cânones por razões humanitárias, por exemplo. Tratou-se de uma solução desperdiçada.

O desperdício era inevitável. Como as Igrejas Locais deveriam se manifestar unanimemente, a Igreja de Jerusalém e a Igreja de Antioquia não poderiam ser pacificadas. Elas brigam sobre a jurisdição do Qatar e sem um Imperador global que possa arbitrar sobre o assunto, e sem a disposição de ambas de chegarem a um acordo, um Concílio como o formatado em Creta, não poderia dar uma solução para um problema importante de sua competência. O que é uma prova de que um Concílio Ecumênico depende de um Rei Ecumênico (Imperial).

Resta saber quais serão os reflexos deste Concílio daqui para frente. Principalmente considerando que os principais Patriarcados se omitiram de participar. Será que haverão cismas? A aguardar.

A Igreja Católica à Beira de um Cisma

O Sínodo Católico da Família acabou de uma forma que me surpreendeu, aprovando e clamando pela sodomia na maioria de seus votos. Ele pressagiou uma nova era na qual a Igreja Católica se transformará numa gigantesca Igreja Anglicana. Com todas as características da última: simpática à sodomia, paganizada, efeminada e esvaziada.

Eu fui surpreendido porque embora João Paulo II e Bento XVI fossem abertamente sincretistas, eles e o resto clero católico aparentavam possuir um resquício flamejante de consciência cristã. Eles discursavam e agiam com uma enorme solidez, coerência e ferocidade na defesa dos interesses das famílias. O Sínodo veio a mostrar que essa aparência era apenas um engodo imposto de cima abaixo a partir de Roma. Ficou mostrado que a maioria do clero católico é ainda mais radical à esquerda do que os seus próprios papas ecumenistas.

Para quem esteve sempre atento — não foi o meu caso — os sinais estavam em toda parte. A começar pela nossa civilização ocidental. O anglicismo sionista, o carro-chefe de nossos poderes temporais, fomenta de forma fanática a sodomia. Quando o poder temporal é tão tenaz numa causa, até mesmo uma parte do Corpo de Cristo (eu não me refiro à Igreja Católica) que é imatura e não deificada, pode cair. Foi assim com a perseguição pagã do Império Romano, com o apoio imperial à heresia ariana, com o apoio bizantino ao iconoclasmo, com a promulgação uniata dos bizantinos, com a sufocação soviética e nazista à Igreja, etc. A tendência natural de todos nós é ceder à moda vigente, especialmente se ela é uma ideologia oficial de Estado. O heroísmo é nadar contra a maré social e os heróis públicos, os santos, são sempre uma minoria da qual poucos tem o privilégio de desfrutarem de sua luz.

O Antipapa Bergoglio disse que não julga um homossexual e sempre agiu em favor do reconhecimento de uniões civis gays. Ele apenas se diz contra o matrimônio civil homossexual, porque conferiria aos gays o direito de adotar. Ele duvida que a adoção seja saudável às crianças, que não estão em posição de refletir de forma ajuizada sobre a própria educação, ainda mais sob “pais” homossexuais. De fato, o matrimônio gay já abriu uma inédita modalidade de abuso infantil: a submissão de crianças ao bombardeio desnecessário de hormônios, para perturbar o desenvolvimento biológico natural delas. Bergoglio ainda não se manifestou sobre a possibilidade de sacramentar sacerdotes gays na Igreja Católica. Mas a julgar pelos votos do Sínodo e pelas manobras bergoglianas, ele é objetivamente favorável. Bergoglio também deixou muitíssimo claro o seu absoluto desprezo pelos tradicionalistas com ofensas reiteradas e públicas. Além das perseguições corporativas promovidas por ele.

Bento XVI enfrentou uma cabala gay no Vaticano e a sua renúncia muito provavelmente se deveu ou foi influenciada por ela. A ONU detectou uma quantidade absurda de pessoas abusadas na Igreja Católica, milhares delas, por homossexuais e pedófilos com a leniência de João Paulo II e do cardeal Ratzinger. Eles tinham um poder temporal em mãos. Eles tinham o poder de determinarem que esses estupradores se denunciassem às autoridades para receberem o sacramento penitencial. Senão, eles poderiam pedir a extradição deles para que fossem julgados e condenados com pena capital ou prisão perpétua no Vaticano. Mas eles preferiram ocultá-los e tratá-los com terapia e transferências corporativas. O Antipapa Paulo VI foi provavelmente um homossexual enrustido, por isso não teria sido coincidência o agravamento do poder dessa cabala sob o seu reinado.

Enfim, esses são os sinais. Sinais de um lobby gay atuando na Igreja Católica desesperadamente tentando que a instituição legisle a favor dele. Estranho seria se o Sínodo agisse de forma diferente.

Os próximos passos de Bergoglio

Os tradicionalistas cantaram vitória porque as artimanhas pró-sodomia de Bergoglio não foram escrituradas no relatório final do Sínodo. Eles se iludiram pelo fanatismo de crerem que a Igreja Católica seria a Igreja de Cristo e que essa suposta vitória seria uma confirmação celestial. O fato é que a maioria dos bispos do Sínodo aprovaram-nas. Faltaram votos suficientes para a escrituração de trechos pró-sodomia no relatório, é verdade. Mas isso é um mero detalhe de formalismo legalista. O que importa é o isso diz sobre o estado atual do Catolicismo.

Bergoglio foi astuto o bastante para burlar a derrota formal e determinar a publicação do relatório oficial na íntegra, com os trechos pró-sodomia. Exceto que ele determinou que a quantidade de votos por cada trecho fosse impresso com o relatório, como que se dissesse o que foi e o que não foi formalmente aprovado. Com essa medida, Bergoglio quis mostrar que a maioria dos bispos está com ele. Ele quis dar um recado aos seus opositores que, nas próprias palavras dele à Guarda Suiça, estão considerando um cisma.

A verdadeira batalha não ocorreu neste Sínodo. Ela se dará no próximo em Outubro de 2015. Se Bergoglio teve a maioria dos bispos neste findado Sínodo, para o vindouro, que será maior, ele tem todas as ferramentas à disposição para garantir uma farsa legislativa que lhe agrade. Ele é o líder de uma religião autoritária (a Igreja Católica é uma monarquia absolutista). Como um autocrata, para ele é fácil tomar medidas para calar a oposição cardinalícia que se levantou contra ele no Sínodo. Ele pode liderar uma purga contra os recalcitrantes, o que ele já está providenciando. Ele pode promulgar novas regras legislativas e escolher livremente os bispos participantes do próximo Sínodo conforme os seus interesses estratégicos. Seja o que ele venha a fazer, ficou claro que ele não precisará pesar muito a mão. E ele tem um ano inteiro para implementar os seus objetivos. O Sínodo que passou foi apenas um evento preliminar, um ensaio geral, cujos números foram muito auspiciosos para Bergoglio.

Se tudo falhar, o que não pode ser descartado, Bergoglio ainda tem a opção de promulgar uma bula papal que ignore as decisões do próximo Sínodo. Ele poderia fazer isso já, se desejasse. Porém é um costume recorrente das autocracias serem referendadas por órgãos legislativos farsescos, como se o líder falasse não em nome próprio e de suas vaidades mas do povo. Esse é o instrumento de propaganda comum de várias ditaduras e ajuda a evitar motins, traições e levantes populares. No caso da Igreja Católica, mesmo o Papa Pio IX não quis arrogar a própria infalibilidade sem que um Concílio o apoiasse. Se Pio IX não escolhesse esse caminho, ele teria que lidar não apenas com uma Kulturkampf como represália mas com cisma generalizado. Uma vez que ele tenha recebido o apoio dos bispos, pôde promulgar uma bula doutrinal sobre a suposta infalibilidade da Igreja na exclusiva pessoa do papa. A funesta bula não fez outra coisa senão de uma vez para sempre abolir a autoridade dos Concílios Ecumênicos. Ela foi um outro exemplo farsesco do papado, onde um Concílio Ecumênico virtualmente aboliu-se a si próprio e a todos os demais subsequentes para bajular um autocrata.

Tudo o que Bergoglio precisa é de coragem para levar à frente os seus projetos sinistros. Cinismo ele tem de sobra, além de uma disposição rancorosa e vingativa. Que o digam os Franciscanos da Imaculada, os jesuítas argentinos e o Cardeal Raymond Burke. Bergoglio tem a imagem de pública de um avó bonachão, ingênuo, jovial e simples. É mais um engodo, exceto a simplicidade teológica. Tão simples que os seus discursos são blasfemos e terríveis a ponto de ele negar a Trindade de forma reiterada, desavergonhada e pública. Isso mostra que a malícia e a sagacidade não requerem erudição.

A obstinação dos tradicionalistas

Por erros doutrinais muito mais sutis e de difícil compreensão, o Papa Virgílio foi preso e condenado como um herege por um Concílio Ecumênico em Constantinopla. É inacreditável que os católicos ultramontanos tenham o desplante de dizerem que alguém como Bergoglio seja um pretenso sucessor do divino São Pedro, o garantidor da unidade e da ortodoxia da fé, a Rocha da Igreja, a quem se deve fiel obediência, quando eles próprios o reconhecem como um subversivo, um herege, etc. Haja hipocrisia e esquizofrenia! Quão miserável é a vida deles, que se recusam a ler os fatos com a simplicidade brutal que se apresentam.

A História tem mostrado repetidamente que a Igreja não pode estar fundada num simples pecador. Um bispo apóstata não tem a imagem de São Pedro e não pode estar na sucessão apostólica. Eles sabem disso. Eles vivem aflitos pelas travessuras de Bergoglio, o que mostra a tortura que lhes impõe a consciência. Ao invés de abraçarem a simples verdade ortodoxa, preferem ignorar os fatos e pregarem sobre um Catolicismo que não existe ou apelarem às mulheres e crianças histéricas e visionárias.

Bergoglio deveria ser julgado por um tribunal eclesiástico da Itália e ser deposto. Por causa da papolatria dos ultramontanos, isso não é possível. Contudo tal fanatismo não apagará a consciência causticante deles e um novo cisma é uma possibilidade muito real e gritante.

Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica teve alguns cismas. entre os quais o cisma sedevacantista e o cisma da FSSPX. Os católicos progressistas mais fanáticos vivem sob um cisma de facto desde o papado de João Paulo II. A novidade seria um cisma formal no colégio cardinalício, tornado possível pela revolta de certos cardeais no Sínodo. Poderá até haver uma repetição dos eventos ocorridos em Avinhão durante o reinado do Papa Urbano VI.

Está nas mãos de Bergoglio impedir que isso ocorra. Basta tão somente que ele pare de se agitar, fale pouco, apareça pouco e nada mais. As coisas se aquietarão por si só. Mas blasfemo, vaidoso e falastrão como ele é, é pouco provável que ele fique silente.

Nada disso poderia acontecer com a Santa Igreja Ortodoxa. Não porque o seu clero não possa ser tentado e efetivamente cair. De fato ele já caiu em outras ocasiões históricas, como no Concílio medieval de Florença. Mas porque a estrutura da Santa Ortodoxia é tal que ela torna possível que único bispo heróico, vocal e influente (como o divino São Marcos de Éfeso ou como o divino São Atanásio) estrague os planos de uma corporação inteira. A autoridade episcopal da Santa Ortodoxia não é vertical como na Igreja Católica dentro da qual o papa troveja como que do Monte Olimpo sobre os fiéis. A Ortodoxia é horizontal, os bispos tem a mesma autoridade e são autônomos em relação aos seus pares.

Não basta um papa sentado num Sínodo ou num Concílio Ecumênico ditar o que quer e expor as suas cartas para atingir os seus objetivos. Se fosse na Ortodoxia, ele teria que conquistar o coração de todos os bispos e padres ortodoxos ainda que já encerrado há muito o Sínodo. É por isso que jamais o Patriarcado de Constantinopla conseguiu emplacar a reforma do calendário eclesiástico da Igreja, que ele capitaneou para agradar os ocidentais, apesar de contar com um apoio aparentemente impressionante no meio do clero ortodoxo grego. Não é fácil uma novidade entrar unanimemente na consciência ortodoxa, não importa quantas salvaguardas formais e legalistas ela tenha.

Os católicos reclamam dessa característica ortodoxa como se ela fosse uma anarquia. Bobagem. A Ortodoxia é claramente coerente, a despeito dos problemas canônicos e etnocêntricos que ela própria reconhece existirem no Ocidente. Não por culpa de uma suposta característica inerente dela, mas devido às imigrações em massa forçadas pelo cataclismo comunista no Leste Europeu.

A Ortodoxia é verdadeiramente uma religião mística e não uma ideologia como a Igreja Católica. Ideologia por se prender às racionalizações de legalismos jurídicos e da escolástica. A coerência da Ortodoxia é um mistério de sinergia entre os bispos e Deus. Ela não tem a necessidade de racionalizar por qual processo sistêmico tal e qual dogma é aceito. O dogma é ensinado pela Tradição e aceito através da Providência, no convencimento e na deificação sacramental e ascética dos cristãos. Ponto.

As consequências futuras das ações de Bergoglio

Se Bergoglio for adiante com os seus planos pró-sodomia, é fácil prever os eventos que se seguirão. A secularização católica provocada pelo Concílio Vaticano II e o Protestantismo são espelhos perfeitos do que ocorrerá. Onde existe a resistência católica à criminalização da oposição à sodomia, ela colapsará, tal como ocorrido no colapso da liturgia tradicional latina. A velocidade do colapso deve variar em cada região católica do mundo, mas acontecerá tão rápido quanto em uma geração seguinte de católicos, graças a já incessante propaganda midiática. Religiões não-católicas sentir-se-ão mais pressionadas no Ocidente e cederão ao ativismo gay, como consequência da defecção católica. Elas em geral aceitarão a criminalização de expressões e idéias que lhes são caras. Paralelamente, em busca do sagrado, os católicos afluirão em massa à FSSPX e similares ou à Ortodoxia. Mas serão reputados como grupos marginais (exóticos, fora do mainstream). Idem para os anglicanos mais conservadores. Eles deixarão de ver Roma como uma opção viável de fuga à secularização.

Alguns poucos cardeais declararão a sedevacância de Roma, provocarão um cisma e considerarão se juntarem à FSSPX ou fundarem um movimento paralelo de sua própria iniciativa, mais a caráter do novus ordo ratzingeriano. A África católica se sentirá mais encorajada a usar o precedente pró-homossexual do vindouro Sínodo para tolerar mais facilmente a poligamia ou desertar para outras religiões.

A premonição de Bento XVI sobre uma Igreja Católica muito menor e sem os seus privilégios sociais, terá a sua realização, já presente, muito acelerada e não apenas na Europa. Desta vez, a minoração da Igreja Católica atingirá a África e a Ásia. A China, querendo proteger a sua população das influências eurocêntricas, quererá cortar mais radicalmente os laços da Igreja Católica chinesa com Roma.

É possível que Bergoglio ou o seu sucessor tenha o seu tão sonhado status de presidir todas as religiões mundiais seriamente considerado pela ONU. (Esse é o objetivo cultural e inconsciente dos progressistas católicos, trazer todos à sola do papa, de um jeito ou de outro. Antes, pela Inquisição. Agora, pelo engano, pelo sentimentalismo e pela bajulação). Mas a idéia será descartada ou não terá valor prático, porque há o interesse irreconciliável e imperialista dos sunitas. Os sunitas ameaçarão e descorçoarão o Patriarca de Constantinopla para que ele não repita os discursos pró-sodomia dos católicos na Turquia, mas não é possível predizer se ele terá o cinismo de continuar com a nescidade do ecumenismo com Roma.

Duas ou três gerações depois, conversas teológicas no meio católico serão conduzidas para que se sacramentem sacerdotes católicos homossexuais e mulheres e para que se tolere mais a pedofilia. Esses assuntos são igualmente de interesse do lobby gay do Vaticano.

A neopaganização e o ateísmo sofrerão um impulso enorme por toda a Europa. Não importa quantas bobagens os progressistas defendam, não é fácil às pessoas ignorarem a própria consciência étnica e esquecerem do senso de sagrado. À medida que Roma se impregnar ainda mais de atitudes circenses e escandalizar os sérios, os movimentos nacionalistas europeus se sentirão mais encorajados a preferirem alternativas neopagãs ao Catolicismo, já que a Santa Ortodoxia ainda não é muito bem conhecida em nossa civilização. Se os nacionalistas tiverem sucesso em agarrarem o poder, eles implantarão o programa nazista de desarraigar a Igreja Católica do que lhe restará de influência pública. A Hungria nacionalista certamente renegará a sua fé católica.

Assim a Igreja Católica será pressionada pelo ativismo gay numa primeira fase pós-Bergoglio e pelo nacionalismo neopagão numa fase subsequente. Esse provavelmente será o ato final para o Catolicismo, quando um movimento nacionalista na Itália denunciar e terminar o Tratado de Latrão. O sal que não salga está destinado a ser pisado e desprezado pelos homens.

Todas essas coisas não são profecias minhas. Eu não profetizei que Bergoglio seria um desastre. Eu antecipei o fato com base em considerações óbvias. Se trata de ver as tendências mundiais, de se saber que ninguém muda num passe de mágica (como os católicos ultramontanos fanaticamente acreditaram em relação a Bergoglio e a outros papas só pelo fato da eleição) e de ter perspectiva histórica. Tudo o que eu disse já está acontecendo, não se trata de eventos futuros ou de se acreditar em místicas histéricas. O que remanesce pendente, a depender de Bergoglio e de suas atitudes subsequentes ao próximo Sínodo, é a velocidade e a intensidade em que essas tendências serão concretizadas. Por serem apenas tendências, elas podem ser interrompidas ou revertidas. Mas não com homens voluntariosos como Bergoglio ou com uma Igreja circense, falsa e desatinada como a igreja conciliar.

O Massacre de Newtown

Nenhuma justificativa pode ser oferecida a um massacre covarde de crianças e adultos desarmados na escola Sandy Hook Elementary. Seja qual for a motivação de Adam Lanza, o autor desses atos homicidas, ela é irrelevante. Ninguém perpetra um ato tão vil, a esmo e depois de atentar contra a própria mãe, sem ter sido privado totalmente da capacidade de julgamento, da empatia humana e do senso de proporcionalidade. O fato é que as pessoas podem se tornar tão dessensibilizadas que se transformam em demônios encarnados.

Mas há algo que realmente precisa ser notado e reconhecido nessa tragédia. Esses massacres a esmo — eles são diferentes do terrorismo político que possui uma ideologia sectária e um suporte de grupo — tem aumentado de forma notável desde os anos 1960 e explodiram a partir dos anos 1990 para cá. Decerto ocorriam incidentes similares antes de meados do século passado, inclusive na América do Sul, mas tem havido claramente um aumento desses casos nos anos recentes. Eles são típicos de países desenvolvidos do Ocidente e da Ásia, com pouquíssimas exceções.

O perfil de um assassino em massa

A grande maioria dos assassinos em massa é homem, branco ou asiático, notavelmente anti-social, amargamente rancoroso dos prejuízos reais ou imaginários causados a si, e possui entre 20 a 30 anos de idade. Porque o assassinato massivo é a esmo e alimentado por fantasias patológicas e narcisistas, esse tipo de crime não está ligado à situação econômica do país, à taxa de criminalidade nacional, ou mesmo a uma legislação de controle de armas. Evidentemente, o controle de armas diminui a probabilidade delas chegarem às mãos desse tipo de criminoso. Mas o risco de um ataque armado jamais é afastado de todo. Há assassinos em massa que usam armas brancas, armas de ofício ofício militar, e veículos para atentar contra as suas vítimas.

Um controle de armas abusivamente restrito e total, destrói a responsabilidade — se trata de um dever e não de um direito — do homem de defender a sua família. Aliás, uma medida de controle abusivo pode resultar fútil, porque um assassino em massa como o próprio Alan Lanza, Elias Delgado, Andrew Kehoe, Charles Wittman, Michael McLendon e outros, representam um perigo muito mais próximo e grave aos ambientes familiar e profissional deles, do que propriamente aos ambientes de terceiros. Em outras palavras, o desarmamento pode dar alguma segurança psicológica à nação. Mas criará outros problemas e não eliminará o fenômeno do assassinato massivo.

A questão do desarmamento

Não custa mencionar o fato, cuidadosamente omitido por aqueles que defendem um desarmamento total e irrestrito, de que um assassino em massa geralmente possui uma disposição suicida. Com pouquíssimas exceções, esse criminoso já está mentalmente preparado para tirar a sua vida quando cercado pelas forças legalistas. E muitos concretizam o suicídio quando os policiais se aproximam. O que mostra que esse criminoso, pronto a matar inocentes indefesos, os seus familiares e a si próprio, não vai negociar a sua rendição, tal como fariam os assaltantes e os sequestradores, por exemplo.

Esse é o ponto. Os assassinos em massa como Adam Lanza, Eric Harris, Breivik, e outros da mesma espécie, dos quais atacam de peito aberto, devem ser abatidos de imediato. A questão de reagir ou não ao ataque é irrelevante neste tipo evento. Eles não matam pela falta de colaboração da vítima, tal como ocorre a outros criminosos em empreitada. Mas porque a relação entre eles e a vítima é a de um caçador em plena farra e a sua presa em mira.

Por isso, durante um ataque dessa natureza, o tempo é crítico. Esse fato contrasta com a ocorrência de um sequestro, onde o tempo deve decorrer para que o criminoso pondere as opções e se acalme. Esperar não é viável quando se trata de um criminoso surtado que repentinamente abre fogo, e atira a esmo. De qualquer forma, os desarmamentistas querem que as vítimas apenas se escondam, chamem a polícia — se possível, pois é preciso procurar um abrigo sabe-se lá onde, e rezar para o celular funcionar! — e esperem uma eternidade para o socorro chegar. Objetivamente, ainda que os desarmamentistas não confessem isso à luz do dia, o que eles demandam na prática, é que muitos sirvam de escudos humanos às mulheres, aos idosos e às crianças durante o ataque.

É nobre, é digno, é exemplar, é corajoso quem se sacrifica pelo outro, sem nenhuma dúvida. Mas uma coisa é sacrificar-se depois de esgotados todos os meios de revide. Outra, completamente diferente, é sacrificar-se porque as outras opções foram arrancadas da vítima devido ao capricho e à vaidade alheia. Os fanáticos desarmamentistas, com o imenso ego que possuem, usam de todos os meios para envenenar o direito e a coragem de todas as gentes. De modo que os amedrontados, quando não urinam de medo ao pegarem numa arma, estejam privados do direito de municiar uma.

Como querem os desarmamentistas que as pessoas sob fogo cerrado esperem calmamente a polícia como se aguardassem um ônibus em meio a uma tempestade? Essa expectativa não é coisa de gente insana? Não é profundamente ímpio tirar de uma pessoa, pelo medo ou pela lei, todos os seus meios de defesa, e esperar que ela se sacrifique? Pois é isso que os desarmamentistas querem que todos façam, estejam eles conscientes disso ou não. Alguns abertamente maliciosos, vão além e procuram desarmar até a polícia.

É curioso como certos réus são condenados judicialmente por omissão dolosa, enquanto aqueles que pregam a covardia e a omissão dos homens na responsabilidade do porte de armas, são exaltados como vanguardistas. As escolas tem sido atacadas por assassinos em massa reiteradas vezes, porquanto não oferecem qualquer resistência armada. E a despeito disso, ao invés de se conceder armas aos professores e o devido treinamento e acompanhamento psicológico a cada um deles, os desarmamentistas insistem aos berros que as escolas devem ser zonas livres de armas. Não obstante as reiteradas tragédias de um mesmo modus operandi, são poucos os que observam a omissão deliberada que os desarmamentistas encorajam. Ainda pior é notar que quando acontece um ataque numa escola, esses mesmos fanáticos lamentam, como se eles nada tivessem contribuído para que a vulnerabilidade das vítimas atraísse o assassino em massa. Isso quando alguns psicopatas entre eles não celebram a tragédia.

Se uma escola cheia de mulheres e crianças é atacada, o correto e o justo seria os pais e os voluntários da comunidade escolar, dentre os fisicamente capazes e mentalmente lúcidos, dentre os treinados e adequadamente municiados, lembrarem-se de que os seus testículos simbolizam alguma coisa além da fornicação, para que reajam imediatamente e matem o criminoso. Concomitantemente, alguém que esteja em condições, deve chamar os policiais em socorro. Esse seria o normal, se nos nossos dias um outro “normal” não vigorasse.

Dois extremos, dois equívocos

“E disse-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. Disse-lhes pois: mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e, o que não tem espada, venda a sua capa e compre-a; porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escrito de mim terá cumprimento. E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta.” (Lucas 22:35-38)

Se, por um lado, os americanos amantes das armas tem razão no direito de municiá-las, eles estão estupidamente errados no tipo de poder de fogo que desejam dispor. São dois extremos igualmente equivocados: os desarmamentistas querem, objetivamente, que os desarmados mais fortes sirvam de escudo humano aos mais fracos. E os americanos entusiastas querem o direito de ter um poder de fogo de uma infantaria pesada. É evidente que falta sensatez a ambos os grupos.

A própria história de Lanza é um exemplo disso. A mãe dele, Nancy, que também foi assassinada no massacre, era uma mulher paranóica que esperava o colapso econômico mundial, a ponto de estocar alimentos. Tal como agem muitos dos hereges evangélicos americanos. Essa foi a desculpa que ela usou para comprar desde pistolas aos rifles de uso militar. A irresponsabilidade de Nancy é tamanha, que ela colecionava armas vivendo sozinha com um filho deficiente mental, Lanza, o qual suspeita-se que sofria de Síndrome de Asperger. Ademais, Lanza tinha uma condição médica que o dessensibilizava à dor, devido a qual ele carecia de constante cuidado e proteção para o tratamento de ferimentos.

Nancy era paranóica e ostensivamente agia conforme. Ela tinha em sua casa um autista com um humor explosivo, que por nada ter o que fazer e nem com quem se relacionar, viciou-se em jogos violentos. Ele não podia sair de casa devido à insensibilidade à dor e a mãe ainda colecionava armas de grosso calibre. É muito óbvio que havia um desastre anunciado.

Os americanos pensam que podem comprar tais armamentos pela Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Eles só se esquecem que quando ela foi promulgada, não existiam forças policiais ou um exército regular e permanente no país. É por isso que a Segunda Emenda prevê a regulamentação de milícias, já que na época, eram elas que cuidavam da segurança comunitária e militar. Na realidade, o serviço nas milícias era obrigatório a todos os homens jovens e capazes. Curioso como os americanos querem o direito às armas, mas não querem as obrigações históricas e costumeiras de sua posse, como servir forçosamente numa unidade miliciana.

Ademais, a regulamentação das milícias tinha por objetivo estabelecer a disciplina militar, a hierarquia e os requisitos-padrão de armamentos. Para qual absurdo sem sentido um miliciano comum deveria municiar-se de um canhão e de morteiros de artilharia, por exemplo? Bastava um mosquete, uma baioneta e um alforje para a pólvora como um equipamento padrão. Da mesma forma, para quê alguém precisaria de um rifle de assalto ou de uma metralhadora só para auto-defesa? Ele vai invadir o quê, por acaso? Basta uma pistola ou um revólver.

O dever constitucional da regulamentação das milícias foi uma forma oblíqua que os federalistas encontraram de desencorajar os crimes de traição, nos quais certos milicianos levantassem as armas contra a Confederação dos Estados americanos. A Segunda Emenda, ao contrário do que pensam os incautos, não foi promulgada para proteger a liberdade armada. Muito pelo contrário: ela foi expressamente limitante ao prever a necessidade de uma disciplina militar e ao prover os meios legais e implícitos para que uma milícia não fosse capaz de rivalizar e de ameaçar essa disciplina com um poderio mercenário. Tão limitante foi a Segunda Emenda, que ela não foi elaborada para todas as pessoas residentes nos territórios da Confederação: as mulheres e os escravos estavam impedidos de se armar.

A Segunda Emenda possui um propósito diametralmente oposto ao imaginado pelos entusiastas armados da América. Fosse ela cumprida fielmente como queriam os federalistas, Nancy jamais poderia ter se armado pelo simples e mero fato de ser mulher. E ela jamais teria uma Bushmaster .223 pelo simples e mero fato de não ter se integrado a uma milícia.

Outra desculpa que os americanos usam para essas armas é a desconfiança que eles possuem no Governo Federal. Esse não é um motivo legítimo, porque a nós cristãos foi determinado o respeito ao governo. Obviamente existe situações das quais são legítimas a revolta armada. Mas se um miliciano não sabe a diferença entre o sanguinário Stálin e Obama, entre Nero e Ângela Merkel ou entre Mao Tsé-tung e a Dilma Rousseff, ele não deveria sequer ter permissão para portar uma faca.

Esse é o mal da América. Eles romantizam as revoluções e não sabem respeitar um governo. A Guerra Civil Americana, por exemplo, foi lutada por motivos absurdamente fúteis: pela descentralização dos tributos e pela regulação a nível estadual (o que não significa a manutenção) da escravidão. Devido à Guerra, um quarto dos preciosos euro-americanos pereceu, a América ficou ainda mais centralizada e se tornou verticalmente agnóstica, e a segregação racial virou um espinho secular para o país. Quando Deus divide uma raça de um mesmo solo em dois Estados independentes, isso é sinal de Sua ira, como se percebe pela Sua permissão expressa à independência de Judá. A secessão a partir de uma mesma nação não indica a aprovação divina. Porque Ele permitiria que uma raça cristã, como a América de então, se dividisse? Faltou sabedoria e a noção de proporção aos sulistas. O mesmo pode ser dos entusiastas armados da América e do seu ardor ímpio pela revolta fútil.

Todas essas coisas provam que os americanos não veem as armas como uma responsabilidade civil e mandatória. Mas como brinquedos. Esse é o motivo deles se encantarem com as armas, tal como crianças a brincar com bonecos e carrinhos em miniatura. Não foi a toa que John Quincy Adams disse que a Constituição era imprestável para um povo desconhecedor dos costumes religiosos europeus. Motivo, aliás, pelo qual ela foi redigida de forma sucinta. Essa falta de consciência civil da parte dos americanos, a atitude acrítica do patriotismo deles, e o desconhecimento religioso e cultural da nação, mostram que de fato a América mudou. Culturalmente, religiosamente, politicamente e demograficamente.

O nosso divino Senhor Jesus prescreveu o direito individual ao posse e ao porte de armas. Mas Ele nunca ensinou que os Seus filhos deveriam vê-las como brinquedo, ou que se armassem até os dentes para rivalizar em poderio militar com o Império Romano. Ele disse aos Seus discípulos que se armassem só o quanto fosse necessário para a legítima defesa. Ademais, Ele ensinou que não havia necessidade de armarem-se todos se estivessem em grupo. No Antigo Testamento, a Trindade Santíssima estabeleceu que o exército de Israel seria formado por líderes e civis milicianos das cidades, todos homens. Elas seriam organizadas hierarquicamente com um rei ou um juiz por cabeça. É para essas coisas que uma milícia e as armas servem. Elas não são objetos de lazer para um clube esportivo, elas não permitem que cidadãos particulares montem as suas próprias infantarias privadas, e elas não são um hobby para colecionadores. Todas essas coisas alheias ao propósito das armas e das milícias devem ser terminantemente proibidas.

As responsabilidades da cidadania

Desde que a cidadania sempre foi entendida como a assunção de certas responsabilidades para com a nação, o ideal é que em toda parte seja adotado uma variação do sistema suíço de armamento mandatório. Pode-se determinar o seguinte:

  1. Todos os homens casados há mais de um ano, sendo confiáveis, devem ser obrigados a possuir pelo menos uma arma de fogo de mão em casa, ainda que apenas guardada num cofre. Cada civil armado poderá portar a sua arma, desde que apresente a licença de aptidão quando exigido, tal como costumeiramente se procede a um motorista de automóvel. Os demais civis que desejarem esses direitos, deverão comprovar a necessidade das armas e a aptidão de manuseio e de guarda segura.
  2. Os civis armados devem comparecer à polícia ou ao Exército regularmente de modo a fazerem cursos rápidos de segurança, de manuseio e os exames médicos e psiquiátricos, tal como se exige a um motorista de automóvel.
  3. Um homem armado que queira ter o direito a uma arma de calibre maior, deverá se integrar a uma milícia ou às forças estatais de segurança.
  4. Um miliciano terá o direito a portar, além da pistola, uma farda, um rifle de assalto, um fuzil, uma espingarda, um escudo, granadas de efeito moral, um cacetete, um colete balístico, um capacete e equipamentos noturnos, e outros dispositivos, conforme as características específicas da unidade que participa. Em troca, ele terá certas obrigações adicionais, como participar eventualmente, em sua metrópole de residência, de algumas operações policiais ou militares de fácil complexidade. Ele deve regularmente, com mais periodicidade que o exigido aos civis armados, apresentar-se às forças estatais de segurança para o treinamento, avaliação de aptidão, e exames médicos e psiquiátricos. O miliciano estará sujeito à expulsão da milícia por inaptidão ou por má conduta, e deverá entregar ou inutilizar todos os seus equipamentos se isso acontecer. Ele estará sujeito ao Código Militar enquanto integrante da milícia e não receberá auxílio financeiro pela sua participação.
  5. Todos os homens serão considerados confiáveis ou aptos se não possuírem vícios, antecedentes criminais, relações adúlteras, deficiências físicas incapacitantes ou mentais que representem um perigo a si próprio ou a terceiros. Nenhum homem que agride fisicamente um outro ser humano de forma reincidente e sem justo motivo deve ser considerado confiável ou apto. Nenhum homem que não tenha licença de aptidão apropriada para a arma adquirida deve ter o direito de comprar munição.

É importante que a posse e o porte de armas sejam um dever reservado aos homens casados por três motivos: (a) para resgatar a noção de que a maioridade civil vem com o casamento, e não com a idade; (b) em geral, embora existam exceções, os homens casados tendem a ser mais responsáveis e menos violentos que os solteiros; (c) para incentivar os homens a casar e manter estável a relação.

Uma unidade miliciana treinada, havendo que cumprir gratuitamente algumas obrigações militares e policiais fáceis, poderia montar guarda em escolas, por exemplo.

A influência da mídia nos assassinos em massa

Esses criminosos, ainda que cometam o crime com lucidez, possuem, em geral, alguma patologia mental não tratada ou tratada pobremente. Eles nem mesmo possuem um senso de auto-preservação, já que é comum que se suicidem quando a polícia se aproxima. Entretanto, uma patologia mental possui gatilhos de ativação. No caso de Adam Lanza, o gatilho, aparentemente, foi uma discussão que ele teve com quatro professores da escola Sandy Hook. A Anders Breivik, foi a fantasia de que as suas ações desencadeariam uma série de golpes de Estado na Europa. A Andrew Kehoe, foi o fato de ser contrariado num conselho municipal. A Tomohiro Katô, foi o pensamento precipitado de que perdera o emprego, etc. Enfim, são vários gatilhos diferentes.

Porquanto são diversos os gatilhos, não há provas indubitáveis de que a mídia tenha uma influência específica e crucial nos atos específicos desses criminosos. Exceto quando ela dá cobertura aos fatos históricos do criminoso, ao invés de apresentar ao público a história de cada vítima. Se ela age assim, ela dá ao criminoso o que ele quer: a atenção pública aos sofrimentos pessoais dele. Essa inversão sensacionalista de prioridades e valores por parte da mídia, acaba por encorajar outros doentes mentais a seguir o exemplo do criminoso.

Mas, como dito no início, os assassinatos em massa explodiram de alguns anos para cá. Isso não pode ser coincidência.

Embora a mídia não tenha uma influência específica nos atos individuais do criminoso, ela exerce a sua influência de uma forma geral sobre todas as pessoas. E na realidade, isso é muito pior. É a propaganda midiática, constante, incansável e obsessivamente reiterada, que tem causado as mudanças sociais profundas no mundo cristão em geral e na América em particular. O exemplo mais recente dessa influência, é a propaganda pela aceitação de comportamentos e atitudes que há poucos anos eram repudiados ou considerados vergonhosos e traumáticos: a celebração da sodomia, a aceitação dos filhos bastardos como iguais aos legítimos, a banalização do divórcio, a aceitação do aborto, a indução ao laxo parental, etc. Ela tem criado produtos de entretenimento com um conteúdo violento ou erótico cada vez mais gráfico e explícito. Outros produtos midiáticos procuram infantilizar as pessoas: enfocam o prazer e tiram a coragem do homem de formar uma família, superdimensionam as carências emocionais do ego humano, etc.

Todas essas coisas, juntas, levam a uma situação onde as famílias, fragilizadas e quebradas, geram mais e mais pessoas com patologias mentais. E a violência gráfica possui um poder enorme de dessensibilização e de mitigação do afeto natural. Essas coisas começaram como um instrumento de subversão da Cristandade por uma elite hostil, justamente a partir dos anos 1960, quando alguns de seus membros lograram tomar os postos-chave nas corporações americanas de mídia. E o fruto concebido por ela, saiu de controle e se espalhou pelo mundo, de tal modo que, hoje, essa demanda midiática se auto-alimenta.

Lamentavelmente, a subversão midiática justifica a censura prévia. A mídia comprovadamente possui uma influência corrosiva sobre gerações inteiras de pessoas, se não houver algum controle por parte do Estado. Porquanto certos produtos midiáticos são nocivos ao bem comum, não só eles devem ser censurados, mas os produtores, e todos os demais envolvidos em sua concepção e exibição, devem ser processados civil e penalmente. Só assim se poderá ter uma sociedade mais sadia. Esse objetivo censório, entretanto, só faz sentido num ambiente legal que prevê uma religião oficial instituída, a qual teria a responsabilidade e a capacidade de julgar o que é moral e o que não é.

Caberá à nova geração de nacionalistas expulsar essa elite hostil e ajudar as nações a se recuperar moralmente.

Um Conto de Porcos e Mal-Lavados

Vejam os vídeos antológicos e interessantíssmos abaixo:

A explicação para todo esse imbróglio é o seguinte. Os porcos resolveram falar dos mal-lavados porque os mal-lavados reclamaram do chiqueiro a partir das recentes eleições presidenciais brasileiras. Nelas, o porco-mor que se auto-intitula "bispo", apoiou a Dilma, o PT, o aborto, etc., com o intuito, inclusive, de destruir os meios de comunicação de uma fazenda rival em prol de sua própria fazenda de porcarias. Os mal-lavados torceram o nariz pois entenderam que, nessa briga de fazendeiros de esterco, os porcos foram um pouco longe demais. Daí que os mal-lavados começaram a protestar contra os porcos. Porém, com essa reação imprevista dos mal-lavados, até então fiéis escudeiros dos porcos há pouquíssimos anos atrás, eles se assustaram. Porque os porcos sabem que a multidão de mal-lavados é muito maior e mais poderosa que eles. E eles temem e tremem que os maiorais entre os mal-lavados possam, facilmente, adestrar os seus pulguentinhos a desprezar e a abandonar o chiqueirinho para sempre. E, sozinho, o chiqueiro não consegue emporcalhar por muito tempo.

Então, o porco-mor que não é bobo e nem nada, pensou o seguinte: "vou mostrar para todos que a minha laminha está neles (nos mal-lavados) e deixarei esses maiorais corados de vergonha e, quem sabe, voltarão todos eles para o meu chiqueiro ou, ao menos, se calarão!". Daí que o porco-mor usou a sua fazenda para mostrar à toda comunidade rural que os mal-lavados estão cheios de porcalhada na roupa deles. E os mal-lavados, pegados no vexame, porque sabem lá no âmago da própria consciência deles que a sujeira é feia, repugnante e estranha, se viram num impasse. Pois eles sempre se exibiram como limpos e superiores a todos os supostos sujos aos quais eles incessantemente caluniaram. Os mal-lavados e os porcos construíram a sua reputação de limpeza irrepreensível às custas de suas vítimas. E daí que os porcos, lançando lama no ventilador, deixaram com os mal-lavados a incumbência de tentar explicar à comunidade porque as manchas de esterco na roupa deles não seriam estrume, mas, sim, um tipo misterioso de alvejante escurecido. E, também, como esse alvejante escuro, que fede como estrume, seria algo superior e diferente aos sacos de esterco que alguns outros fazendeiros alheios à história produzem.

A moral da história a qual devemos manter em mente é que o porco-mor está agindo como um porco que é. Denunciando os mal-lavados, ele não quis e jamais quererá sair da lama onde se encontra. Ele apenas quer envergonhar os mal-lavados lembrando-os da verdadeira natureza que eles possuem e da história comum que compartilharam com os porcos. E – obviamente! – o porco-mor quer deixar absolutamente claro e límpido aos mal-lavados quem é o verdadeiro macho-alfa entre os sujos: ele, lógico! Resta saber o que farão os mal-lavados. Toda a insídia do porco-mor pode ser resumida em uma frase: “e tu também!”. Mas, considerando que sujos só sabem sujar, muito provavelmente, como em outras ocasiões, os mal-lavados correrão para os porcos a fim de firmar uma détente. Já devem estar fazendo isso nos bastidores, bem debaixo do nariz dos pulguentinhos deles que, como maridos traídos, são sempre os últimos a saber.

Apesar do porco-mor ser um belo de um porcalhão, podemos agradecê-lo por ter sido útil ao menos uma única vez em sua vida de porcalhadas ao desmascarar os mal-lavados. Anos de discussões intelectuais sérias jamais teriam o mesmo efeito que as admissões gráficas, ainda que insinceras, do próprio porco-mor em público. Desde hoje até o futuro, somente o fanatismo dos pulguentinhos poderá suster o chiqueiro e o aterro sanitário. Contudo, nem o fanatismo deles os susterão pelos séculos vindouros, já que outros fanáticos na história que os precederam, até incomodaram por algum tempo. Porém, desapareceram.

O Problema do Capitalismo: A Usura

Atualizado 29/03/2011

Veja também: O Problema do Capitalismo: O Individualismo

A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros. (Dt 23:19)

Um problema muito comum e pouco compreendido nos nossos dias é a inadimplência creditícia. O infortúnio desse problema não se restringe apenas àqueles infelizes devedores de crédito, os quais tomaram um tanto num determinado tempo e, após um período de capitalização, se viram portadores de uma obrigação duas, três, centenas, milhares ou milhões de vezes o montante original. É ela, a inadimplência generalizada, que inicia as depressões econômicas.

O problema é muito pouco compreendido porque em nossa sociedade ocidental, capitalista, a prática milenar essencialmente judaica de cobrança de juros sobre o crédito é assumida como um fato da Natureza. Isso é tão patente na teoria econômica liberal que toda a teoria dos ciclos econômicos de Ludwig Von Mises, também um judeu, é fundamentalmente uma teoria sobre os efeitos da distorção artificial sobre a taxa de juros praticada pelo mercado. Para esse economista, os juros são tão ligados ao homem e às suas ações quanto o respirar [i].

Todos falam sobre os juros: os libertários condenam a interferência estatal nas taxas de juros praticadas pelo sistema bancário; os socialistas, por outro lado, condenam o interesse privado no estabelecimento de taxas de juros, aprovando que a prática seja iniciativa do Estado; os conservadores, adotando um meio termo, permitem que os juros sejam praticados pela iniciativa privada, desde que obedecidos certos limites legais. Entretanto, não ocorre a ninguém questionar a licitude dos juros per se. O ensinamento milenar da Igreja sobre a iniquidade da cobrança generalizada de juros sobre o crédito é visto, no mínimo, como um equívoco de uma teologia prematuraaté mesmo pelos seus mais devotos conservadores – senão como uma coisa exótica de uma época de “trevas medievais” e uma desculpa para justificar o “ódio cego” nas inúmeras perseguições contra os judeus que perfilaram a história europeia.

Mas o fato é que a Igreja tem razão. O Capitalismo é anticristão, entre outras coisas, porque ele é fundamentalmente um sistema onde a riqueza é gerada ou financiada por meio da prática de usura bancária em larga escala. A usura, que definiremos em pormenor logo em seguida, é nada menos que um tipo decente de ladroagem de propriedade privada. Isso não deixa de ser uma ironia terrível, pois se o Socialismo é definido como um sistema de roubo generalizado por meio do confisco e tributação estatais, por outro lado, o Capitalismo merece a definição de ser um sistema de roubo generalizado por meio da usura do sistema bancário. Ambos os sistemas, Capitalismo e Socialismo, objetivam a espoliação deliberada de bens privados.

Ao contrário do entendimento popular, a usura não é a cobrança de juros excruciantes sobre os empréstimos. Ela também não é o lucro excessivo. A usura é a cobrança de qualquer taxa que não incide exclusivamente sobre os resultados financeiros positivos de um empreendimento financiado [iii]. Ou seja, ela é a incidência de juros sobre o próprio capital emprestado, independente dos eventuais frutos produtivos que ele gere. Deve-se observar que isso possui uma implicação que é absolutamente estranha ao nosso sistema bancário: se um banco financia um empreendimento e a taxa de juros legítima é aquela que incide sobre o lucro advindo do labor viabilizado pelo crédito, então o credor não tem o direito de receber nenhuma porção além do principal emprestado no caso de malogro do devedor. Em não havendo riqueza gerada pelo devedor, não há excedente de capital que o credor possa reclamar.

A usura é diferente do que expusemos porque se o devedor obtém prejuízo, então o credor, ainda assim, recebe a porção excedente ao capital emprestado, já que a incidência de juros é sobre o próprio capital, independente de qualquer lastro. Em outras palavras, o credor recebe às custas do devedor o que legitimamente pertence ao primeiro, i.e. o principal emprestado, mais o que não lhe pertence: os juros incidentes sobre uma riqueza que não existe, senão matematicamente. Sendo que o dinheiro nada mais é do que um meio de troca, então a usura é uma forma dolosa de ganhar dinheiro do nada, sem uma riqueza física que o lastreie. Eis aqui a injustiça do Capitalismo: não é só o sistema bancário de reservas fracionárias que é desonesto porque gera dinheiro do nada. Mas é a própria capitalização do crédito emprestado, a usura, i.e. o ganho excedente sobre o capital independente da produção de bens. É evidente que requerer dinheiro excedente de algo que produziu nada é ganhar dinheiro do nada. Pois se o dinheiro é apenas um meio de troca obtido por bens ilíquidos, como o excedente, oriundo da auto-capitalização do empréstimo, poderia representar um a priori? Por isso que a usura fatalmente acarreta no espólio de outros bens que, pertencendo ao devedor e não tendo relação com o empréstimo, dever-se-á servir de lastro para o crédito capitalizado. Assim, estamos diante de um iníquo jogo de ganha-ganha para o credor; um investimento claramente desonesto porque, em princípio e em oposição à natureza empresarial, lucrativa independente de quaisquer circunstâncias existentes.

A situação tragicômica muito real e vergonhosa citada no início, onde um devedor inadimplente deve uma quantidade capitalizada exponencialmente maior que o montante original prova, por si só, que os juros bancários praticados pelo Capitalismo não possuem lastro em riquezas; mas são tão somente projeções matemáticas que, se fossem obedecidas à risca, implicariam na situação em que nenhuma riqueza física poderia paga-las. É o próprio Capitalismo que, pela sua natureza usurária, inflaciona a moeda corrente e distorce a alocação de bens que servirão de lastro à capitalização. Para destruir a moeda corrente e desorganizar todo o sistema econômico, basta que os contratos de crédito inadimplentes sejam executados judicialmente ipsi litteris.

Os economistas liberais objetarão à acusação de usura dizendo que a taxa de juros sobre o crédito representa o período em que o dinheiro retornará ao credor. Quanto maior o tempo de retorno, mais o dinheiro se desvaloriza; portanto, a taxa de juros previne essa desvalorização. Esse argumento possui vários problemas: primeiro, a noção de que o dinheiro se desvaloriza, é decorrente da realidade da inflação que, por sua vez, é fruto do igualmente usurário sistema de reservas fracionárias. Segundo, o que realmente se desvaloriza com o tempo, é o valor determinados bens em relação a outros bens; e não do dinheiro em si [iv]. As pessoas não comem dinheiro, não moram em dinheiro, não bebem dinheiro e não dirigem dinheiro. Elas usam o dinheiro tão somente para a obtenção de bens. Terceiro, o dinheiro, quando lastreado em mercadorias, é definido por um câmbio fixo. A menos que a mercadoria que o lastreia perca o seu valor, o dinheiro não se desvaloriza. Agora, porque o devedor deveria pagar uma taxa de juros fixa pela desvalorização da mercadoria de lastreio, se: 1) a responsabilidade pelo valor do dinheiro é do banco emitente? 2) obviamente, a menos que o banco emitente queira deliberadamente destruir a sua moeda pela inflação, e por conseguinte, a riqueza dos seus clientes, a mercadoria de lastreio sempre será aquela que oferece a maior estabilidade de preços no tempo, como as moedas conversíveis em ouro [ii]? 3) havendo a valorização do dinheiro, a taxa de juros sobre o crédito é negativa?

O nosso Senhor Jesus não ensinou a usura

Quando alguns cristãos querem defender a cobrança de juros sobre os empréstimos, diante da desconcertante (para eles) condenação universal e histórica de toda a Cristandade à prática, eles recorrem à parábola dos talentos proferida pelo Senhor:

Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois. E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: negociai até que eu venha. Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: não queremos que este reine sobre nós. E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando. E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. E ele lhe disse: bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade. E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades. E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço; porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste. Porém, ele lhe disse: mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei; por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros? E disse aos que estavam com ele: tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. (Lc 19:12-24)

Aqueles que defendem o Capitalismo se esquecem que, por vezes, o Senhor Se utilizava de contrastes para transmitir os Seus ensinamentos. Como exemplo, a parábola do juiz iníquo ensina-nos a respeito da perseverança da oração (Lc 18:1-8). Mas é mais que evidente que o Senhor não é um juiz iníquo; e se compraz em atender aos Seus eleitos. Entretanto, quis Ele ensinar que, se a insistência da viúva logrou o julgamento de sua causa por um ímpio, muito mais o Senhor que é bom e generoso se apressará em julgar a nossa causa se não formos inconstantes em nossas orações. Outrossim é a parábola dos talentos: um rei injusto, odiado pelos seus súditos, que não tinha escrúpulos quanto ao uso da usura já que, segundo suas próprias palavras, ele “sega onde não semeou,” confrontado com o seu servo negligente, confiscou-lhe os bens para ganhar um excedente mesmo às custas do alheio, pois era avarento. Essa parábola é um claro contraste a Cristo, que como o Rei justo e santo, veio para reinar sobre os Seus irmãos raciais, os israelitas, que O odiaram. E por isso o servo mau que não acrescentou em nada o Reino de Cristo, i.e. o israelita incrédulo, que ademais foram julgados por Cristo como usurpadores dos dons divinos dos quais não eram dignos; e foram privados  por Ele de tudo o que tinham (a Palestina e a religião levítica) e até o que pensavam que tinham (a predileção divina). Enquanto que os demais servos bons, os primeiros israelitas cristianizados como São João e São Pedro, deram fruto e multiplicaram a população de eleitos representados pelas minas. Uma vez que a parábola é um contraste, é óbvio que, em concordância à lei mosaica, ela condena a usura, pois ela exemplifica os atos de um rei mau.

Notas

[i] Ação Humana de Von Mises.

[ii] Uma moeda instável perante outras está sujeira à Lei de Gresham até o limite de sua total depreciação e subsequentemente o seu abandono.

[iii] Hilaire Belloc, “On Usury,” oferece ótimos exemplos instrutivos: “suponhamos que um homem o procure e diga: “Há um terreno junto ao meu, excelente para construção. Se eu construir ali uma boa casa, conseguirei aluga-la com lucro líquido de 100 libras esterlinas ao ano, já considerado o pagamento de todas as taxas,impostos e reparos. Só que não disponho de capital para construir a casa. O terreno custará 50 libras e a casa, 950. O senhor me emprestará mil libras, de forma que eu compre o terreno, construa a casa e desfrute dessa pequena renda?” Sua provável resposta seria: “E o que receberei em troca? Certo, o senhor ficará com suas 100 libras o ano. Mas só as conseguirá graças ao meu auxílio, o que me confere o direito à participação nos lucros. Havemos de dividi-los meio a meio. O senhor retira sua parte de 50 libras ao ano pelo conhecimento da oportunidade e por seu trabalho e me repassa as outras 50. Elas representam 5% do meu investimento, e ficarei satisfeito.”

Essa resposta, considerando-se a propriedade como direito moral, constitui oferta perfeitamente lícita. Ao aceita-la, o indivíduo que solicitou o empréstimo nada tem a reclamar. Por muito tempo (teoricamente, para sempre) seria possível continuar retirando cinco por cento do valor emprestado sem qualquer peso na consciência. Agora, suponhamos que esse homem o procure e diga: “Conheço o caso de um senhor de meia idade subitamente acometido por terrível doença. Um tratamento médico que custa mil libras esterlinas salvará sua vida, mas ele nunca mais poderá exercer qualquer trabalho. Ele recebe uma pensão de 100 libras ao ano, que garantirá sua subsistência após a operação e o tratamento subsequente. O senhor emprestará as mil libras? Elas serão devolvidas na ocasião de sua morte, por conta de um seguro de vida no valor de mil libras.” Sua resposta: “Emprestarei as mil libras para salvar sua vida, mas exijo metade da pensão anual, ou seja, 50 libras ao ano, por cada ano que ele ainda venha a viver; e ele terá de sobreviver como puder com as 50 libras restantes da pensão.” Caso ainda lhe restasse alguma sensibilidade, essa proposta o faria sentir-se um patife (…)

[iv] Considerando que o dinheiro seja estável e não perecível.

O Problema do Capitalismo: O Individualismo

Atualizado 25/02/2011

Veja também: O Problema do Capitalismo: A Usura

Em uma série de artigos, demonstramos que o Senhor Deus criou as nações para viverem separadas umas das outras, implicando que cada um de seus membros deve manter a sua linhagem pura por meio de matrimônios heterossexuais tomados tão somente com outros da mesma tribo. Isso é resultado do fato de que o homem não foi criado para viver sozinho ou entre estranhos; mas, sim, com a sua família.

Essa realidade justifica a oposição histórica da Igreja ao Liberalismo Econômico, ou seja, ao Capitalismo enquanto tal, e confirma a solidez de sua objeção. E diante do etnocentrismo no meio do qual foi posto o homem, podemos nos juntar à Igreja em uma só voz nessas preocupações.

Definimos o Liberalismo Econômico lançando mão da teoria austríaca do economista Von Mises que, em suma, afirma que qualquer agrupamento de homens e mulheres é formada por indivíduos; e que a propriedade privada é uma relação jurídica entre o indivíduo e sua posse, que tem o direito de fazer uso dela pacificamente conforme os seus desejos subjetivos, sem coerção externa. Isso implica que a divisão de trabalho, a cooperação onde os homens somam esforços para atingir um determinado fim conforme as aptidões de cada um, é logicamente um conjunto de indivíduos sem nenhuma relação necessária entre si, com exceção de seus desejos ou interesses compartilhados. De forma análoga, sendo as relações sociais resultados de ações de indivíduos motivados, a responsabilidade por cada uma delas é igualmente individual.

Diante de tudo o que expusemos, podemos afirmar que o problema do Liberalismo Econômico ou Capitalismo, é que o seu axioma fundamental é uma meia-verdade. Sim, é evidente que qualquer agrupamento de homens e mulheres é formada por indivíduos. Porém o que escapou aos economistas liberais, é que as relações entre os indivíduos não são apenas resultado de harmonização de desejos ou interesses subjetivos. Existe também o fator da necessidade. E por necessidade queremos dizer não as carências materiais que os indivíduos eventualmente identificam para si ou para os outros e buscam mitiga-la; mas, sim, uma realidade necessária que os transcendem, sendo-lhes imposta por Deus. Para dar um exemplo simples, o Capitalismo considera que uma esposa que sai de seu lar em prol de uma carreira corporativa está apenas atendendo a um desejo subjetivo seu, quando ela oferece um serviço profissional a outro indivíduo que a contrata porque os interesses egoístas de ambos se harmonizaram. Contudo, existe sobre a esposa uma realidade necessária que a transcende; isto é, seu papel primordial e divino é servir à família que formou com o seu marido. Portanto, ainda que os seus desejos subjetivos a encaminhem para um lado, sua necessidade é outra. Para o Capitalismo, dizer que há uma necessidade que pode eventualmente contradizer os desejos individuais ou deslegitimar o uso da posse, mesmo pacífico, é inescapavelmente defender a coerção. Isso faz do Capitalismo uma antítese da economia bíblica.

O erro dos economistas liberais é que eles não compreendem que a propriedade privada não é uma relação entre o indivíduo e a sua posse. Mas, sim, em função da necessidade, uma relação entre a família do indivíduo e a posse dela. A verdadeira questão é que é irrelevante se uma família é formada por indivíduos; é óbvio que ela é. O problema é que o indivíduo não é um átomo, ele não vive sozinho, não nasceu sozinho e não foi criado para viver sozinho. Ele está confinado a uma realidade necessária divinamente pré-determinada para ele sob uma família: seja como um filho em submissão aos pais; seja como um marido na posição de líder abnegado de sua família; seja como irmão zeloso de seu parente de sangue, etc. Enquanto que, no Capitalismo, a entidade econômica fundamental é o indivíduo; na economia bíblica, a entidade fundamental é a família. O indivíduo, na verdade, não tem posse; quem o tem é a família dele. E isso possui implicações profundas para o que entendemos ser os direitos de propriedade.

O indivíduo está ligado com a sua família à terra de seus antepassados. Ele não tem, biblicamente, o direito de dispor plenamente de seu bem imóvel. Ele não pode vender a sua terra, permuta-la ou dar-lhe em garantia de crédito, pois foi divinamente ordenado que sua família viva lá pela posteridade. Se, porventura, o indivíduo quiser vender, alienar, permutar ou alugar algo de sua terra, será apenas o seu usufruto em prazo determinado; pois deverá ele ou o seu herdeiro retornar a ela. Isso porque a terra pertence à sua família, isto é, ao indivíduo e aos seus herdeiros legítimos em ordem de proximidade, existentes ou potenciais, muito embora apenas um deles deve herda-la em decorrência da indivisibilidade do bem. Se alguém não sendo o herdeiro da terra, constrói algo sobre ela no decurso do usufruto, as coisas que construiu e que são indissociavelmente ligados a ela não são dele; mas da família quem verdadeiramente a possui. Tal coisa, para o Capitalismo, é um absurdo inconcebível.

Sendo assim, a divisão de trabalho não é um conjunto de relações meramente individuais. Se uma esposa oferece a um terceiro o seu serviço, naturalmente se espera que ela o faça de forma semelhante aos colonos rurais americanos: em conjunto com os demais membros de sua família, como um empreendimento do lar [i]. Isso não significa que o agrarismo é imprescindível, já que existem diversos serviços que uma família pode oferecer em um ambiente urbano. Analogamente, a responsabilidade bíblica não é meramente individual: se alguém é homicida, não bastará que se requeira a sua vida em retribuição ao crime. Porém, à posteridade dele, poderá ser imputada pelo Senhor Deus os efeitos de sua injustiça (Dt 5:9; 1Sm 12:9-12; 1Re 21:1-22; Mt 23:29-35; Mt 27:22-25) [iv].

Quando se diz que o Capitalismo é nocivo porque ele aliena as pessoas, isso não é uma murmuração precipitada e imponderada. É a mais pura realidade, pois ele atomiza as pessoas e as tira de suas relações naturais. Não é coincidência que as famílias se enfraqueceram pari passu à Revolução Industrial e ao surgimento das corporações multinacionais, bem como se separaram em movimentos migratórios em busca de empregos. Foi devido fundamentalmente à filosofia individualista, e por isso herética, de seus promotores empresariais e filosóficos.

Quando se diz que o Capitalismo resulta inexoravelmente no Socialismo do tipo nazista [iii], isso não é uma calúnia hipócrita de padres católicos invejosos da riqueza dos protestantes capitalistas. Muito pelo contrário, é a mais justa constatação dos fatos. Se uma nação é uma etnia parental, e o Capitalismo corrói seus os laços naturais de solidariedade pela infusão do individualismo, quem haverá de substituir o socorro da família e da Igreja? O Estado assistencialista. Mas isso é apenas um aspecto marginal desse sistema econômico, pois nele, o indivíduo podendo fazer uso pleno de seus bens, pode oferece-los em tributo pecuniário ao Estado. Assim, se há a tributação desses bens – coisa que o Capitalismo não se opõe se foi fruto de um concerto voluntário entre os proprietários e os seus governantes – e há uma maior valorização deles com o tempo, o Estado ganhará mais receitas e condições para investir no seu crescimento. Dessa feita, os direitos de propriedade tais como definidos pelos economistas liberais favorecem o crescimento do Estado em proporção à progressão da riqueza dos ativos tangíveis dos governados. Se, porém, os direitos de propriedade obedecerem ao comando divino, então não podendo o indivíduo dispo-los plenamente porque pertencem à sua família, são minoradas as opções que o Estado possui de tributar e tomar bens como garantia de pagamento. Se ainda, se implementa o conceito bíblico de ano de Jubileu, as receitas estatais cairão tão próximos a arrecadação tributária estiver desse ano e, se houverem ativos tangíveis alienados, esses serão revertidos à família em decorrência do término do usufruto. Os tributos minguarão com término das demais atividades econômicas realizadas sob o usufruto, bem como em decorrência do fluxo migratório obrigatório que o ano de jubileu implica àqueles que deixaram as suas possessões. Portanto, o conceito do jubileu oferece uma possibilidade na qual o Estado pode visivelmente se retrair e poupar gastos como quaisquer dos governados. A outra opção, oferecida pelos economistas liberais, gera uma inevitável contradição à liberdade econômica, tal que alguns, cientes dela, percebem que a única solução é a abolição do Estado. Só que, não havendo Estado [ii], não há um poder coercitivo que garanta a propriedade privada.

Assim, o fim involuntário do Capitalismo é o Socialismo estatal, a tirania perfeita, já que nela, ainda que a propriedade privada seja preservada nominalmente, como o é na economia nazista, ela existirá totalmente sob julgo do Estado. E a família, desmembrada e alienada de seus laços naturais, não poderá requerer a autoridade sobre seus filhos, pois eles também pertencem a essa Corporação.

Notas

[i]  “Verdade Absoluta” de Nancy Pearcey.

[ii] O sentido aqui utilizado é de um governo simples com poder coercitivo.

[iii] O programa esquerdista de Welfare State não possui absolutamente nenhuma ideia original em relação ao que defendia o nazismo para os alemães. As únicas diferenças entre ambos, é que os nazistas restringiam os benefícios estatais aos que eles consideravam cidadãos e levavam a segregação racial aos últimos dos extremos. “O Facismo de Esquerda” de Jonah Goldeberg.

[iv] Isso não significa, evidentemente, que nós respondemos pelos pecados de nossos pais. Todavia, assim como o homem é tanto corpo quanto alma e herdamos de nossos pais nossas características físicas; da mesma forma, herdamos das almas deles tanto as nossas tendências comportamentais pelas concupiscências que eles nutriam, como algumas de suas qualidades emotivas. Mesmo que propensos a determinados comportamentos em função de nossa herança racial – que compreende justamente essas características físicas e mentais legadas pelos nossos genitores e, por conseguinte, pelos nossos antepassados – ainda assim, as ações são nossas; somos nós que as realizamos no tempo e no espaço, independente das nossas motivações conscientes ou inconscientes.

A Megalomania Religiosa

(Origem)

No artigo sobre a Igreja Império Geração Jesus Cristo, citei que a falsa profecia pode ser, entre outras coisas, um indício de pura megalomania (e daí ser o sintoma de algo pior como a esquizofrenia). Um indicativo bíblico forte dessa característica psicológica é este trecho do livro do profeta Jeremias:

“Até quando sucederá isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, e que só profetizam do engano do seu coração?” (Jr 23:26)

Porém, geralmente, associamos a característica de megalomania com sonhos meramente seculares. É mais comum associarmos a mania de grandeza com desejos em relação ao poder temporal (como no caso do esquizofrênico John Nash), ou à carreira artística, ou à carreira profissional, ou ainda em relação a como o enfermo se vê socialmente. E esse costume acaba por escurecer as manifestações de manias de grandeza de cunho religioso.

Para que tal manifestação possa ser identificada, é imperativo entendermos que (primeiramente o óbvio) a megalomania é um sentimento que o apóstata infere a partir de um ponto de vista que lhe é peculiar, seu, não sendo, necessariamente, compartilhado por um terceiro. Esclareçamos: pode não ser de nenhuma valia para nós que uma pessoa humilde claramente inculta pregue em um púlpito para dezenas ou centenas de pessoas, embora a Bíblia proíba que ignorantes ensinem à Igreja. Porém, para esse pregador, o gesto pode lhe parecer um sinal de prestígio devido ao seu desejo pessoal de consagração perante Deus concomitante com um desejo de reverência pública pela comunidade a si mesmo.

E ademais, para identificarmos a megalomania, é necessário compreendermos a cosmovisão religiosa do apóstata. Só assim visualizaremos o fundamento de sua mania de grandeza.

Na cosmovisão pentecostal existem duas classes de crédulos: a massa dos batizados no Espírito Santo e a massa dos não-batizados. Na massa dos batizados, existe uma hierarquia de profetas, líderes eclesiásticos e obreiros cada um diferenciado entre si pelo nível de “unção” que possuem, isto é, a intensidade pela qual Deus supostamente age através de cada um. Isso explica porque há uma fantástica migração de crédulos entre as igrejas pentecostais, pois, ainda que não o admitam formalmente, agradam-se em deixar seus líderes de costume a procura de um onde Deus supostamente age com mais vigor e notabilidade.

Como a unção que procuram é advinda de um exercício constante de orações pelo “mover” do Espírito Santo e de uma constante auto-negação por uma santificação (peculiarmente entendida por eles), deduz-se que a unção em um crédulo batizado é a expressão de sua intimidade com Deus.

Daí já temos os primeiros fundamentos da megalomania religiosa desses pretensos profetas: uma vez ungidos, vêem a si mesmos como canais de ação do Onipotente. Canais cujo poder pessoal é atestado por provas de sua santificação em seus próprios procederes públicos. Curioso que a questão de um determinado símbolo ser um canal de ação do Senhor é justamente a definição de Sacramento. Assim, metaforicamente, é como se o profeta, uma vez ungido, viesse a se tornar um sacramento vivo. E como é evidente que um profeta não o é para si mesmo, mas para os seus ouvintes; e sendo supostamente um canal de poder sobrenatural, é lógico admitir que deverá receber como tal a reverência.

Se um pretenso profeta que consegue para si a atenção de milhares de pessoas e dá “provas” de sua unção à vista de todos e ainda recebe de seus seguidores uma sobeja reverência, torna-se compreensível o porquê de tantos pentecostais manifestarem dons de profecia. Um profeta para um pentecostal é o mesmo que um astronauta ou um atleta famoso para um infante. Na era do profeta Jeremias, um falso profeta costumava receber altas honrarias estatais (e isso é valiossíssimo quando a fome grassa no país e o medo da ameaça de guerra contra potências estrangeiras estrangula o espírito humano, como no caso do Israel Antigo).

Não é de se admirar que a adulação de milhares e as supostas provas de ação divina por meio do pretenso profeta o encoraje, como alguns já o tem feito, a intitular-se apóstolo, paipóstolo, etc. E como há profetisas que também possuem essa unção, é lógico que haverão pastoras, apostolisas e bispas, embora a Palavra de Deus declare que são cúmplices de Jezabel aquelas que ousem ensinar em autoridade à Igreja (1Co 14:34, Ap 2:20).

Além de ser concedido o supremo bem da aprovação de Deus, um profeta, para um pentecostal, recebe uma outra honra: ele torna-se incontestável. Pois se ele é profeta, questionar a origem supostamente divina de suas revelações e poderes é blasfemar publicamente contra o Espírito Santo que o pretenso clama habitar em si. É por isso que tem sido conveniente a alguns líderes religiosos o ensino de que um profeta não pode ser contestado, pois isso é “tocar no ungido do Senhor.” Alguns usam a história de Abraão para rogar pragas e maldições contra aqueles que se lhes opõe sob a fórmula: “maldito sejam os que se levantam contra ti.”

Receber essa suposta aprovação do Todo-Poderoso, e vê-la resultar na adulação e reverência pública de milhares; ver o crescimento de seu ministério em termos de números de adeptos e poder financeiro; e ter a consciência de que seus discursos merecem inconteste adesão é um perfeito fundamento para a mania de grandeza. Essa é uma característica comumente encontrada em grandes tiranos, com a diferença de que a autoridade deles não é religiosa, mas militar. Entretanto, o poder que tanto os tiranos quanto os líderes carismáticos possuem em influenciar e dirigir a vida privada de seus seguidores (civis ou religiosos) é igualmente abrangente.

É sob esse aspecto que a megalomania religiosa deve ser encarada. E deve-se considerar que o ambiente pentecostal não só favorece o florescimento desse tipo de sentimento, como o incentiva de tal modo que o megalômano não tem parâmetros alternativos para visualizar sua verdadeira condição. Porque esse ambiente é inerente à falsa doutrina pentecostal de contemporaneidade dos dons.

(A falsa profecia na Lei)

Nos nossos dias temos visto falsos profetas arrastarem para si milhões de pessoas. E falsas idéias nas mãos de pessoas carismáticas podem levar gerações de incontáveis famílias ao erro. E qualquer que seja o erro, ele impacta de tal forma na qualidade de vida do aprendiz que não são poucos os que são literalmente tiranizados por seus líderes gananciosos fora os danos menores que os equívocos sempre causam.

Diante de tais frutos, não é supreendente que a Bíblia prescreva a morte para quem profetiza falsamente (Dt 18:20-22). A falsa profecia é um crime de blasfêmia gravíssimo, de tal modo que é penalizado da mesma forma que os crimes de seqüestro, estupro, assassinato, etc. Um falso profeta, do ponto de vista da Lei, não é melhor que um assassino, um seqüestrador, um estuprador, etc.

É importante esclarecer um aspecto: ao nos referirmos à justiça da morte de um falso profeta, não queremos aqui advogar a justiça com as próprias mãos. Muito pelo contrário, a prescrição da morte não é um direito do cidadão privado, que se tal tomâ-lo para si estará, basicamente, declarando guerra a um governo legítimo por meio de ímpia usurpação. Porém o que dizemos é uma referência ao direito que um Estado possui de interferir na (assim entendida pelo Humanismo) liberdade religiosa de uma religião que tolera ou incentiva esse tipo de crime. O Estado possui sim o direito divino de capturar, processar e condenar tais pessoas, bem como possui o direito igualmente legítimo de combater a heresia. Porque a correta liberdade de consciência, assim entendida pelos Reformadores, é o direito do homem de cultuar a Verdade e praticar a justiça sem qualquer constrangimento. O direito de errar (propositadamente) tal defendido pelo liberalismo é um absurdo autocontraditório.

Hoje é tal o laxismo em relação à determinadas práticas religiosas e às idéias subversivas que, por fim, a verdade é praticada no Ocidente com constrangimento, enquanto que a mentira tem sido exaltada como padrão. E no Oriente a mentira tem sido doutrina religiosa oficial por milênios, enquanto a Verdade é proibida de ser proclamada. O laxismo estatal trazida pelo laicismo é a verdadeira causa de inúmeras divisões religiosas na Cristandade, bem como do sucesso das idéias subversivas em causarem uma queda moral generalizada em todo o Ocidente. De Deus não se zomba.