Arquivo da categoria: Notícias / News

Habemus Antipapam! Dominum Georgium Marium, Romanae Ecclesiae Cardinalem Bergoglio (2)

Leia o artigo anterior.

O Obama Romano

A Igreja Romana está hoje no pior dos mundos possíveis, imperada por um Papa profano como Francisco I. O então Cardeal Bergoglio, primaz da Argentina, profanou própria a Catedral de Buenos Aires com um culto talmúdico inautorizado pelo Vaticano, há poquíssimo tempo atrás. Nada menos do que a principal sucursal papal da Argentina foi profanada sob os auspícios e a participação de seu próprio bispo! Foi como se o próprio Papa celebrasse um culto cabalístico na Basílica de São Pedro. Inclusive com a presença de sacerdotisas. Foi basicamente isso o que Bergoglio fez, como se vê pelas imagens históricas abaixo:

“La Noche de los Cristales Rotos” — 12/11/2012

Liturgia de B’nai B’rith Argentina (Video 1)

“Se qualquer clérigo ou leigo entra numa sinagoga de judeus ou de hereges para orar, que seja deposto e excomungado.” (Cânon 65, Cânones Apostólicos)

(Video 2)

“Que todo bispo, presbítero ou diácono que meramente [se] reúne para orar com heréticos, seja suspenso. Mas se ele lhes tem permitido realizar um [culto] como clérigos, que seja deposto.” (Cânon 45, Cânones Apostólicos)

É possível que se digam mil e uma coisas excelentes sobre Bergoglio. Tudo indica que ele é um homem que não possui vícios ou esqueletos horrendos no armário, tais como muitos entre os papistas de batina escondem. Sem dúvida alguma, o governo argentino Kirchner era o primeiro interessado em ver desmoralizado o desafeto Bergoglio. É plausível a possibilidade de que esse governo tenha usado o aparato do Estado para invadir-lhe a privacidade. E, até onde se sabe, nada há de pessoal que difame o cardeal. Porém, nós cristãos temos que ter em mente que é inútil que um homem não seja um agressor, um pederasta, um sodomita ou um viciado, se ele é um profano. É preferível, aliás, que ele tenha qualquer um desses defeitos a ser um profano. Porque quem profana a liturgia do Senhor está profanando não apenas a si mesmo ou a sua vítima. Mas o próprio Deus Criador e a Sua Igreja nos céus e na Terra. Esse é o pecado de Francisco I e é por isso que ele é um antipapa. Porque é um excomungado de fato.


Não é permitido aos heréticos a entrada na Casa de Deus enquanto continuarem na heresia.
(Cânon 6, Sínodo de Laodicéia)

Bergoglio não é um pateta. Ele conhece muito bem a tradição da Igreja Romana da qual os cânones acima fazem parte. Ele sabe que Roma prevê a excomunhão latae setentiae para a felonia clerical deliberada. Ele é idoso e conheceu o rigor da Roma pré-Conciliar. Ele sabe que o que fez é historicamente inadmissível.


Ninguém se juntará em orações com heréticos ou cismáticos.
(Cânon 33, Sínodo de Laodicéia)

Fosse Roma uma Igreja séria, que se levasse a sério, ele estaria sumariamente excomungado. A falta de Bergoglio não importa discussão porque se trata de matéria de fato e não de interpretação. Proposituras teológicas merecem análises e reflexões profundas. Por isso é complexo o pleito dos sedevacantismo em relação às supostas heresias papais. Mas não um ato claro e público de felonia cismática.

Ele não está deposto porque a Igreja Romana está morta e governada por gente espiritualmente morta. Resta óbvio que ele jamais deveria ter sido Papa. E mesmo o papado não pode protegê-lo[1], haja vista que as suas ações de felonia são anteriores à investidura papal.


Se qualquer cristão levar óleo a um templo pagão ou a uma sinagoga judaica, ou [lá] acender velas, que seja excomungado.
(Cânon 71, Concílio de Trullo)

Um cardeal não é um Papa

O fato de outros prelados romanos agirem da mesma forma, não favorece Bergoglio. Isso mostra, aliás, o quanto Roma é uma instituição perdida. Nem mesmo o fato do Papa atuar em reuniões ecumênicas similares aos encontros blasfemos de Assis favorece Bergoglio. O Papa tem uma boa desculpa para se expor dessa forma, embora ilícita: ele é um chefe de Estado. É próprio de sua atribuição temporal se reunir com gentes de várias qualidades. E o Vaticano, ao menos é o que ele alega, tem tomado o cuidado de gerir os encontros ecumênicos de forma a não descambar em sincretismo. Atos devocionais conjuntos entre clérigos de religiões diferentes, tais como as feitas por e sob Bergoglio na Catedral de Buenos Aires, são sincretismo.


O apóstata da fé, o herege ou o cismático incorre em excomunhão latae sententiae…
(Cânon 1364, Direito Canônico)

Na ocasião do culto talmúdico, o cardeal Bergoglio não era um chefe de Estado e não estava investido de poderes diplomáticos como um núncio apostólico ou outorgado especificamente como um legado papal para esse fim. Como a liturgia foi escrita pelos talmudistas, o Vaticano decerto não deu consentimento, ou sequer conheceu o seu teor. Bergoglio era essencialmente um clérigo, ainda que um alto prelado. Ele não tem desculpas para profanar uma Catedral que não lhe pertence e nem tinha autoridade para tal. Ele é um excomungado. Ele é um antipapa por estar como um excomungado[1] durante o Conclave papal. A menos que agora, Roma admita que conhecidos satanistas batizados e sem terem provado que fizeram penitência, também estão aptos a serem eleitos papas. Neste caso, os papistas não deveriam mais chamar a si mesmos de filhos da Santíssima Virgem Mãe Maria, mas de filhos da Mãe Joana.


“Se em algum tempo acontecesse que um … eleito Pontífice Romano que antes de sua … assunção ao Pontificado, se houvesse desviado da Fé Católica, ou houvesse caído em heresia, ou incorrido em cisma, ou o houvesse suscitado ou cometido, a promoção ou a assunção, … é nula, inválida e sem nenhum efeito; e de nenhum modo pode considerar-se que tal assunção tenha adquirido validez…”
(Bula Cum Ex Apostolatus Officio)

O ecumenismo de um lado só

É curioso o ecumenismo que se exige dos cristãos. Basicamente devemos nós cristãos nos render aos deuses e às fantasias dos outros, e os demais nada precisam dar ou apresentar em troca. É o ecumenismo de um lado só.

Na liturgia autorizada por Bergoglio não há uma só, UMA SÓ, menção ao nome de Cristo. Isso numa pretensa liturgia a ser cantada por pretensos cristãos num lugar pretensamente cristão. Naturalmente tal atitude hostil e ofensiva é esperado de certas pessoas, tais as que compuseram a liturgia, que nutrem um bem conhecido ódio atávico a tudo o que os cristãos representam. Por razões reais ou patologicamente fantasiosas. A psicopatologia deles é tamanha que não conseguem sequer deixar que os cristãos pronunciem o nome de seu próprio Deus num lugar cristão. Essas pessoas ao menos poderiam ter um pouquinho de senso de decência de agir como os satanistas entre eles, e fazer o favor de exibir o seu desprezo burlesco em outro lugar. Que chamassem os cristãos que fossem idiotas e sem amor próprio o bastante para acompanhá-los. Que levassem o próprio Bergoglio junto, já que ele mostrou que é disso o que ele gosta. Mas que não fizessem tamanho carnaval numa Catedral cristã e romana consagrada!

Bergoglio é da laia de João Paulo II, um outro réprobo que acredita que os cristãos são os únicos miseráveis e infelizes do mundo a possuir o dever moral de mostrar humildade pelo vilipêndio da própria fé. Se Cristo é crucificado de novo, tudo bem! Contanto que isso garanta que Francisco I receba a alcunha post mortem de “O Grande” pela boca de alguns ridículos, tal como feito a João Paulo II. E, claro, o mais importante: desde que Francisco I seja diariamente bajulado em vida, tal como feito aos fariseus com a sua falsa humildade. O que importa é felicidade materialista, inclusive a dos deicidas.

Enquanto os muçulmanos mostram o (iludido) amor próprio pela sua (falsa) fé, ao combaterem os crimes de blasfêmia em seus países, e os vândalos sionistas fazem o mesmo em Israel, os cristãos néscios sob a inspiração do bandido Wojtila, abrem as próprias basílicas e igrejas para serem pisotedas por pessoas cujos ancestrais (ideológicos ou étnicos) queriam escravizar e converter a Europa a uma fé estranha. É incrível a hipocrisia desses cristãos ecumenistas e efeminados! Falam tanto de amor ao próximo, mas sequer concebem o dever de amar e honrar esses mesmos europeus cristãos que tombaram em sangue por uma geração futura e corrupta que não merece o pão que come!

Mas enfim: a honra é para quem tem alguma noção de honra e um resto de amor e senso de dignidade própria.

Eu não sou papista, então, obviamente, não penso que tudo no romanismo merece ser preservado. Certamente não acho que o Papa deveria ser carregado nos ombros como um Buda ou um Sultão como se fazia no passado. Mas sei reconhecer a humildade farasaica quando vejo um fariseu gesticulando simplicidades inadequadas, em horas e lugares impróprios, e para pessoas indignas. Wojtila e Bergoglio dão generosos exemplos de falsa humildade, que desonra a Cristo e que resulta em auto-adulação. Resta saber se Bergoglio encarnará o fariseu para profanar a Basílica de São Pedro tal como ele profanou a Catedral de Buenos Aires. Tudo indica que ele fará isso. Se isso acontecer, ele terá dado um passo que nem mesmo Wojtila teve coragem de dar.

Nada que se tem seguido ao virtual golpe de Estado contra Bento XVI, e aos antecedentes de Bergoglio, indica, do ponto de vista do romanismo conservador, que o reinado de Francisco I será diferente de uma violência sexual: curto, doloroso e incurável. Tanto pior se ele convocar um Concílio Vaticano III.

No dia em que o Encontro Ecumênico de Assis for transferido para o Vaticano, e eu tenho certeza que há néscios e malucos curiais o bastante em Roma para que isso seja feito, então que o último a sair do romanismo faça o favor de apagar a luz.

Notas

  1. Obviamente, há um escape que os papistas criaram para os textos condenatórios que eles próprios assumiram contra si. Isso é muito próprio do romanismo, que possui uma língua fendida para todas as suas contradições.

    A racionalização que eles elaboraram — como sempre ad hoc, séculos depois de percebido o impasse — para escapar da inevitável possibilidade de um usurpador pretenso a Papa, é fazer uma distinção sutil entre um direito “divino” e um outro “eclesiástico”. Apenas as punições resultantes do direito “divino” impugnariam a ascensão de um candidato excomungado ao papado. Quanto às eclesiásticas, o candidato é imune. Ou seja, comicamente, o papado é o único cargo eclesiástico, embora o mais importante da Igreja Romana, que pode ser assumido irretratavelmente por um excomungado espertalhão. É óbvio que isso é uma asneira sem sentindo, projetada para fazer de zumbis os romanistas em relação a Roma! Mas esse é o romanismo, persistindo na tradição anatematizada dos fariseus de fazer a Lei de Deus sem efeito em prol do poder mesquinho. A essa obstinação deliberada, eles a chamam de “desenvolvimento doutrinal”.

Anúncios

Habemus Antipapam! Dominum Georgium Marium, Romanae Ecclesiae Cardinalem Bergoglio (1)

Leia o artigo anterior.

O novo degrau descido pela Igreja Romana

Se havia — e não havia — qualquer resto de dúvida sobre a completa falta de sucessão apostólica por parte da Igreja Romana, agora não há mais. Pelos seus próprios padrões, a Igreja Romana acaba de entronizar um antipapa de fato e de direito na Basílica de São Pedro: Francisco I.

Na história da Igreja, as renúncias papais se deram num contexto de profunda desonra ou para a Igreja Romana ou para o Papa demissionário. Não podia ser diferente com o Papa Bento XVI, agora emérito. E não foi e não é diferente. A eleição de Francisco I foi a eleição de um partido ideologicamente inimigo do Papa Bento XVI. Esse partido foi derrotado no Conclave papal de 2005 e representa uma linha pós-Conciliar que estava em vias de ser inviabilizada pelo conservadorismo de Bento XVI, fosse o Papa mais jovem, menos polido, e mais determinado. Os derrotados no Conclave de 2005 viraram a mesa e assumiram a cátedra de Roma. Aos olhos de Bento XVI.

Evidentemente, para maquiar esse fato, a desculpa oficiosa da renúncia papal dada pelo Vaticano é verosímil. O Papa Bento XVI é um homem idoso, sobrecarregado e cansado. Normalmente um idoso nas condições deles quereria — e merece — descansar. Superficialmente falando, parece um evento trivial. Mas em dois mil anos de Sé Romana, Bento XVI não foi o primeiro Papa idoso a ocupar a cátedra. Nem mesmo o primeiro em mais de duzentos e cinquenta Papas a ter uma saúde frágil e um ânimo desgastado. Portanto, nesse angu há muitos caroços. E um caroço chocante e revelador foi o Papa Francisco I. Não pelos (de)méritos dele propriamente, porque o Cardeal Bergoglio nem vivia na Cúria. Ele é um ponta-de-lança, se consciente disso ou não, é uma outra história. Mas porque o surgimento de Francisco I revela os estratagemas dos curiais que o puseram lá.

Nada do que aconteceu até aqui foi mera coincidência. Bento XVI foi efetivamente defenestrado por gente insatisfeita pelo magistério dele. Havia até mesmo uma ameaça de morte não tão velada contra o Papa por parte de supostos membros da Cúria. Se ela era fantasiosa ou não, é irrelevante. Primeiro porque se trata de um crime. E segundo porque, de qualquer forma, ela revela o estado de ânimo da hierarquia da Igreja para com o seu próprio Papa.

O jogo de cadeiras no Vaticano

A gota d’água da guerra civil curial foi o escândalo do Vatileaks. O Vatileaks é um escândalo onde reside por detrás uma suposta chantagem ou contra o Papa Bento XVI ou contra os seus colaboradores de confiança ou contra ambos. Ela supostamente se deu assim: a Cúria romana estabeleceu um mecanismo pelo qual ela podia controlar a nomeação de clérigos liberais, de tipos como o Papa Francisco I. O mecanismo envolvia uma complexa engrenagem diplomática capitaneada pela Secretaria de Estado do Vaticano e pelos núncios apostólicos espalhados pelo mundo. O Papa Bento XVI quis bloquear essa engrenagem pela nomeação de seu homem de confiança e colega de Santo Ofício, o Cardeal Tarcísio Bertone.

Porém, Bertone não é um homem impoluto. Aparentemente, ele tem bloqueado os esforços de cardeais voluntariosos para moralizar o Banco do Vaticano. O Banco, considerado mundialmente como de péssima reputação em termos de controle de lavagem de dinheiro, encontra-se em mãos da facção conservadora da Igreja Romana. Justamente a facção que suporta o Papa Bento XVI. Daí a suposta chantagem: se os curiais progressistas não podem controlar as nomeações episcopais e tiverem ameaçadas as conquistas ecumênicas, eles não deixarão que os conservadores prosperem. A começar por impedi-los de tirar proveito, impunes, da usura vaticana.

A situação pode ser mais complexa do que parece à primeira vista, porque não se trata apenas de levar o governo de Bento XVI ao impasse. O problema é a possibilidade dos familiares ou dos amigos íntimos de Bento XVI estarem envolvidos com as supostas tramóias com o Banco, o que motivaria tamanha leniência contrária aos padrões bancários internacionais. E, obviamente, a renúncia do Papa. Em todo caso, comicamente, apenas o mordomo dedo-duro foi processado nas investigações do Vatileaks sem maiores consequências às facções em guerra no Vaticano.

E ainda há a questão da pederastia romana. A carreira eclesiástica de Bento XVI foi crítica para a Igreja Romana pelos cargos sensíveis que ele ocupou. Sendo a carreira dele difamada por sua suposta leniência no combate à pederastia clerical de um lado, e por sua suposta leniência no combate ao escândalos financeiros do outro, o resultado global é a imagem de uma Igreja Romana tão decadente quanto a de Rodrigo Bórgia. Em pleno século XXI. Nesse contexto, não é incompreensível que o Papa tenha renunciado. Além de seu magistério ter sido levado ao brejo pela sua própria Cúria, é desconhecido o número de bandidos pederastas que escaparam das mãos dele. O Papa de fato se pôs numa situação muito vulnerável.

A questão da suspeita de leniência em casos sexuais é muito delicada. Mesmo Marcial Maciel, o bandido pederasta de batina mais famoso do mundo, só foi “punido” por Bento XVI — oh, quão difícil e terrível jugo! — a uma vida contemplativa. As conclusões da investigação vaticana foram convenientemente publicadas num momento em que sequer Maciel poderia ser processado. E, mesmo se pudesse, o Vaticano, sem pena de morte, não serve para nada.

Essas coisas confirmam o conhecido adágio macabro que pesa sobre a Igreja Romana: “ele só não cometeu o pecado de se casar”. Se um padre agir como um pederasta e como um tarado, é bem possível que ele escape ou que seja protegido por um bando de chicaneiros abutres. E quanto aos cúmplices dos pederastas, o máximo que costuma a acontecer é uma transferência-promoção. No entanto, se um padre cometer o crime de ser homem, de agir como um homem, e se casar, será automaticamente banido do sacerdócio! Sem misericórdia ou parola! E se algum papista desavisado se atrever a sugerir (!) que um padre pederasta de alguma forma não recebeu o dom celibatário que pediu a Deus, já está dogmaticamente anatematizado!

É realmente necessário nos questionarmos o porquê do Cristianismo Ocidental ter uma tendência irresistível a ser efeminado?

O punhal se afunda nas costas do Papa

Bento XVI caiu. Mas não sem mandar recados. Ele resmungou timidamente contra a porfia clerical em suas últimas audiências, sem dar nomes aos bois. Tal como esperado de um homem que reside num ambiente religioso efeminado e acovardado. O murmúrio papal foi ignorado. Na verdade, o Papa foi publicamente zombado e humilhado.

No momento que em o novo Papa se apresenta pela primeira vez ao povo a partir do Palácio Apostólico, é costume que ele homenageie o seu antecessor estendendo um tapete com o brasão do Papa anterior na sacada do apartamento papal. O Papa Francisco I, pela primeira vez em nossa era, foi apresentado com um tapete em branco. E não é só isso. Ele foi apresentado com os cardeais integrantes da facção inimiga dos conservadores: Hummes e Tauran. Francisco I também foi apresentado ao lado de Agostino Vallini, o que é interessante, pois esse cardeal de facção conservadora é claudicante. Vallini já foi contra a Missa Gregoriana, quis a excomunhão da Fraternidade São Pio X, mas nutre uma relação razoável e de confiança com Bento XVI. Ele aparenta ser um purpurado bastante maleável às ocasiões. Fosse ele um político brasileiro, ele bem poderia pertencer aos quadros do insosso PMDB.

Em síntese, a facção progressista da Igreja Romana desfrutou discretamente da sua vingança, temperando-a com ironias finas e imperceptíveis ao populacho. Como se ela sussurrasse ao episcopado conservador: “seja a sua memória apagada da face da Terra”.

O fato é que a ameaça de “morte” ao Papa Bento XVI previa um prazo de doze meses para a sua execução. Curiosamente, no exato fim do prazo, o pontificado de Ratzinger morreu. Um pouco após de ele tomar conhecimento do relatório conclusivo do Vatileaks. Ademais, a ameaça prometia que o Papa seria sucedido por um cardeal italiano da facção progressista: Angelo Sodano. Não veio Sodano ao trono papal, é verdade. No entanto, veio um outro ainda melhor para as fantasias progressistas: Bergoglio. E ao contrário do que dizem os tontos — eles o dizem porque a nossa geração perdeu a noção bíblica de cidadania jus sanguinis — Bergoglio é um legítimo italiano, filho de italianos, com um nome italiano e um legítimo europeu por raça. O Cristianismo — mesmo na versão corrupta oferecida pelo papado — foi, é, e continuará sendo um produto dos filhos de Jafé. Para o bem ou para o mal.

Contudo, Bergoglio é o Presidente Obama da Igreja Romana. É interessante pontuar, inclusive, que Obama e Bergoglio compartilham algo em comum: ocupam os respectivos cargos ilicitamente.

A era do eclipse romano

Será que Bento XVI renunciou porque o relatório apontou algum envolvimento seu? Não se sabe. Será que ele renunciou para proteger os seus chegados? Não se sabe. Será que foi porque os inimigos dele prometiam botar a boca no trombone e arruinar a reputação da Igreja Romana como um todo? Não se sabe. O fato é que os beneficiários da saída de Bento XVI são bem conhecidos, e não são exatamente simpáticos ao Papa “Emérito”. O fato é que a renúncia papal foi precedida por diversos atos clericais de felonia, desde a resistência à Missa Gregoriana ao quasi-cisma na Áustria. O Papa Francisco I está em vias de promover uma revolução a forçar o Concílio Vaticano II até as últimas consequências, no caminho quase oposto ao de Bento XVI. Os teólogos liberais estão em transe, extasiados, com a expectativa de verem reabilitados a espúria Teologia da Libertação, o Ecumenismo com os pagãos e outras aberrações. Isso só pode resultar numa coisa: cismas.

Por mais que seja dura a realidade de um sacerdote sodomita, pederasta, tarado ou usurário, o fato é que esses crimes não se comparam ao crime contra a fé. No pior dos mundos, é preferível um Rodrigo Bórgia promíscuo e assassino, embora intelectualmente ortodoxo, a um Pio X herege, mas impoluto na carne e na consciência. O crime contra a fé é o pior e o mais insidioso dos crimes. O Senhor Jesus perdoou os assassínios de São Paulo, mas ao Anti-Cristo Simão Mago, fez com que ele fosse um dos primeiros a serem lançados no Lago de Fogo. O nosso Deus Trino perdoou a violência de Davi, mas ao apóstata Acabe exterminou a ele e a descendência dele. Escolher um antipapa para moralizar a Igreja Romana, ainda que ele aja como uma versão masculina da Madre Teresa de Calcutá, não é melhor do que deixar Roma aos pés de um Papa vacilante e capenga. É por isso que os curiais progressistas, com a sua estratagema, só estão apressando a queda de Roma como um todo. O Senhor Deus ama primeiramente a Si mesmo, Ele tem uma noção muito clara de prioridade acerca do mal que Ele deve lancetar primeiro. Logo, os blasfemos são sempre os primeiros a sofrer a Sua ira direta.

A Fuga do Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI renunciou por motivo de saúde. A princípio, a atitude dele foi celebrada e apresentada como um modelo de humildade e piedade. Pouquíssimas pessoas, e isso mostra o quão alienada é a nossa geração, viram a renúncia do Papa com preocupação. Ou pior, como um ato de fraqueza egoísta. Essas poucas pessoas tem aumentado em número desde a renúncia do Papa. Entre elas, já estão inclusos alguns purpurados da Cúria Romana. Mas elas ainda são a minoria.

A alienação é notável, porque não ocorreu às pessoas que celebram a suposta piedade da renúncia do Papa, que tal evento não é normal acontecer, muito menos por algo trivial, como um problema de saúde. Nós estamos acostumados a ver essas ocorrências em governos civis porque eles encontram-se dessacralizados e subvertidos. Mas seria inconcebível a um medieval que Carlos Magno renunciasse ao seu bel-prazer. Bem como seria ao cristão antigo se Teodósio, depois de por a Igreja no píncaro do Império Romano, renunciasse por uma simples contingência da vida, comum a todos os mortais na velhice. Foi basicamente isso que Bento XVI fez.

O sentimentalismo das pessoas as cega para o fato de que os poucos Papas que renunciaram na História, três apenas, o fizeram num contexto de profunda desonra para eles ou para a Igreja Romana. Mesmo Celestino V, o único papa que renunciou em tempos de normalidade religiosa, foi chamado de covarde em seu tempo e acabou enclausurado pelo seu sucessor depois de uma fuga vergonhosa.

Enquanto o Papa toca, a Igreja Romana dança

Considere que houveram Papas e Patriarcas mártires que não renunciaram à dignidade oficial nem sob tortura, nem sob a mira das armas. E Bento XVI renunciou apenas porque se sentia mal ou ao menos é isso que o Vaticano quer as nações acreditem. Diante dessa realidade surreal, é muito transparente o porquê de Celestino ter sido difamado. É muito transparente, diante da honra que o papado representaria se não estivesse desligado pelo Grande Cisma, o quão macabra é a cena Papa abandonar o Palácio Apostólico para tocar piano no seu retiro em Castel Gandolfo. Bento XVI, consciente disso ou não, estava alegremente tocando e vituperando sobre a cova dos fiéis que morreram exercendo o episcopado. Especialmente sobre a cova dos bispos mártires. O único atenuante dessa bizarria é o fato da Igreja Romana estar sem sucessão apostólica legítima ao menos desde a ascensão do primeiro Papa simoníaco: Rodrigo Bórgia.

A razão da bizarria é simples: embora o governo papal contenha liberdades e direitos ilícitos do ponto de vista da Tradição da Igreja, um dos direitos papais é a renúncia, não se espera que ele renuncie. O papado, e qualquer outro governo, tem a sua autoridade vinda do próprio Senhor. Ele não é um emprego normal. O Papa não é um simples estagiário ou um empregado doméstico, embora hipocritamente se chame de “Servus Servorum Dei” ao lado de seus atributos papais de vice-Deus. Como tal, ele não pode (ou não deveria) abandonar as suas responsabilidades apenas porque se sente frágil e cansado.

O papado importa privilégios. Privilégios importam deveres. A conduta inadequada de um líder em sua posição divinamente dada é ingratidão para com Deus. A renúncia, tecnicamente, também. Se o Papa é um servo, quem é o servo para sacudir o jugo ao qual o seu Mestre o constrangeu? Tanto pior se um governante da verdadeira Igreja desprezar a responsabilidade para o qual está sacramentado. Com que autoridade ou direito um Patriarca ortodoxo poderia desprezar o sacramento episcopal que recebeu de Deus para o bem de Sua Igreja? Se um Papa tem privilégios oficiais, ele deve ter uma conduta compatível com o seu dever moral: morrer no cargo. É por isso que os Papas não costumam renunciar. Eles sabem que esses deveres e privilégios são consequências próprias da sacralidade do cargo o qual, por conseguinte, não existe para a pessoa do Papa, mas para a Instituição. Bento XVI, seja qual for o motivo de sua renúncia, desonrou a Igreja Romana.

A mensagem que o Papa Bento XVI deu ao mundo religiosamente iletrado, é que o Papado é um governo tão sacro quanto o presbiterato rotativo da Igreja Presbiteriana. Daqui por diante, os próximos Papas serão pressionados a dar uma prova de sua piedade no exemplo de Bento XVI.

Rumores tenebrosos em Roma

A renúncia de Bento XVI é muito estranha. Até demais. O fato é que ela veio na esteira do escândalo do Vatileaks. Segundo rumores, a Comissão de investigação do escândalo acabou por descobrir uma rede pederasta operacional no Vaticano. Bento XVI teria renunciado para abrir caminho a um sucessor jovem cujo papado longevo venha a cortar esse mal pela raiz.

Isso dá mais luz à atitude do Papa, caso seja verdade. Contudo, a suposta estratagema de Bento XVI mesmo assim não justificaria a renúncia papal. O Papa é um monarca absolutista e o Vaticano é um Estado soberano. Na hipótese dessa rede de corrupção existir, cabe ao Papa e aos seus auxiliares de confiança, compartilhar essas informações com os outros governos. E que os governos dêem encaminhamento penal aos criminosos de batina em seus respectivos países! Quando os governos não atuarem ou quando os criminosos estiverem dentro do território papal, cabe ao Papa fazer gestões para trazer os criminosos a si e julgá-los com toda a severidade que a Doutrina exige. Inclusive com a eventual aplicação de pena capital.

Se o Papa limita-se a chorar e a pedir desculpas às vítimas da pederastia clerical, sem fazer mais nada, apesar do poder teórico que ele dispõe, então o Vaticano não serve para nada. Na sua omissão (criminosa se o rumor é verdadeiro) e sem uma sucessão apostólica legítima, quando menos, o Vaticano torna-se apenas um circo grotesco. E quando muito, ele torna-se um empreendimento internacional de usura ilícita, deficitário e inidôneo para qualquer padrão europeu. Em ambos os casos, a Igreja Romana jamais deveria ter um poder temporal se a espada do Papa é feita de borracha. Quem brinca de espadas ou de poder temporal, são as crianças e não os governos. A Igreja Romana deveria se levar mais a sério se ela deseja ser reputada como séria.

O Vaticano, tal como se encontra, só serve para dar imunidade judicial ao Papa. O resto dos papistas fica a ver navios.

Remendo novo em roupa rota

Alguns histéricos entre os papistas vêem o rumor e a renúncia de Bento XVI como um sinal dos tempos e como uma confirmação das profecias de tipos como os fatimidas. Pura bobagem. A única coisa que o rumor confirmaria, se ele é verdadeiro, é o padrão histórico da existência contínua de uma banda clerical podre na Igreja Romana. Não há nada novo debaixo do sol romano. O papismo sempre foi notório por conviver com um núcleo de tarados e ladrões no seu seio. O simonismo das indulgências papais foi uma das causas célebres da Reforma Protestante. E os vícios sexuais da Cúria são uma constante na Idade Média.

A incrível ingenuidade dos papistas nos frutos colaterais do celibato chega a comover. Muitos deles sinceramente não sabem porque é estúpida a idéia de enfurnar num local fechado um monte de homens solteiros de várias idades, constrangendo-os, ademais, a períodos obrigatórios de introspecção (ócio, neste caso). E tampouco são capazes de saber o porquê das prisões americanas, sem visitas íntimas e com longos períodos de ócio, estarem infestadas de sodomia. É claro que há uma correlação: se o objetivo de uma instituição é internar os seus homens num local fechado de modo que eles não forniquem, mas fiquem introspectivos, então eles devem ser castrados. É necessário padecer de muita idiotia para crer que só porque alguém atravessou uma porta de mosteiro ou de prisão, magicamente deixou de ter genitália. Tal ingênuo realmente acredita que se você tirar o alimento diário de um homem, ele não sentirá fome! Ele de fato acredita que o faminto não será capaz de comer pedras em desespero! Não é essa uma crença estulta?

Os evangélicos são tão estúpidos quanto os papistas, quando ensinam aos seus jovens a esperarem per se o casamento para o coito, ao invés de os prepararem de forma ostensiva para que se casem o mais cedo possível e assumam bem as responsabilidades familiares.

Para essas coisas, a réplica manjada do papismo é o fato do celibato (real, próprio da pessoa, e não meramente auto-imposto) ser um dom celestial. Os papistas só se esquecem que o celibato é um dom obviamente extraordinário, caso contrário a humanidade se extinguiria. Ele decisivamente não é próprio para ser utilizado em larga escala por todo o clero. A tara pederasta no romanismo é o típico exemplo de como uma má idéia, mesmo pretensamente teológica, naufraga nas pedras da realidade. Um homem extremamente sedento é capaz de beber águas salinas na privação, ainda que isso o mate. Além do mais, o dom do celibato não implica ou presume o comportamento anti-social de se enfurnar num retiro vitalício, por mais espiritual que isso seja.

A tara sexual é comprovadamente viciante. Ela é tão ou mais forte que a heroína. Embora o celibato per se não provoque a pederastia, um pseudo-celibatário pode ser levado à sodomia pelo ambiente de privação, e da sodomia reiterada ao vício sexual, sem jamais ter dado quaisquer sinais de tendência em momentos anteriores da vida.

“Bento, o arregão”

Barbara Gancia, jornalista do horroroso panfletário “Folha de São Paulo”, cunhou a frase de efeito acima. Eu não concordo necessariamente com (todos) os motivos que ela alegou ao proclamá-la. Mas a frase é inquestionavelmente apropriada para descrever a ocasião.

A pilha de areia papal onde Roma está assentada

No entanto, essas coisas servem para mostrar a qualquer pessoa (especialmente se o rumor é verdadeiro, senão, o passado basta), tenha ela algum conhecimento teológico ou não, que há algo muito errado com Roma. Roma se separou da Igreja há vários pares de séculos. Ela selou o seu destino quando modificou o credo Niceno-Constantinopolitano, a despeito dos juramentos Papais que prometiam preservá-lo sob pena de anátema. A Igreja Romana, ao introduzir a cláusula Filioque, voluntariamente anatematizou a si mesma. Os papistas inventam mil e uma desculpas para este relapso. Mas elas são irrelevantes, já que a verdadeira questão é o juramento ao qual os Papas se vincularam perante a Igreja Católica (terrenal e celestial, representada nos Concílios Ecumênicos) e perante os habitantes do mundo inteiro (representados nos Imperadores cristãos do antigo mundo conhecido, que guarneciam e presidiam os mesmos Concílios). O Grande Cisma e os escândalos posteriores do papismo foram apenas um desenrolar necessário desse simples fato.

Se o cristão desconhecedor de Teologia deseja saber onde está a Igreja verdadeira, existe um impressionante sinal que ele pode verificar por si mesmo. Há na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, um milagre anual que atesta qual prelado porta o válido sacramento da sucessão apostólica. É o único milagre conhecido pela humanidade que tem data e local para ocorrer. Bem como é o milagre operacional mais antigo e regular em termos de continuidade. Porque relacionado à ressurreição de nosso Senhor, ele é tão antigo quanto a própria Igreja. Os ortodoxos o chamam de “Milagre do Fogo Sagrado”.

O milagre consiste na inflamação de velas portadas exclusivamente por mãos de altos prelados da Igreja Ortodoxa. E apenas da Ortodoxia. O fato ocorre durante as celebrações da Páscoa na Igreja do Santo Sepulcro, onde Cristo ressuscitou. Os outros prelados não-ortodoxos, desde armênios monofisistas aos católicos romanos, também tentaram obter a chama, mas sempre fracassaram. O fogo é inofensivo.

O milagre é desconhecido no Ocidente, e compreende-se claramente o porquê.

A resposta à queda da instituição papal não está e nunca esteve em Fátima. Sempre esteve em Jerusalém de onde os Santos Apóstolos partiram em sua saga. E nem poderia ser diferente. O mais famoso dos milagres romanistas, a aparição de Fátima, é uma fraude. É um belo conto de pesca, decerto. A realidade é que os videntes de Fátima, além de crianças iletradas, e portanto sem qualquer autoridade para ensinar à Igreja, eram meninos levados que se contradiziam uns aos outros. Jacinta dizia que a Virgem usava saias até os joelhos. Os demais, até os pés. Lúcia dizia que a Virgem aparentava ter 12 anos. Depois se desdisse. Os videntes disseram que a Grande Guerra terminaria no último dia da aparição. Terminou meses depois. No mesmo dia, alguns viram o Sol bailar. Outros, entre os presentes, apenas um simples brilho. E o resto do mundo, obviamente, nada. Um vidente via e ouvia. Um outro apenas via. Sem mencionar as fraudes documentais e a falta de fé do próprio Vaticano relativa ao evento.

O contraste com o Milagre do Fogo Sagrado é gritante: o Fogo é público, acessível, uniforme, todas as testemunhas vêem a mesma coisa, etc. Tal como os milagres de Cristo e dos Seus Apóstolos. Mas enfim…

E Moisés falou a Coré e a toda a sua congregação, dizendo: Amanhã pela manhã o SENHOR fará saber quem é seu, e quem é o santo que ele fará chegar a si; e aquele a quem escolher fará chegar a si. Fazei isto: Tomai vós incensários, Coré e todo seu grupo; e, pondo fogo neles amanhã, sobre eles deitai incenso perante o SENHOR; e será que o homem a quem o SENHOR escolher, este será o santo; (Números 16:5-7)

DEBATE: Olavo X Dugin – Impressões

Leia a postagem anterior.

DEBATE: Olavo X Dugin – 4a. Réplica do Olavo

Leia a postagem anterior.

Olavo publicou uma extensa quarta réplica a Dugin, motivo pelo qual ela não será sumarizada como de costume nas postagens anteriores.

A réplica, como já mencionado, é bastante prolífica e carregada de ironias, próprias de um estilo de retórica deliberado e consciente por parte de seu autor. Contudo, para nos utilizarmos de uma alegoria, essa réplica é como a aparência da estátua bíblica que representava o Império Romano no Livro de Daniel: imponente e feroz, mas com os pés de barro.

Quando, num debate, um debatedor concorda com o seu oponente nos termos fundamentais propostos pelo último, isso implica que o primeiro não tem, de fato, um ponto legítimo para mostrar (a estátua). Nessas condições, ele, o primeiro debatedor citado, tem a opção de concordar explicitamente com o seu oponente. Ou, para não concordar e manter a refrega, ele pode encenar um estilo de retórica que oculte esse fato (os pés de barro). A segunda opção, infelizmente, é o caso da réplica de Olavo a qual não poderia ser diferente, uma vez que nas rodadas anteriores, ele utilizou-se desta mesma retórica beligerante.

Como visto na postagem da terceira réplica de Dugin, este último rebateu o seu oponente, Olavo, por meio de dois pontos fundamentais: (a) Olavo não é uma pessoa neutra como o próprio aclama ser; e (b) a dialética de Olavo é inadequada para descrever, filosoficamente, os temas em disputa. E Olavo, na verdade, não refutou nenhum dos dois pontos. Antes, concordou com eles, embora tenha ocultado a sua confissão de concórdia na excessiva prolificidade de sua réplica.

Olavo não é neutro e o próprio o diz na sub-seção “6” de sua réplica. Porém, as diferenças destacadas por Olavo em relação à acusação de Dugin, são: (1) Olavo está engajado em favor de seus pressupostos políticos em determinado grau, já que nem tudo o que ele faz é política; (2) a suposta neutralidade de Olavo não é a simples abstenção de optar por um dos temas em disputa; mas, sim, optar por uma terceira via. Logo, Olavo possui uma visão política própria nessa refrega, o que é muito natural, afinal ele é um dos lados no debate. Porém isso conflita com a sua identificação de mero observador político nos termos em que ele atribuiu para si mesmo. Porque, considerando que o papel do observador político é o de tentar entender os pontos em disputa, seus meios, seus fins e as implicações, conforme as palavras empregadas por Olavo, o fato é que ele não tenta entendê-los. Ele já optou por uma terceira via que, embora apolítica e religiosa, existe e está em seus pensamentos. Com isso em mente, ele, naturalmente, não só expõe a sua visão no teor da réplica, como condena Dugin pela visão dele, usando-se de adjetivos claramente parciais. Por isso, Olavo refuta a sua própria pretensão de neutralidade, embora queira escapar desse fato propondo ser ela algo segundo a própria arbitrariedade dele.

Na subseção “20” de sua réplica, Olavo abarca o problema levantado por Dugin: a de que a dialética utilizada pelo primeiro é inadequada filosoficamente, porque não descreve de forma abstrata e universal os temas tratados por ele. Olavo o admite claramente, embora apresente uma justificativa fútil  para isso.

A descrição de Olavo para a sua dialética, depende da correlação entre realidade e conceito. E o conceito, por conseguinte, depende de ferramentas empíricas para a sua precisa expressão. Dugin nega que exista algo teórico a qual se possa chamar de “realidade” em termos inequívocos, abstratos e universais, ou seja, em termos filosóficos. Olavo o admite, reconhecendo que a palavra realidade, de fato, é uma construção latina. Porém, ele o faz embrenhando-se em futilidades. Pois ele, futilmente, diz que só porque a palavra não é universal, não quer dizer que o conceito não exista expresso de outra forma nas culturas que não a utilizam para compreendê-lo. Ocorre que não foi essa a objeção levantada por Dugin, por isso a futilidade. Dugin lembra que a Filosofia requer que as proposições lógicas de um sistema de idéias sejam descritos em termos filosóficos. Não que isso invalide algumas ou todas as descrições de Olavo. Na verdade, Dugin concorda com muitas delas, embora zombe de outras, classificando-as de “teorias da conspiração”. Contudo, Dugin quer dizer que Olavo, clamando ser um filósofo e autor de uma tese original de Filosofia (o seu estudo sobre os movimentos revolucionários) não pode usar termos que dependem de amplo contexto para descrever as suas idéias filosóficas.

Para piorar a sua situação, cabe lembrar que Dugin acusa Olavo de ser positivista. Olavo não só não apresentou refutação a esse ataque, como o admitiu francamente, quando diz usar o método científico para descrever as suas idéias. Ocorre que, embora seja utilizado o método científico como uma ferramenta da Filosofia, a indução não dispensa a prova por dedução lógica. Ademais, a indução é limitada a um determinado domínio, impedindo a abrangente abstração da idéia inferida. Logo, Olavo não tem o direito de dizer que suas induções são inequívocas. Por esses motivos, Olavo refutou a sua própria pretensão de ser universalmente válida a sua dialética.

Esse debate, portanto, está claramente terminado com a concórdia de Olavo a Dugin.

Outras auto-refutações de Olavo

Olavo menciona, na subseção “40”, que o Consórcio se alojou no governo americano e nos outros países ocidentais. Como visto na postagem anterior, não se pode dizer que um governo atua contra os interesses da nação, quando de jure ele a representa. Se um governo, de direito, atua em prol do globalismo, ele o faz em favor dos interesses da nação que o elegeu. Se Olavo concorda com Dugin quando o último diz que o Consórcio utiliza-se das estruturas políticas do Ocidente para os seus fins, então o primeiro não tem nenhum ponto para atenuar a responsabilidade dos EUA como um todo. Porque (a) a nação americana tornou-se responsável pela porção que cabe àquele País nos efeitos do globalismo, em função de seus direitos eleitorais; e (b) é a nação americana, e não Olavo, quem  decide por meio do voto quais são os seus interesses nacionais.

Olavo supreendentemente admitiu, na subseção “54”, coisa que ele nunca fez antes, que o Consórcio e a Revolução Bolchevique tiveram raízes judaicas. Se ele o admitiu porque acossado por Dugin, isso é um sinal de sua má-fé, embora, talvez, a sua admissão jamais venha a ser aclarada. O fato é que reconhecendo o caráter judaico das instituições que ele estuda, isso vai de encontro  a todos os teoremas filosóficos que o próprio Olavo deduz a partir do milenarismo cristão, e não do judaico como seria o correto e compatível com o entendimento daqueles que testemunharam e viveram essas coisas.

No mais, Olavo apenas divagou. Seguem-se sem respostas, contudo, as questões propostas a Dugin na postagem anterior. Inclusive, e principalmente, se Dugin está ciente do potencial risco de destruição da raça indo-européia numa futura conflagração ocidental contra a Rússia. No ponto em que Olavo acusa Dugin de relativizar o genocídio sino-soviético, ele de fato trouxe uma questão que é preocupante e merece maiores esclarecimentos por parte deste último.

DEBATE: Olavo X Dugin – 3a. Réplica do Dugin

Leia o post anterior.

Dugin acaba de publicar a sua terceira réplica a Olavo. Segue um rápido resumo:

Resumo da réplica

a. Dugin lamenta os ataques histriônicos e generalizados de Olavo. Ele esperava um debate civilizado e de enriquecimento intelectual mútuo; ele surpreendentemente não o encontrou e, por isso, considera vã a refrega com o seu oponente.

b. Dugin  nega que Olavo seja um observador neutro. Não existe neutralidade no reino do pensamento, afinal, todos possuem pressupostos e preconceitos pessoais. E Olavo, como um ser humano, não foge a essa regra.

c. Dugin considera absurda a ligação feita por Olavo entre o Eurasianismo e o Comunismo e a condenação peremptória desse último a ambos os movimentos políticos. Esse seria um exemplo da falsa neutralidade de seu oponente. Dugin, mesmo não sendo pessoalmente neutro, ao contrário de Olavo, ao menos não rejeita interpretações políticas alternativas com base em meros pontos de vista concretos.

d. Dugin ironiza Olavo. Tal como Olavo insinuou que Dugin é desonesto, não em sua pessoa, mas porque seu ativismo político o obriga a sê-lo; Dugin insinua que Olavo é estúpido, não em sua pessoa, mas porque o seu dualismo moral e global o obriga a sê-lo.

e. Em sua segunda réplica, Olavo havia dito que o Consórcio quer o socialismo, muito embora, claramente, o conceito de socialismo esteja em contradição lógica com os desejos deste último. Olavo havia justificado a sua afirmação contradizente, dizendo que os conceitos, como o socialismo, são apenas abstrações imprecisas da realidade. Dugin o ataca justamente neste ponto: a própria noção de realidade como coisa à parte do conceito, é algo exclusivamente latino e pós-medieval. Nem Aristóteles, do qual Olavo se diz seguidor, e nem as demais culturas não-latinas a reconhecem. Assim, elas veem as justificativas de Olavo como contradições de fato e, por isso, meras firulas.

f. Dugin afirma que as relações entre o conceito e a realidade propostas por Olavo são essencialmente positivistas e são refutadas pelo estruturalismo.

g.  Dugin afirma que Olavo odeia tudo o que ele ama. O ódio é perfeitamente legítimo; mas Dugin, ao contrário de Olavo, quando ama o seu objeto, o Leste, o ama incondicionalmente. Olavo, por outro lado, ama hipocritamente o Ocidente; pois dele, Olavo rejeita uma parte. E isso não é amor de verdade.

h. Para justificar a sua hipocrisia, Olavo procura diferenciar o Ocidente que ele ama do Ocidente que ele odeia. Por isso, segundo Dugin, Olavo direciona o seu ódio ao Consórcio. Mas, o que Olavo omite, é que o Consórcio foi concebido nos valores ocidentais, os seus fundadores foram ocidentais, ele faz uso de estruturas ocidentais, e a sua base militar e estratégica é, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Aliança Atlântica do Norte.

i. Dugin afirma que a acusação de Olavo no qual o Eurasianismo seria uma vertente do Consórcio, é uma ridícula teoria da conspiração puramente pessoal e não merece considerações.

j. O melhor do povo americano ao qual Olavo ama, os paleoconservatives, perderam o próprio país. Quem o afirma não é Dugin, mas Pat Buchanan, o maior entre eles. E essa queda não se deu por conspirações; mas, sim, pela própria natureza escapista e individualista do Cristianismo ocidental. Por isso, o Cristianismo ocidental, não é uma opção viável ao Eurasianismo, porque é ele quem conduz ao secularismo em primeiro lugar.

k. Dugin nota como é curioso que Olavo apoie Israel e o sionismo, sendo que os banqueiros judeus constituem a principal parte da conspiração do Consórcio. Porque Olavo omitiu esse fato é um mistério.

Comentários

Olavo definitivamente estorvou o debate. Desde a sua primeira intervenção, notamos que o temperamento de Olavo é assaz incivilizado e nos surpreendemos que Dugin não tenha, já em sua segunda réplica, elevado o tom na mesma proporção ou mesmo comunicado a sua desistência. E mais: pela surpresa que Dugin manifestou agora, podemos concluir que os temores de Olavo nas supostas perseguições do governo russo à sua pessoa não eram apenas infundadas. Mas delirantes, uma vez que Dugin, decerto, desconhecia previamente o caráter de seu oponente. Isso definitivamente indica que a costumeira indisposição de Olavo com os seus próprios colaboradores se deve à sua peculiar idiossincrasia e não às circunstâncias impostas pelos demais. Se os delírios originaram-se de seus trabalhos jornalísticos, se foram marcados por eles ou ambos, não nos compete julgar. Porém, definitivamente, pessoas delirantes são particularmente atraídas por idéias de controle universal por entidades ocultas, fatos que alimentam as fantasias, legítimas ou não, de suas mentes e agravam o seu estado.

As fraquezas de Olavo

Filosoficamente, Dugin refutou a dialética de Olavo, mostrando como a relações entre conceito e realidade são noções regionais e não universais. Outrossim, Dugin demonstrou como a definição que Olavo dá a um conceito é intrinsicamente empirista, algo estranho, já que o mesmo é naturalmente genérico. E por isso ela não é adequada para explicar logicamente as intenções e os objetivos do Consórcio de forma geral. Ademais, Dugin concorda com o pressuposicionalismo cristão: não há neutralidade e Olavo, definitivamente, não é uma pessoa neutra.

Como vimos, Olavo também é refutado pelos fatos. Toda a sua teoria de movimentos revolucionários é fundamentada na idéia de que eles são aplicações do milenarismo cristão. Quando, na verdade, os principais revolucionários que legaram todos esses movimentos desde o século XIX, eram em sua maior parte judeus, conscientes do milenarismo judaico. Esses dois milenarismos abrigam doutrinas, objetivos, cosmovisões e tendências raciais totalmente diferentes um do outro. Por isso, a falha de Olavo em assumir o axioma de milenarismo cristão em sua tese, compromete tudo o mais que ele deduz. Olavo não é um bom filósofo e sua mea culpa relativo à percepção incorreta do laicismo americano registrada em sua obra “O Jardim das Aflições”, acrescentada a esses erros de dedução, mostram que ele também não é um bom observador.

Como Olavo não é nem um bom filósofo e nem um bom observador, naturalmente ele não terá boa vontade para se deter em uma análise honesta do Eurasianismo. Mas o fato, é que, fundamentalmente, o Eurasianismo é um movimento nacionalista e etnocêntrico, por si só, muito diferente do Comunismo internacionalista. Tendo em vista que o Comunismo soviético foi claramente um ato de vingança das minorias étnicas contra o povo russo, no que diz respeito à Rússia, o Eurasianismo não tem o mesmo potencial soviético de lançar o governo contra a sua própria população, embora não se possa dizer o mesmo de outras raças, como a chinesa e a árabe. Ademais, os russos e o seu governo estão globalmente reconciliados com um Cristianismo Ortodoxo vibrante em seu país; e a religião tem um claro efeito pacificador nas relações institucionais de qualquer povo. Como Dugin é um cristão ortodoxo, está claro que o Eurasianismo que ele defende especificamente para a Rússia é uma expressão holística de sua fé. Nós cristãos somos naturalmente simpáticos à elevação de Cristo sobre a Rússia, e nos solidarizamos com Dugin e o seu etnocentrismo.

O problema do Eurasianismo

Evidentemente, o Eurasianismo de Dugin possui um problema fatal e notável. Ele é abrangente demais, porque se alia a vários povos distintos; é difuso demais porque esses aliados possuem, indubitavelmente, interesses conflitantes; e não é especificamente lícita, porque algumas dessas nações são tirânicas e inimigas de tudo o que é justo e bom, e não merecem apoio.

Esse é o problema do Eurasianismo. Como ele poderá conciliar os interesses imperialistas da China, dos maometanos e dos russos? É bastante notável que o Eurasianismo é um arranjo geopolítico explosivo, pois vencido o inimigo comum, o Ocidente, como harmonizarão os três os seus interesses? Ao contrário, a história mostra que tal arranjo é inviável. O ex-presidente Nixon disse a Frost que sua abertura à China, que foi desastrosa a longo prazo para os EUA, foi implorada e incentivada pelo próprio Brezhnev da URSS. As relações sino-russas estavam tão tensas que, não fosse a abertura americana para distrair os chineses, era provável que uma guerra entre a URSS e a China estourasse. Porque com um Eurasianismo triunfante isso seria diferente? E o que dizer da guerra entre a URSS e o Afeganistão islâmico? Ou entre a Rússia e a Chechênia mulçumana? Se, com um inimigo comum, a história das relações entre esses aliados é profundamente conturbada, quanto mais conturbado seria, se eles tivessem que lidar apenas uns com os outros. O Eurasianismo só faz sentido se os russos se aliassem com pessoas de sua própria raça. Contudo, é compreensível que Dugin não veja outro poder geopolítico suficientemente forte para rivalizar o colossal poderio militar do Ocidente; e por isso a sua opção. Mas, certamente, isso não prosperará a longo prazo.

Se Olavo não embargasse o debate com os seus delírios impertinentes, uma questão interessante a ser posta a Dugin é como ele justifica o apoio militar eurasiano à Coréia do Norte, tendo em vista que é ela inimiga mortal e jurada de qualquer tipo de Cristianismo, inclusive o dele? É lícito a um cristão ortodoxo apoiar aqueles que odeiam violentamente o nosso Senhor? Certamente que não.

Ademais, apesar dos pesares, não se pode negar que o Ocidente que Dugin odeia é composto por uma população européia, da mesma raça que os russos. É notável também que os discursos de Dugin  nas emissoras russas são recheados de beligerância e palavras marciais contra o Ocidente. Em caso de conflito militar, ele sabe que a maior vítima da conflagração seria a sua própria raça, ou seja, os indo-europeus do Leste e do Oeste? Por tantos motivos, um Eurasianismo amplo e beligerante não é claramente temerário?

São muitas perguntas que um debatedor qualificado e calmo poderia fazer a Dugin. Infelizmente, não é o caso neste debate.

A Angústia de Fukushima – Atualização 2

Leia o post anterior

A radiação que escapa de Fukushima para o meio ambiente ainda é baixa. Para se ter uma idéia do quanto, se habitássemos num raio de 30 km da usina durante um ano, receberíamos, em média, a mesma radiação emitida por cerca de dois exames de tomografia computadorizada. Portanto, não há perigo para a saúde humana.

Dentro das instalações das unidades da usina, porém, a radiação é altíssima, por cerca da metade da emitida por Chernobyl, cada uma. Apesar disso, o incidente de Fukushima não foi grave como Chernobyl porque no, acidente ucraniano, o material físsil explodiu e espalhou-se na área no entorno da usina. No caso de Fukushima, o material emite uma forte radiação, mas encontra-se confinado pelas instalações que sobreviveram às explosões de hidrogênio. Contudo, essas condições demandarão o desmonte de Fukushima, após os engenheiros da TEPCO lograrem o arrefecimento dos combustíveis físseis. O resfriamento, contudo, demorará meses.

A água utilizada do mar utilizada pela TEPCO para resfriar os reatores está muito contaminada por metais radioativos, a uma concentração de 1.500 vezes o permitido pelas autoridades japonesas. Parte dela vazou para o mar e a outra parte está sendo drenada em contêineres e levada para tratamento.

Ocorreu, na madrugada de hoje, um forte terremoto que cortou os sistemas de resfriamento de combustível físsil por uma hora nas unidades 1 e 3 da usina. Porém, nenhum dano foi relatado.