A Igreja Católica à Beira de um Cisma

O Sínodo Católico da Família acabou de uma forma que me surpreendeu, aprovando e clamando pela sodomia na maioria de seus votos. Ele pressagiou uma nova era na qual a Igreja Católica se transformará numa gigantesca Igreja Anglicana. Com todas as características da última: simpática à sodomia, paganizada, efeminada e esvaziada.

Eu fui surpreendido porque embora João Paulo II e Bento XVI fossem abertamente sincretistas, eles e o resto clero católico aparentavam possuir um resquício flamejante de consciência cristã. Eles discursavam e agiam com uma enorme solidez, coerência e ferocidade na defesa dos interesses das famílias. O Sínodo veio a mostrar que essa aparência era apenas um engodo imposto de cima abaixo a partir de Roma. Ficou mostrado que a maioria do clero católico é ainda mais radical à esquerda do que os seus próprios papas ecumenistas.

Para quem esteve sempre atento — não foi o meu caso — os sinais estavam em toda parte. A começar pela nossa civilização ocidental. O anglicismo sionista, o carro-chefe de nossos poderes temporais, fomenta de forma fanática a sodomia. Quando o poder temporal é tão tenaz numa causa, até mesmo uma parte do Corpo de Cristo (eu não me refiro à Igreja Católica) que é imatura e não deificada, pode cair. Foi assim com a perseguição pagã do Império Romano, com o apoio imperial à heresia ariana, com o apoio bizantino ao iconoclasmo, com a promulgação uniata dos bizantinos, com a sufocação soviética e nazista à Igreja, etc. A tendência natural de todos nós é ceder à moda vigente, especialmente se ela é uma ideologia oficial de Estado. O heroísmo é nadar contra a maré social e os heróis públicos, os santos, são sempre uma minoria da qual poucos tem o privilégio de desfrutarem de sua luz.

O Antipapa Bergoglio disse que não julga um homossexual e sempre agiu em favor do reconhecimento de uniões civis gays. Ele apenas se diz contra o matrimônio civil homossexual, porque conferiria aos gays o direito de adotar. Ele duvida que a adoção seja saudável às crianças, que não estão em posição de refletir de forma ajuizada sobre a própria educação, ainda mais sob “pais” homossexuais. De fato, o matrimônio gay já abriu uma inédita modalidade de abuso infantil: a submissão de crianças ao bombardeio desnecessário de hormônios, para perturbar o desenvolvimento biológico natural delas. Bergoglio ainda não se manifestou sobre a possibilidade de sacramentar sacerdotes gays na Igreja Católica. Mas a julgar pelos votos do Sínodo e pelas manobras bergoglianas, ele é objetivamente favorável. Bergoglio também deixou muitíssimo claro o seu absoluto desprezo pelos tradicionalistas com ofensas reiteradas e públicas. Além das perseguições corporativas promovidas por ele.

Bento XVI enfrentou uma cabala gay no Vaticano e a sua renúncia muito provavelmente se deveu ou foi influenciada por ela. A ONU detectou uma quantidade absurda de pessoas abusadas na Igreja Católica, milhares delas, por homossexuais e pedófilos com a leniência de João Paulo II e do cardeal Ratzinger. Eles tinham um poder temporal em mãos. Eles tinham o poder de determinarem que esses estupradores se denunciassem às autoridades para receberem o sacramento penitencial. Senão, eles poderiam pedir a extradição deles para que fossem julgados e condenados com pena capital ou prisão perpétua no Vaticano. Mas eles preferiram ocultá-los e tratá-los com terapia e transferências corporativas. O Antipapa Paulo VI foi provavelmente um homossexual enrustido, por isso não teria sido coincidência o agravamento do poder dessa cabala sob o seu reinado.

Enfim, esses são os sinais. Sinais de um lobby gay atuando na Igreja Católica desesperadamente tentando que a instituição legisle a favor dele. Estranho seria se o Sínodo agisse de forma diferente.

Os próximos passos de Bergoglio

Os tradicionalistas cantaram vitória porque as artimanhas pró-sodomia de Bergoglio não foram escrituradas no relatório final do Sínodo. Eles se iludiram pelo fanatismo de crerem que a Igreja Católica seria a Igreja de Cristo e que essa suposta vitória seria uma confirmação celestial. O fato é que a maioria dos bispos do Sínodo aprovaram-nas. Faltaram votos suficientes para a escrituração de trechos pró-sodomia no relatório, é verdade. Mas isso é um mero detalhe de formalismo legalista. O que importa é o isso diz sobre o estado atual do Catolicismo.

Bergoglio foi astuto o bastante para burlar a derrota formal e determinar a publicação do relatório oficial na íntegra, com os trechos pró-sodomia. Exceto que ele determinou que a quantidade de votos por cada trecho fosse impresso com o relatório, como que se dissesse o que foi e o que não foi formalmente aprovado. Com essa medida, Bergoglio quis mostrar que a maioria dos bispos está com ele. Ele quis dar um recado aos seus opositores que, nas próprias palavras dele à Guarda Suiça, estão considerando um cisma.

A verdadeira batalha não ocorreu neste Sínodo. Ela se dará no próximo em Outubro de 2015. Se Bergoglio teve a maioria dos bispos neste findado Sínodo, para o vindouro, que será maior, ele tem todas as ferramentas à disposição para garantir uma farsa legislativa que lhe agrade. Ele é o líder de uma religião autoritária (a Igreja Católica é uma monarquia absolutista). Como um autocrata, para ele é fácil tomar medidas para calar a oposição cardinalícia que se levantou contra ele no Sínodo. Ele pode liderar uma purga contra os recalcitrantes, o que ele já está providenciando. Ele pode promulgar novas regras legislativas e escolher livremente os bispos participantes do próximo Sínodo conforme os seus interesses estratégicos. Seja o que ele venha a fazer, ficou claro que ele não precisará pesar muito a mão. E ele tem um ano inteiro para implementar os seus objetivos. O Sínodo que passou foi apenas um evento preliminar, um ensaio geral, cujos números foram muito auspiciosos para Bergoglio.

Se tudo falhar, o que não pode ser descartado, Bergoglio ainda tem a opção de promulgar uma bula papal que ignore as decisões do próximo Sínodo. Ele poderia fazer isso já, se desejasse. Porém é um costume recorrente das autocracias serem referendadas por órgãos legislativos farsescos, como se o líder falasse não em nome próprio e de suas vaidades mas do povo. Esse é o instrumento de propaganda comum de várias ditaduras e ajuda a evitar motins, traições e levantes populares. No caso da Igreja Católica, mesmo o Papa Pio IX não quis arrogar a própria infalibilidade sem que um Concílio o apoiasse. Se Pio IX não escolhesse esse caminho, ele teria que lidar não apenas com uma Kulturkampf como represália mas com cisma generalizado. Uma vez que ele tenha recebido o apoio dos bispos, pôde promulgar uma bula doutrinal sobre a suposta infalibilidade da Igreja na exclusiva pessoa do papa. A funesta bula não fez outra coisa senão de uma vez para sempre abolir a autoridade dos Concílios Ecumênicos. Ela foi um outro exemplo farsesco do papado, onde um Concílio Ecumênico virtualmente aboliu-se a si próprio e a todos os demais subsequentes para bajular um autocrata.

Tudo o que Bergoglio precisa é de coragem para levar à frente os seus projetos sinistros. Cinismo ele tem de sobra, além de uma disposição rancorosa e vingativa. Que o digam os Franciscanos da Imaculada, os jesuítas argentinos e o Cardeal Raymond Burke. Bergoglio tem a imagem de pública de um avó bonachão, ingênuo, jovial e simples. É mais um engodo, exceto a simplicidade teológica. Tão simples que os seus discursos são blasfemos e terríveis a ponto de ele negar a Trindade de forma reiterada, desavergonhada e pública. Isso mostra que a malícia e a sagacidade não requerem erudição.

A obstinação dos tradicionalistas

Por erros doutrinais muito mais sutis e de difícil compreensão, o Papa Virgílio foi preso e condenado como um herege por um Concílio Ecumênico em Constantinopla. É inacreditável que os católicos ultramontanos tenham o desplante de dizerem que alguém como Bergoglio seja um pretenso sucessor do divino São Pedro, o garantidor da unidade e da ortodoxia da fé, a Rocha da Igreja, a quem se deve fiel obediência, quando eles próprios o reconhecem como um subversivo, um herege, etc. Haja hipocrisia e esquizofrenia! Quão miserável é a vida deles, que se recusam a ler os fatos com a simplicidade brutal que se apresentam.

A História tem mostrado repetidamente que a Igreja não pode estar fundada num simples pecador. Um bispo apóstata não tem a imagem de São Pedro e não pode estar na sucessão apostólica. Eles sabem disso. Eles vivem aflitos pelas travessuras de Bergoglio, o que mostra a tortura que lhes impõe a consciência. Ao invés de abraçarem a simples verdade ortodoxa, preferem ignorar os fatos e pregarem sobre um Catolicismo que não existe ou apelarem às mulheres e crianças histéricas e visionárias.

Bergoglio deveria ser julgado por um tribunal eclesiástico da Itália e ser deposto. Por causa da papolatria dos ultramontanos, isso não é possível. Contudo tal fanatismo não apagará a consciência causticante deles e um novo cisma é uma possibilidade muito real e gritante.

Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica teve alguns cismas. entre os quais o cisma sedevacantista e o cisma da FSSPX. Os católicos progressistas mais fanáticos vivem sob um cisma de facto desde o papado de João Paulo II. A novidade seria um cisma formal no colégio cardinalício, tornado possível pela revolta de certos cardeais no Sínodo. Poderá até haver uma repetição dos eventos ocorridos em Avinhão durante o reinado do Papa Urbano VI.

Está nas mãos de Bergoglio impedir que isso ocorra. Basta tão somente que ele pare de se agitar, fale pouco, apareça pouco e nada mais. As coisas se aquietarão por si só. Mas blasfemo, vaidoso e falastrão como ele é, é pouco provável que ele fique silente.

Nada disso poderia acontecer com a Santa Igreja Ortodoxa. Não porque o seu clero não possa ser tentado e efetivamente cair. De fato ele já caiu em outras ocasiões históricas, como no Concílio medieval de Florença. Mas porque a estrutura da Santa Ortodoxia é tal que ela torna possível que único bispo heróico, vocal e influente (como o divino São Marcos de Éfeso ou como o divino São Atanásio) estrague os planos de uma corporação inteira. A autoridade episcopal da Santa Ortodoxia não é vertical como na Igreja Católica dentro da qual o papa troveja como que do Monte Olimpo sobre os fiéis. A Ortodoxia é horizontal, os bispos tem a mesma autoridade e são autônomos em relação aos seus pares.

Não basta um papa sentado num Sínodo ou num Concílio Ecumênico ditar o que quer e expor as suas cartas para atingir os seus objetivos. Se fosse na Ortodoxia, ele teria que conquistar o coração de todos os bispos e padres ortodoxos ainda que já encerrado há muito o Sínodo. É por isso que jamais o Patriarcado de Constantinopla conseguiu emplacar a reforma do calendário eclesiástico da Igreja, que ele capitaneou para agradar os ocidentais, apesar de contar com um apoio aparentemente impressionante no meio do clero ortodoxo grego. Não é fácil uma novidade entrar unanimemente na consciência ortodoxa, não importa quantas salvaguardas formais e legalistas ela tenha.

Os católicos reclamam dessa característica ortodoxa como se ela fosse uma anarquia. Bobagem. A Ortodoxia é claramente coerente, a despeito dos problemas canônicos e etnocêntricos que ela própria reconhece existirem no Ocidente. Não por culpa de uma suposta característica inerente dela, mas devido às imigrações em massa forçadas pelo cataclismo comunista no Leste Europeu.

A Ortodoxia é verdadeiramente uma religião mística e não uma ideologia como a Igreja Católica. Ideologia por se prender às racionalizações de legalismos jurídicos e da escolástica. A coerência da Ortodoxia é um mistério de sinergia entre os bispos e Deus. Ela não tem a necessidade de racionalizar por qual processo sistêmico tal e qual dogma é aceito. O dogma é ensinado pela Tradição e aceito através da Providência, no convencimento e na deificação sacramental e ascética dos cristãos. Ponto.

As consequências futuras das ações de Bergoglio

Se Bergoglio for adiante com os seus planos pró-sodomia, é fácil prever os eventos que se seguirão. A secularização católica provocada pelo Concílio Vaticano II e o Protestantismo são espelhos perfeitos do que ocorrerá. Onde existe a resistência católica à criminalização da oposição à sodomia, ela colapsará, tal como ocorrido no colapso da liturgia tradicional latina. A velocidade do colapso deve variar em cada região católica do mundo, mas acontecerá tão rápido quanto em uma geração seguinte de católicos, graças a já incessante propaganda midiática. Religiões não-católicas sentir-se-ão mais pressionadas no Ocidente e cederão ao ativismo gay, como consequência da defecção católica. Elas em geral aceitarão a criminalização de expressões e idéias que lhes são caras. Paralelamente, em busca do sagrado, os católicos afluirão em massa à FSSPX e similares ou à Ortodoxia. Mas serão reputados como grupos marginais (exóticos, fora do mainstream). Idem para os anglicanos mais conservadores. Eles deixarão de ver Roma como uma opção viável de fuga à secularização.

Alguns poucos cardeais declararão a sedevacância de Roma, provocarão um cisma e considerarão se juntarem à FSSPX ou fundarem um movimento paralelo de sua própria iniciativa, mais a caráter do novus ordo ratzingeriano. A África católica se sentirá mais encorajada a usar o precedente pró-homossexual do vindouro Sínodo para tolerar mais facilmente a poligamia ou desertar para outras religiões.

A premonição de Bento XVI sobre uma Igreja Católica muito menor e sem os seus privilégios sociais, terá a sua realização, já presente, muito acelerada e não apenas na Europa. Desta vez, a minoração da Igreja Católica atingirá a África e a Ásia. A China, querendo proteger a sua população das influências eurocêntricas, quererá cortar mais radicalmente os laços da Igreja Católica chinesa com Roma.

É possível que Bergoglio ou o seu sucessor tenha o seu tão sonhado status de presidir todas as religiões mundiais seriamente considerado pela ONU. (Esse é o objetivo cultural e inconsciente dos progressistas católicos, trazer todos à sola do papa, de um jeito ou de outro. Antes, pela Inquisição. Agora, pelo engano, pelo sentimentalismo e pela bajulação). Mas a idéia será descartada ou não terá valor prático, porque há o interesse irreconciliável e imperialista dos sunitas. Os sunitas ameaçarão e descorçoarão o Patriarca de Constantinopla para que ele não repita os discursos pró-sodomia dos católicos na Turquia, mas não é possível predizer se ele terá o cinismo de continuar com a nescidade do ecumenismo com Roma.

Duas ou três gerações depois, conversas teológicas no meio católico serão conduzidas para que se sacramentem sacerdotes católicos homossexuais e mulheres e para que se tolere mais a pedofilia. Esses assuntos são igualmente de interesse do lobby gay do Vaticano.

A neopaganização e o ateísmo sofrerão um impulso enorme por toda a Europa. Não importa quantas bobagens os progressistas defendam, não é fácil às pessoas ignorarem a própria consciência étnica e esquecerem do senso de sagrado. À medida que Roma se impregnar ainda mais de atitudes circenses e escandalizar os sérios, os movimentos nacionalistas europeus se sentirão mais encorajados a preferirem alternativas neopagãs ao Catolicismo, já que a Santa Ortodoxia ainda não é muito bem conhecida em nossa civilização. Se os nacionalistas tiverem sucesso em agarrarem o poder, eles implantarão o programa nazista de desarraigar a Igreja Católica do que lhe restará de influência pública. A Hungria nacionalista certamente renegará a sua fé católica.

Assim a Igreja Católica será pressionada pelo ativismo gay numa primeira fase pós-Bergoglio e pelo nacionalismo neopagão numa fase subsequente. Esse provavelmente será o ato final para o Catolicismo, quando um movimento nacionalista na Itália denunciar e terminar o Tratado de Latrão. O sal que não salga está destinado a ser pisado e desprezado pelos homens.

Todas essas coisas não são profecias minhas. Eu não profetizei que Bergoglio seria um desastre. Eu antecipei o fato com base em considerações óbvias. Se trata de ver as tendências mundiais, de se saber que ninguém muda num passe de mágica (como os católicos ultramontanos fanaticamente acreditaram em relação a Bergoglio e a outros papas só pelo fato da eleição) e de ter perspectiva histórica. Tudo o que eu disse já está acontecendo, não se trata de eventos futuros ou de se acreditar em místicas histéricas. O que remanesce pendente, a depender de Bergoglio e de suas atitudes subsequentes ao próximo Sínodo, é a velocidade e a intensidade em que essas tendências serão concretizadas. Por serem apenas tendências, elas podem ser interrompidas ou revertidas. Mas não com homens voluntariosos como Bergoglio ou com uma Igreja circense, falsa e desatinada como a igreja conciliar.

Anúncios

Os comentários estão desativados.