Muito Além da Guerra de Gaza – Parte III

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Da desordem pública para o terror

No ano de 1930, a população judaica na Palestina alcançou 15% do total. Até meados da década de 1930, ela simplesmente dobrou. Desnecessário dizer que isso se deu de forma não-natural, através da imigração em massa. É claro que essa situação tornar-se-ia explosiva, uma vez que a Grã-Bretanha, responsável por tudo isso, estava cega e obstinada em prosseguir com a fantasia sionista — apesar de reiteradamente admoestada dos riscos por seguidas Comissões de Inquérito.

Do vandalismo, os árabes passaram para a resistência ativa e armada contra os britânicos. O resultado é elementar: o terror começou. A Grã-Bretanha respondeu à revolta árabe da mesma forma que aos bôeres: com punições coletivas, campos de concentração, destruição de propriedade civil, torturas e massacres. Mas, o mais significativo: ela armou e treinou milícias judaicas que logo usariam o aprendizado e o equipamento recebido, tanto para aterrorizar os árabes, quanto para se voltar contra os próprios britânicos. Além do mais, ela colocou os sionistas em posições importantes nos órgãos de inteligência britânica para a Palestina. Enquanto isso, os árabes foram desarmados, sob ameaça de pena de morte.

Francamente, como nós brasileiros agiríamos se nos deparássemos com um repentino movimento de imigração irrestrita dos argentinos? De tal forma que eles construíssem no nosso país, para fins segregação étnica: escolas, igrejas, meios de comunicação, etc.? E se desses locais eles clamassem, sem nenhum segredo e constrangimento, os seus planos? Como reagiríamos se os argentinos atuassem aberta e ferrenhamente para tomar Brasília a fim de nos governar? E se eles prometessem chamar todos os argentinos do mundo para morar no Brasil? E se os argentinos, diante de tudo isso, começassem a execrar os símbolos nacionais publicamente? Nós brasileiros ficaríamos calados? Abaixaríamos a cabeça e nos prepararíamos para recolher as nossas bandeiras? Nós nos esconderíamos em nossas casas como covardes? Ou, por amor próprio, nos revoltaríamos? Como então podemos nós recriminar os árabes por atos que nós mesmos realizaríamos se estivéssemos na mesma situação?

É curioso como todos nós torcemos pelos heróis da Terra em filmes de invasão alienígena, como em “Independence Day” ou em “A Batalha de Los Angeles”. Mas quando algo sutilmente similar ocorre na realidade, especialmente na Palestina, cerramos os nossos olhos e entendimento, e permitimos que certos dissimulados nos aterrorizem com acusações néscias. Em nossa timidez, deixamos que as nossas mentes invertam as coisas. De um lado, a verdadeira vítima: invadida, mal-nutrida, armada com manufaturas ineficientes, em penúria e constantemente provocada e pilhada. Do outro, o agressor: estrangeiro, enriquecido por várias nações e especialmente pela mais poderosa do mundo, recentemente chegado, treinado pelo maior Império da história, armado até os dentes e desleal em combate. Somente com uma consciência profundamente cauterizada que não se percebe a desproporcionalidade do conflito. E, mesmo assim, ainda há quem inverta a relação entre os lados em disputa.

No entanto, os ventos mudaram. A Grã-Bretanha estava às portas da Segunda Guerra Mundial no final dos anos 1930 e, ao contrário do enfrentamento à minúscula população bôer, ela não podia se dar ao luxo de continuar combatendo os árabes. Ela teve que cair em si e por termo à fantasia sionista. Previsivelmente, os sionistas não engoliram bem a idéia. Como hipócritas que são, até lutaram ao lado da Grã-Bretanha, com a exceção do Lehi, porque, afinal, se tratava de Hitler e dos nazistas. Mas, terminada a guerra, o punhal sionista trespassou cinicamente as costas britânicas. Merecidamente. O que se planta, se colhe.

A Bretanha terminou a guerra cansada de lutar e até mesmo de manter o próprio Império. Ao ser enfrentada pelos sionistas, quis abandonar a Palestina e não perseguiu os judeus com a mesma fúria que apresentou aos árabes. Talvez porque tinha esperanças no bom senso do antigo “aliado”, não se sabe. Contudo, era o tempo de acerto de contas e os britânicos não podiam mais contar com a ajuda palestina para conter a peçonha sionista. Os árabes haviam sido desarmados e trucidados sem piedade pela Bretanha. Assim, ela conheceu na pele a desumanidade que os sionistas eram capazes de praticar com os próprios judeus.

Então, a ONU resolveu pela partilha, a Bretanha foi embora e o terror sionista pôs em êxodo um total de 80% da população palestina. Os sionistas usaram todas as técnicas de guerra ilegal que aprenderam dos britânicos. Os países árabes vizinhos sob a régia colonial, com a exceção da mui injustiçada Jordânia, não foram eficazes em ajudar os seus irmãos. Da população expulsa, outros 80%, da minoria cristã, seguiu o mesmo destino de seus irmãos raciais.

Na Guerra dos Seis Dias, o regime genocida de Tel Aviv provocou um novo êxodo de palestinos, cristãos incluídos. A sanha de Israel por lebensraum só encontrou um fim intransponível na Guerra do Yum Kippour. Desde a vinda do regime, o Cristianismo no Oriente Médio sofre um persistente declínio demográfico em números percentuais. Sem mencionar os efeitos colaterais da presença israelense: o recrudescimento da raiva islâmica — com razão! — e os seus resultados persecutórios sobre os cristãos, uma vez que devido à deletéria influência sionista e ocidental, eles são identificados como inimigos. E não como vítimas da mesma corrupção.

Esse é o “milagre” vil do retorno dos judeus à Terra Santa que os fanáticos cristãos sionistas comemoram. Um suposto milagre cristão onde os cristãos que viviam há séculos na Palestina foram expulsos de seu país, pilhados e são agredidos até hoje. E onde os palestinos cristãos da cidade onde nasceu o nosso Divino e Eterno Senhor vivem sob uma tirania sionista de apartheid aberto e explícito. Se os cristãos sionistas não odeiam ao Senhor Jesus, isso não importa. Eles são de facto inimigos objetivos de Cristo.

O divino mistério do cativeiro britânico

A Grã-Bretanha fez os cristãos palestinos se exilarem, além de ter matado num insano fraticídio um sem-número de cristãos europeus por décadas durante a primeira metade do século passado. Ela perdeu o seu Império, a sua riqueza, a sua influência e o seu orgulho. E hoje contempla a tirania da sharia islâmica e o socialismo em sua casa. Os britânicos nativos, lentamente se tornando uma minoria em seu próprio país, agora estão aprendendo o que é ser oprimido, manipulado e colonizado por estrangeiros e por uma elite hostil e enlouquecida. Tal como fizeram com outros povos, muitos cristãos, muitos europeus, e eleitos do Senhor. Do Senhor Deus não se zomba.

Trabalhando como uma mulher da vida para o sionismo, a Bretanha destruiu as boas relações existentes há séculos entre os cristãos históricos e os mulçumanos. Além de ter possibilitado a expulsão dos judeus dos países árabes. Hoje, a política externa americana, basicamente consiste em mitigar, corrigir e administrar os erros do Império Britânico. Os Estados Unidos tiveram que lidar com o comunismo que a Bretanha tolerou e se aliou — ao invés dela destruí-lo com o apoio alemão, quando lhe foram dadas reiteradas chances. Eles também se veem em diversos atoleiros nos países árabes, dos quais foram ex-colônias britânicas. Eles se encontram escravizados por Israel e constrangidos a militar pelos seus interesses ao invés dos próprios interesses nacionais. Eles estão quase falidos pelo sistema monetário corrupto que foi concebido desde Londres, sem o necessário discernimento britânico. Eles possuem cicatrizes de guerras das quais lutaram em socorro da impulsividade britânica. Enfim, Londres, morrendo, está arrastando os EUA consigo.

Queira o Senhor Jesus, no entanto, ter misericórdia dos britânicos, dar a eles o dom do arrependimento e o seu país de volta. Porém, um Império Britânico, não mais.

Um modus operandi claro

Diante dessas tragédias históricas causadas pelo regime sionista, poder-se-ia arguir que esses fatos são parte do passado e não mais tem lugar na única “democracia” do Oriente Médio.

Ledo engano. Os documentos trazidos pela Gisha apenas revelam um aspecto limitado do modus operandi israelense que já era criminoso desde o berço. Israel sistematicamente violou os direitos humanos dos palestinos por décadas a fio. Nem a Liga das Nações e nem a ONU, responsáveis pela concepção da hidra, autorizaram a deportação forçada de palestinos ou o impedimento deles à livre circulação e ao comércio. Coisas que o regime impede. Muito menos autorizaram o bombardeamento de civis ou o uso constante de armas químicas contra os palestinos. E também não autorizaram o roubo das terras palestinas, sem nenhuma compensação monetária aos prejudicados. No máximo, elas autorizaram a partição da Palestina. E autorizaram, no sentido de que a inviolabilidade da parte palestina deveria ser respeitada, ou seja, sem assentamentos judaicos na área árabe e com o respeito às fronteiras definidas pela partilha. O regime desrespeita ambos os requisitos também, quando transfere a sua população através dos assentamentos, quando ocupa Jerusalém e quando fixa a atual fronteira política do Estado, consolidando-a unilateralmente pelo seu Muro da Vergonha.

Mas mesmo uma partilha legalmente autorizada não muda a ilicitude da coisa promulgada. Primeiro porque se trata de criar uma solução para um problema que não existia: a partilha para solucionar uma disputa de terras entre os árabes e o então inexistente e sem precedentes sionismo imigratório. E, em segundo lugar, porque a concepção legal de um lar nacional dos judeus se deu num contexto de arrogância imperial. A Europa, pré-1939, se arrogava no direito de deportar populações colonizadas, de expandir os seus territórios pelo militarismo, e de moldar as fronteiras e os Estados de quem ela subjugava. Ela própria se arrependeu de todas essas coisas e reconheceu, com profunda e incurada culpa, a ilicitude delas. A Grã-Bretanha até empreendeu duas guerras pelo direito de drogar os chineses com o ópio! É evidente que Israel foi concebido com um ânimo internacional totalmente inadequado.

No entanto, os documentos lançam luz à estratégia atual do regime para os palestinos.

Israel bombardeia os civis de Gaza e a sua infraestrutura, não porque os terroristas se escondem nos locais alvejados. Na realidade, é convenientemente impossível confirmar se este é o caso, pois a comunidade internacional envia poucos observadores neutros para verificar a situação e os depoimentos dos palestinos são automaticamente rejeitados. Os observadores que existem e os depoimentos frequentemente tomados, insistem em contar uma história completamente oposta a da propaganda do regime sionista. Israel bombardeia a infraestrutura civil, porque, terminada a guerra, ele vedará o envio de materiais de construção e de insumos para manter os palestinos sob uma terrível penura.

É importante notar que a mídia ocidental &#8212 que é controlada por judeus sionistas como admitiu ninguém menos que Robert Murdoch &#8212 nunca revela o porquê dos palestinos lançarem foguetes em um certo período. Na guerra que acaba de findar, a refrega aconteceu porque Israel atacou Gaza durante um cessar-fogo em vigor. Em seguida, bandidos da IDF mataram um palestino desarmado que aparentava ter deficiência mental. Dias após, foi a vez do assassínio do líder do Hamas, que queria firmar um acordo permanente com Israel. Depois, uma criança palestina, Khan Yunis, foi assassinada numa incursão da IDF, enquanto jogava futebol com os amigos.

Israel alega que se os terroristas se escondem entre civis, a morte de civis pela IDF não é culpa dela, mas dos terroristas. Não é essa uma desculpa fácil e conveniente que dispensa qualquer investigação criminal? E observemos que curioso: as alegações de Israel são baseadas na Convenção de Genebra. Mas não diz Israel que a Convenção de Genebra não se aplica ao caso palestino? A Convenção só se aplica quando interessa ao regime sionista? Se isso não é uma hipocrisia típica de psicopatas, eu não sei o que é. A propósito, não é curioso que Netanyahu tenha deflagrado uma operação militar justamente com a proximidade das eleições gerais?

Essas coisas mostram que a estratégia atual do regime é destruir, recuar, permitir uma mui limitada e controlada recuperação palestina, provocar, destruir, recuar, etc., ad infinitum. A premissa desse crime de guerra é a impossibilidade de se aguentar uma fadiga por tantos anos. Vencidos os palestinos pela fadiga, se espera que eles se rendam em massa, criem um Estado títere e desarmado, renunciem aos seus direitos de processar os criminosos de guerra e de requerer compensações pela terra roubada, e livrem o sionismo da bomba demográfica que os refugiados integrados a Israel representariam ao caráter judeu do Estado sionista. Esse é o plano de Israel, lógico, frio, cru e sórdido.

Para provocar os palestinos com mais sucesso, bandidos da IDF costumam atirar na população civil desarmada, crianças às vezes, para matar. Ou lançar granadas de gases neurotóxicos. Ademais, nas operações de guerra usam bombas proibidas pela lei internacional, com o objetivo de maximizar os danos e obter a tão desejada fadiga dos palestinos.

A tragédia palestina em documentário

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