Considerações Sobre a Possessão Demoníaca e o Exorcismo

Introdução

Para identificar um possesso pelo demônio, os exorcistas mais experientes estabeleceram alguns critérios simples de teste. Porquanto é muito difícil, mesmo para os especialistas, discernir se uma doença física ou mental é causada por fatores naturais ou demoníacos.

O demônio é um ser pessoal. Logo, os exorcistas assumem que perfazendo esse teste sobre o paciente, o demônio será provocado e obrigado a se revelar para ser expulso. Se o teste nada acusar, a aflição do paciente é de ordem exclusivamente natural. Caso contrário, é de ordem demoníaca, mas com eventuais danos naturais, já que a possessão e o exorcismo, por vezes, deixam seqüelas físicas e mentais ao paciente.


Exposição do Pe. Gabrielle Amorth, exorcista, sobre demonologia.

Os critérios de identificação mais usuais[1]

O demônio é um ser cheio de ódio contra a Trindade Santíssima, contra o sagrado e contra o gênero humano em particular, por razões que veremos mais a frente. Mesmo que não se compreenda detalhadamente o porquê, o exorcismo é um rito profundamente doloroso e angustiante para o demônio. Com essas informações em mãos, os exorcistas entendem que o meio mais usual de se identificar um paciente legitimamente possesso é abençoá-lo com orações e chamá-lo à devoção. Essas coisas irritam o demônio e, pelo seu ódio intenso, ele acabará por trair a si mesmo revelando-se ao exorcista.

Esse é o meio mais simples, mas ele não é o único. Os exorcistas costumam entrevistar o paciente para saber mais acerca de seu histórico. Tendo em vista que o demônio odeia o sagrado, é muito natural que ele seja mais encontrado em ambientes onde se pratica a profanação religiosa (como as missas satânicas) ou outras coisas que o nosso Senhor Deus detesta, como as invocações de espíritos, a necromancia, o paganismo, etc. Se o paciente teve contato com essas coisas, ainda que por poucos minutos, as chances de suas aflições serem de origem demoníaca são consideravelmente maiores.

Na realidade, o demônio pode até mesmo possuir infantes, caso sejam consagrados ou expostos nesses ambientes.

O demônio, por ser inimigo do gênero humano, não necessariamente se restringe a esses ambientes. Ele pode ser comparado a um ladrão que ao identificar uma vítima vulnerável a assalta, ainda que ela não tenha se exposto voluntariamente. É o caso, por exemplo de pacientes possessos em decorrência de abusos sexuais por incesto ou porque sofreram maledicências pela autoridade da boca de seus pais. Entre os raros casos legítimos de possessão, esses são ainda mais raros.

Da mesma forma que um ladrão pode ser comprado para praticar um crime, um demônio também. E não é pouco comum que os possessos o sejam em decorrência de malefícios lançados contra eles. Um malefício é um ritual por meio do qual um inimigo pessoal de alguém invoca o demônio para fazer-lhe mal. E o malefício, comprando a ação do demônio, pode trazer sofrimentos ao alvo. Muito embora, aquele que invoca o demônio para esse fim, sem sombra de dúvidas sofrerá as conseqüências, porque ninguém mexe com o oculto sem sair incólume.

São essas as causas mais comuns que dão sustentação à possessão e ajudam o possesso e as pessoas que contribuíram para o seu estado a se penitenciarem pelos seus atos maus.

Os sintomas da possessão

As doenças mentais e as possessões demoníacas muitas vezes se confundem. E em certos pacientes, ambos os suplícios convivem juntos. Por isso que num exorcismo verdadeiramente cauteloso, cônscio da fragilidade física e mental do possesso, o exorcista jamais abre mão do auxílio clínico. É comum que um exorcismo seja conduzido de maneira a permitir que o paciente seja medicado ou tratado tão logo a crise passe ou mesmo que o ritual seja interrompido se as necessidades médicas o exigirem. Ademais, o possesso, tão logo liberto, não necessariamente sai de sua tribulação sem seqüelas e não é é anormal que este procure o auxílio médico. Entretanto, há casos em que sendo a enfermidade um sintoma da possessão, o paciente saia curado, como no caso de deficiências auditivas e visuais causadas por aqueles a quem os exorcistas denominam “demônios mudos”.

Discernir entre uma patologia mental e uma possessão não é fácil. Os demônios por vezes causam alucinações, desejos sexuais obscenos, obsessões, agressividade, etc., os quais também são sintomas de psicose, parafilias e esquizofrenia. Mas os exorcistas mais experientes sabem que uma patologia mental é degenerativa. De modo que uma alucinação ou uma fantasia de um paciente comum acabará por se tornar claramente ilógica com o tempo. Isso não se verifica num possesso, conforme exemplificados pela vida de alguns hereges. Um herege, sendo possesso, é capaz de formulações teológicas muito sutis e de argumentações profundamente racionais os quais não encontram paralelos em uma patologia mental degenerativa. Sem mencionar que um possesso tem plena consciência de que suas ações são injustificáveis e destrutivas, embora não as controle. E é essa consciência plena que o diferencia de um doente mental.

Da mesma forma, uma doença física causada por uma possessão demoníaca provavelmente resistirá a um tratamento convencional, ainda que consagrado pela literatura médica. Há casos, inclusive, de possessos que foram submetidos à cirurgia, onde o cirurgião nada constatou em suas vísceras, embora os exames atestassem a necessidade da intervenção médica.

Porém, existem sintomas que tornam a possessão evidente. Os fenômenos “poltergeist”, a clarividência, o conhecimento de línguas nunca aprendidas e mesmo mortas, a alteração anormal de voz, a apresentação de força sobre-humana, a levitação, o repentino embranquecimento dos olhos, a hierofobia, etc., os quais tomados num conjunto, caracterizam claramente uma possessão demoníaca.

O exorcismo

É importante entendermos porque o demônio precisa ser revelado antes de se proceder o exorcismo. O demônio é um ser desapossado e incorpóreo, de modo que, ao possuir alguém, ele logra uma espécie de lar, além de poder usufruir do sistema sensorial do paciente. Por isso que não acreditar no demônio não só não o livra dele, como também atende à sua estratégia, já que se não se suspeita de sua presença, ele não será expulso. Não sendo ele expulso, ele seguirá usufruindo do paciente. Ademais, sendo-lhe o exorcismo doloroso, a sua principal ação de defesa será a ocultar-se, a de confundir, e a de desencorajar o exorcista e o paciente, de modo que as aflições impostas ao demônio cessem e a possessão prossiga. Por isso, ao contrário do que se pensa, o demônio prefere não se expor e falar com cautela, quando impedido de calar-se.

Porque cada demônio é um ser diferente em termos de história pessoal, maldade e poder, a resistência ao exorcismo varia de caso a caso. Todos são mais poderosos que o homem, mas alguns deles se destacam, inclusive por serem personagens históricos cujos nomes são conhecidos pela Tradição da Igreja[2]. Esses são os fatores que determinam a violência e a sobrenaturalidade do exorcismo, além da disposição pessoal do possesso, de quantos demônios habitam nele e por qual razão, etc., e, sobretudo, da soberania e dos interesses de nosso Senhor Jesus sobre o fato.

Os demônios são cruéis, tenazes e não desistem facilmente do possesso. Por esse motivo, o exorcismo é um rito litúrgico fundamentalmente imprecatório, onde o exorcista, pelo Sangue e pelo Nome de Cristo, ordena autoritariamente a saída dos demônios, ameaçando-os com castigos divinos e com uma danação eterna ainda mais severa. Embora essa realidade esteja além de nossos olhos e ouvidos, essas imprecações não são meras palavras. Elas resultam num grande sofrimento sensorial e emocional para os demônios, porquanto eles gritam, choram, blasfemam, prometem vingança, se estafam, como se efetivamente estivessem sob terríveis açoites e torturas. Apesar disso tudo, a tenacidade deles pode levar as sessões de exorcismo a se estenderem por meses ou anos. Porém, ainda que o exorcismo demore muito, é possível que o possesso leve uma vida relativamente normal, podendo ir trabalhar, estudar, etc., mesmo vindo a sofrer com algumas crises pontuais.

Durante o exorcismo é comum os demônios blasfemarem, mentirem (muitíssimo!), zombarem, ameaçarem, agirem com ira e poder, porque essas atitudes servem como distrações. Eles não procedem dessa forma apenas porque são maus e cheios de ódio a ponto de quererem que o possesso sofra gratuitamente. Mas, além da maldade, eles querem constranger, assustar ou desencorajar o exorcista, já que expulsos do possesso, eles correm o perigo de serem enviados pelo nosso Deus ao abismo, onde muito provavelmente ficarão presos até o Dia do Juízo Final após o qual Ele os lançará ao fogo. Não é tolice dizer que os demônios, embora poderosos, temem muito mais o exorcista do que o exorcista a eles. As conseqüências do exorcismo são por demais penosas para eles. E eles farão de tudo para que o rito malogre, se possível, tragicamente.

A história dos demônios[3]

Uma coisa que creio importante pontuar é que os demônios blasfemam com obscenidades sexuais diversas, seja tentando o possesso em suas crises particulares, ou às claras durante o exorcismo para perturbar o ritual. Diante disso, uma questão está posta. Se eles são incorpóreos, porque eles tentam o pecador a atitudes que resultam em sensações corporais, como se eles as conhecessem? Como eles, que não possuem corpo, sabem dessas sensações e o porquê de elas serem tentadoras à carne? A resposta é complexa e desvela a história dos demônios.

Segundo a Tradição, os Santos Anjos foram criados pela Trindade Santíssima logo no primeiro dia da Criação. No período entre o primeiro dia e o sétimo ano da Criação, ocorreu uma revolta entre os Anjos. Satanás foi o líder desse motim e com ele se sublevaram um terço de seus pares. A Tradição relata que Satanás viu que Deus amava muitíssimo o homem. Satanás reputava o homem com desprezo,a quem ele olhava como uma mera criatura inferior, feita de barro. E, apesar disso, Deus deu ao homem privilégios que os Anjos não possuem, como o governo de todas as criaturas terrenais. Os Anjos, ao contrário de nós, não foram criados para governar, mas para a louvação do Senhor. Ademais, Deus revelou aos Anjos que Ele tinha grandes planos para a deificação do homem. Isso irritou profundamente a Satanás, pois ele, sendo o maior dos Anjos e o mais glorioso entre eles, julgou que merecia um tratamento muito superior àquele que Deus dispensara ao homem. E por isso ele sacudiu o jugo do Senhor sobre si e amotinou-se para tomar o governo celestial em suas mãos.

Contudo, dois terços dos Anjos permaneceram com o Senhor. O Santo Arcanjo Miguel, convocado para tomar o lugar de Satanás, liderou a reação e expulsou todos os amotinados do céu. Desde então, Satanás e seus anjos, destituídos de uma grande parte da antiga glória celestial, passaram a habitar os ares, na atmosfera.

Desde o dia em que foram criados, os animais possuíam uma capacidade cognitiva muito avançada, sendo capazes de falar. Então, no sétimo ano da Criação, Satanás, o invejoso adversário do homem, possuiu uma serpente e ela enganou o Primeiro Casal. Como resultado, a Criação sofreu uma queda generalizada, e os animais perderam as suas antigas capacidades cognitivas e de comunicação. E, para agravar a tragédia, o Primeiro Casal não gerou filhos durante os primeiros sete anos da Criação. Se eles tivessem concebido filhos rápido, uma parte da humanidade poderia ter sido salva das conseqüências nefastas dessa queda. O primeiro filho deles só veio a nascer quarenta anos depois da Queda do homem.

Por volta de quinhentos anos depois do início da Criação, o Senhor Deus instituiu uma Comissão de duzentos Anjos com a incumbência de guiar a humanidade na construção de uma gloriosa civilização. Durante os primeiros cinco séculos da Criação, uma parte da humanidade, descendente da raça de Caim, tinha caído em violência e idolatria. A outra parte, de Sete, havia se mantido relativamente bem diante de Deus, através da segregação racial que imperava entre os cainitas e os setetitas. Então, Satanás enganou a Jared, o Patriarca (governante) dos setetitas com o fim de minar a segregação racial. Isso resultou na contaminação cainita, a idolatria e a violência, aos setetitas. Deus quis remediar a situação por meio da Comissão. Mas ela também malogrou tragicamente. Os Anjos não mantiveram-se castos e puros, como seria adequado para o ofício e à natureza que possuíam. Eles cobiçaram as filhas de Adão e materializaram-se a elas para coabitar, mesmo à força. Elas conceberam milhares de seres híbridos, metade anjos e metade homens, conhecidos como os Nefilins, sendo que alguns deles chegaram a medir cento e cinqüenta metros de altura[4]. Porque concebidos contra a natureza e em pecado, eles foram seres ferozes e escravizaram a humanidade. Quando a humanidade tornou-se incapaz de sustentar os gigantes, eles canibalizaram os homens e entraram em guerra uns contra os outros. Ademais, os Nefilins e os duzentos Anjos, acrescentando mais ignomínia à iniqüidade, também criaram quimeras entre os animais e as plantas da Terra, resultando em seres grotescos[5]. Tudo isso aconteceu quando Adão e Eva ainda estavam vivos.

Os Nefilins estavam extinguindo a humanidade por meio da miscigenação e da violência. E um dos duzentos Anjos, Azazel, talvez movido pelo remorso ou pelo prazer sádico, instruiu a humanidade a construir armas de guerra para lutar contra os seus inimigos. Desse modo, a violência se espalhou por toda a Terra.

Os mártires que padeceram nas mãos dos Nefilins, rogaram ao Santos Arcanjos Miguel, Uriel, Gabriel e Rafael para que levassem perante o Senhor a causa da sobrevivência da humanidade. Movidos de compaixão pelos mártires e de revolta pelos atos dos duzentos traidores, o grupo angélico pediu permissão a Deus para vingar a humanidade de seus destruidores. Deus concedeu-lhes o desejo, de modo que os duzentos Anjos foram presos no Abismo e os Nefilins sofreram um imenso e terrível morticínio. Mas Ele também revelou ao grupo que haveria de fazer coisas ainda maiores contra os ímpios e as quimeras que sobraram: o Dilúvio Universal. Ele instruiu os Santos Arcanjos a protegerem Noé enquanto ele construísse a Arca. E, no momento em que a embarcação foi finalizada, o Senhor colocou lá o Seu escolhido Noé, a família dele, e os casais de cada espécime de animais terrestres que sobreviveram impolutos às quimeras, i.e., apenas os animais que valiam a pena salvar.


Arqueólogos encontraram uma suposta quimera em Nevinnomyssk, Rússia.

Ao Se virar contra os Nefilins, o nosso augusto Senhor também os amaldiçoou. Ele decretou que os Nefilins, por serem da Terra, viveriam na Terra na condição de espíritos malignos — demônios — para espezinhar o homem até o fim dos tempos.

Cem anos depois do Dilúvio, quando Noé ainda estava vivo, os demônios começaram a seduzir, a fazer desviar e a matar alguns dos descendentes dele. E orando Noé para que os demônios fossem castigados — sem dúvida, o primeiro Ritual de Exorcismo da História — Deus atendeu ao rogo de Noé e os prendeu. Mas havendo Satanás argumentado em favor dos demônios, lembrando que eles também eram úteis como açoites aos inimigos de Deus, o nosso Senhor soberanamente deixou que apenas a décima parte dos demônios agisse na Terra. E o resto deles foi preso no Abismo.

Desde então os demônios “livres” tem atuado como asseclas de Satanás, sob o seu comando. Essa é a história dos demônios e a relação deles com Satanás e os anjos amotinados, conforme a Tradição.

As motivações dos inimigos de Deus se desvelam

Com o conhecimento de todo esse contexto, logo se vê o porquê dos demônios tentarem os homens à licenciosidade e à violência: porque, quando vivos, eles praticaram toda sorte de impureza sexual, inclusive a bestialidade, além do canibalismo e das guerras sem fim. É compreensível o porquê da oposição deles contra Deus: porque como bastardos e filhos de anjos eternamente condenados, eles não possuem quem lhes salve, ao contrário do homem, que possuiu um Salvador de sua raça: o nosso divino Senhor Jesus, completamente Deus e completamente homem. Ademais, eles sabem que a multidão dos pecados deles aguarda a vingança divina sem misericórdia e eterna. É compreensível o porquê de eles odiarem o gênero humano: porque foram opressores ferozes desde o início e teriam extinguido a humanidade se houvesse mais tempo. O nosso Deus preservou, salvou e elevou a humanidade, enquanto eles perderam tudo. É compreensível o porquê de eles procurarem possuir os corpos humanos: porque já tiveram um[6], além de ser mais confortável possui-los do que perambular errantes pelo mundo. É compreensível o porquê de eles temerem a Satanás: porque um Anjo, ainda que caído, é mais forte que um híbrido como eles, etc.

Da mesma forma, é compreensível o porquê de Satanás compartilhar desse ódio: porque, através de nosso vitorioso e santo Senhor Jesus, homens venceram a morte e aguardam a sua deificação, o governo e a restauração de todas as coisas. Isso é tudo o que Satanás pretendia usurpar pela violência. Por isso o coração dele encontra-se em chamas de ódio, inveja e vingança, porquanto está sempre a procurar quem lhe adore. E é compreensível o porquê de todos os inimigos incorpóreos de Deus odiarem não só a humanidade, mas em particular a nossa amantíssima Mãe, Santa, Rainha e Sempre Virgem Maria: porque muitas e muitas vezes, as mulheres foram as principais peoas do Maligno. No entanto, foi por meio de uma Mulher que veio a Salvação. E foi uma Mulher que, diante de todos os Santos Anjos, dos homens, dos demônios e dos Anjos Caídos, recebeu a honra de ser divinamente declarada a maior entre as maiores criaturas do Deus Vivo para todo o sempre. Nossa Santíssima Mãe é o fim do opróbrio feminino e é a teose de todas as mulheres eleitas.

Nos rituais de exorcismos é comum que os exorcistas invoquem a assistência de São Miguel Arcanjo, que sempre se pôs como o guardião da tocha da humanidade. E os demônios empalidecem de temor e tremor pela sua intercessão. No entanto, muito mais sofrem eles quando a mais eficaz de todos os intercessores, a Mãe de nosso Senhor, cobre o exorcista com o Seu manto de amor maternal. Por isso que no exorcismo, rogos são dirigidos à Virgem sem hesitação e sem pudor.

Conclusão

Em tese, todo cristão batizado pode exorcizar com a mesma autoridade por meio da qual pode administrar o batismo a outrem. Em tese, não é necessário ser um clérigo para isso. Na prática, porém, esse Ritual deve tanto quanto possível ser exercido apenas por pessoas especialmente preparadas e autorizadas, porquanto certos exorcismos são efetuados contra demônios e anjos poderosos e exigem do exorcista uma vida de jejuns e de devoções intensas. Uma possessão demoníaca é um incidente que pode se tornar extremamente violento. E a menos que o exorcista esteja ciente dos riscos, munido dos adequados instrumentos, e seja experimentado, o Ritual de Exorcismo não pode ser levado a cabo. Infelizmente há casos de morte tanto do exorcista quanto do possesso devido a falta dos devidos cuidados e discernimentos.

No mais, o exorcismo depende muito da renúncia do possesso acerca de seus pecados e das vulnerabilidades que ele eventualmente trouxe para si. O possesso deve ter ciência da responsabilidade que ele tem de iniciar uma vida cristã para com Deus, doutra forma, o seu tratamento não trará resultados permanentes. A possessão é, em última análise, uma tribulação espiritual que só pode ser vencida espiritualmente com os dons gratuitos de nosso Senhor. Por isso que procurar o oculto, os encantamentos e os feitiços para resolver tribulações dessa natureza só resultará no aumento do sofrimento do possesso. Não se procura um ladrão para expulsar um ladrão. E nem se apaga o fogo com querosene. Similarmente, não se terá um exorcismo eficaz, senão aquele única e sacramentalmente cristão.

Nenhum cristão tem o direito de rejeitar as fórmulas consagradas de exorcismo as quais são conhecidas e testadas há séculos. Alguns exemplos dessas fórmulas eficazes estão no Ritual Romano, sendo preferível a versão de Paulo V, no caso da Igreja Romana; e no Livro das Necessidades, no caso da Igreja Ortodoxa. No entanto, se não há nenhuma impossibilidade, somente um clérigo sacramentalmente dentro da sucessão apostólica deverá ministrá-lo com todos os cuidados devidos.

Indubitavelmente, o nosso Deus Trino merece a nossa sincera adoração, porquanto salvou a humanidade da extinção certa e iminente pelas mãos dos demônios. Louvado seja o Senhor, cuja vontade não pode jamais ser derrotada.

Notas

  1. Cf. o Tratado de Demonologia e Manual de Exorcistas do Pe. José Antônio Fortea.
  2. No Ritual de Exorcismo, seguindo a Tradição, o exorcista conjura os demônios a revelarem os seus nomes. Os demônios, que sempre procuram se ocultar e falar com cautela durante o Ritual, ao nominarem-se, dão sinais de subjugação ao exorcismo.
  3. Além dos livros canônicos, a história da civilização antediluviana é contada pelos livros: o “I de Adão e Eva”; o “I de Enoque” (versão Copta); “dos Jubileus”; e “do Justo”.
  4. As lendas dos povos são testemunhas imprecisas dessas verdades. Contudo, ainda assim, testemunhas. A Teogonia de Hesíodo onde é contada a estória dos Titãs, os quais foram derrotados na guerra contra os deuses do Olimpo, é um exemplo da má preservação dessa Tradição. No caso, os Titãs claramente representam os Nefilins. E os deuses, os Anjos que desceram dos céus (o Monte Olimpo) para guerrear em prol da humanidade em risco de extinção.

    Da mesma forma o testemunho dos povos sobre as quimeras que os duzentos Anjos criaram. Os deuses egípcios e a Esfinge são testemunhos bastante claros desses fatos.

  5. A existência de quimeras possui uma implicação importante para a Biologia. Ela explicaria o porquê de alguns animais extintos e fossilizados parecerem evoluídos de outros. O fato é que um híbrido possui características de ambas as espécies que o geraram. E presumindo erradamente que o híbrido veio acidentalmente de um processo cego de duração incalculável, realmente parece que ele é um elo perdido entre duas espécies.

    Entretanto, a existência do híbrido fossilizado também pode ser logicamente explicada tal como a Tradição a apresenta: o seu aparecimento se deu de forma súbita consequência de uma maliciosa manipulação artificial por reprodução sexual assistida. A sua existência artificial nada depõe sobre a idade da Terra ou sobre a validade da evolução natural das espécies. E por ele ter sido gerado em condições únicas e assistidas, se as mesmas não podem ser naturalmente repetidas, a evolução também não será observável com um processo natural.

    Porque Deus extinguiu as quimeras, se explica o fato paleológico de existirem seres tão estranhos e aparentemente híbridos, enquanto nada similar é encontrado hoje.

  6. Se os demônios são espíritos de seres falecidos e possuem a capacidade de se alojar em corpos vivos, em tese, os seres humanos falecidos também podem fazer o mesmo. Talvez seja por isso que alguns exorcistas, ao imprecarem contra o espírito maligno, se deparam, por vezes, com um que afirma insistentemente não ser um demônio mas uma pessoa falecida e condenada por Deus.

    É importante salientar fortemente que isso não justifica as práticas espíritas. Porque Deus as proibiu severamente, mostrando que ao nos deparamos com um espírito dentro de um hospedeiro, devemos considerá-lo um condenado e inimigo. Em outras palavras, devemos julgar apriori que todo espírito que se aloja num corpo que não é o dele não está lá para fazer algum benefício. Antes, devemos expulsá-lo como a sã doutrina manda.

Anúncios

Os comentários estão desativados.