E o Vento Levou… a Microsoft

As coisas definitivamente não andam boas para Steve Ballmer, CEO da Microsoft. Começando por subestimar o potencial do iPhone às suas, digamos, performances, sua gestão tem decaído em um bom número de apostas equivocadas. Por causa delas, hoje, a Apple, outrora falida, vale aproximadamente duas Microsoft (para a minha alegria pessoal), desbancando-a como como um velho ícone de uma já superada era PC. Espera-se que agora Ballmer reverta esse quadro pelo lançamento do Windows Phone Mango e do Windows 8 ambos com a Interface Metro. Porém, aparentemente, nem mesmo a Metro deixará o barco Microsoft de fazer água.
 
Uma nova antiga idéia

Inspirados no lançamento do Sistema Operacional Mac OS X da Apple, os sistemas operacionais de vários dispositivos computacionais lançaram-se numa corrida de design, a fim de oferecer a mais bela, colorida e interessante interação gráfica para o usuário. Isso afetou profundamente o design de softwares portáteis, tais como os celulares, de modo que, entre eles, foi possível evoluir de um Siemens A50 para um Samsung Galaxy S II. A Microsoft, vendo a sua participação absoluta no mercado de computadores cair diante do iOS da Apple e do Android da Google, lançou o seu próprio conceito de design para  os sistemas operacionais portáteis, a Metro. E eis buraco do barco.

Sem dúvida nenhuma, por se tratar de uma nova interface, a Metro atrairá interessados e compradores. Tudo o que é novo chama a atenção e por isso a Nokia, uma das maiores apostadoras desse conceito da Microsoft, lançou a sua linha de celulares Lumnia. A Nokia reinava absoluta no mercado de smartphones até a entrada da Google e da Apple e o Lumnia representa uma grande esperança de reviravolta para ela. Talvez a última, antes dela ser adquirida pela Microsoft ou pela Amazon.

Mas, vendo a Metro sem afobação, percebe-se que ela representa um retrocesso no design alcançado até o presente. A Metro é essencialmente bicolor com ícones bidimensionais brancos. Não fossem as distrações de algumas fotos em seus quadros, ela seria terrivelmente enfadonha, tal como a Tela de Configurações do Xbox 360 nessa interface. Na verdade, os seus ícones são similares às da Samsung F700 antes do advento do iPhone – por esse e por outros motivos, aliás, a Samsung é processada pela Apple, pois ela coincidentemente mudou esses ícones depois do iPhone, redesenhando muitos deles iguais aos do iOS. Ocorre que até a Samsung percebeu que esses ícones brancos e bidimensionais não são atrativos e, não se sabe bem o porquê, a Microsoft, em pleno campeonato, pensa que eles são uma evolução.

Confundindo integração com padronização
 
A Metro tem o mérito de ser uma excelente interface para touchscreen, pois foi desenhada para isso. Então seria um erro colocá-la num computador com mouse e teclado, certo? Não para a Microsoft. E esse é justamente o motivo pelo qual o Windows 8 é torpedeado pela crítica. Porque, diferentemente de suas concorrentes, que tomam o cuidado de oferecer uma interface adequada para cada dispositivo computacional, com uma integração limitada entre eles, a Microsoft deseja que todos os dispositivos rodem sob a Metro. Ela o quer porque isso maximizaria a portabilidade de seus aplicativos. Porém não é comum que os computadores Windows tenham emuladores de touchscreen tais como o Magic Mouse e o Trackpad da Apple. Pobres usuários da Metro, que terão que repetidamente segurar, arrastar e soltar com os seus mouses cada tela da interface! Se você tiver lesões musculares, prepare o seu anti-inflamatório! Por isso, padronizar interfaces sem padronizar o hardware é tolice. Por isso, a Apple não produziu nada semelhante ao Kinect para os seus computadores. Simplesmente porque, a menos que você seja um gamer entusiasmado, não é legal cansar as suas mãos de usar o computador quando ainda faltam muitas horas para terminar o seu expediente de trabalho.

Mas, enfim, o tempo é o melhor dos críticos. Vejamos se a Microsoft terá sucesso em adentrar para o  mercado de smartphones tal como ela adentrou retumbante para o mercado de consoles de games que, aliás, ganhou um novo concorrente: o New iPad, o console não oficial da Apple. Por hora, porém, parece-me que a batata do Steve Ballmer está assando.

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