A Mulher Vestida de Sol / The Woman Wearing Sun


A Mulher / The Woman
Peter Paul Rubens

Então apareceu no céu um grande e misterioso sinal. Era uma mulher. O seu vestido era o sol, debaixo dos seus pés estava a lua, e ela usava na cabeça uma coroa que tinha doze estrelas. A mulher estava grávida e gritava com dores de parto.

A great sign appeared in heaven: a woman clothed with the sun, with the moon under her feet and a crown of twelve stars on her head. She was pregnant and cried out in pain as she was about to give birth.

E apareceu no céu outro sinal: era um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres e com uma coroa em cada cabeça. Com a cauda ele arrastou do céu a terça parte das estrelas e as jogou sobre a terra. Depois parou diante da mulher grávida a fim de comer a criança logo que ela nascesse. Então a mulher deu à luz um filho, que governará todas as nações com uma barra de ferro. Mas a criança foi tirada e levada para perto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus havia preparado um lugar para ela. Ali ela será sustentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Then another sign appeared in heaven: an enormous red dragon with seven heads and ten horns and seven crowns on its heads. Its tail swept a third of the stars out of the sky and flung them to the earth. The dragon stood in front of the woman who was about to give birth, so that it might devour her child the moment he was born. She gave birth to a son, a male child, who “will rule all the nations with an iron scepter.” And her child was snatched up to God and to his throne. The woman fled into the wilderness to a place prepared for her by God, where she might be taken care of for 1,260 days.

Depois houve guerra no céu. Miguel e os seus anjos lutaram contra o dragão, que combateu junto com os seus anjos. Mas o dragão foi vencido, e por isso ele e os seus anjos não puderam mais ficar no céu. O enorme dragão foi lançado fora do céu. Ele é aquela velha cobra, chamada Diabo ou Satanás, que leva todas as pessoas do mundo a pecar. Ele foi jogado sobre a terra, e os seus anjos também foram jogados junto com ele.

Then war broke out in heaven. Michael and his angels fought against the dragon, and the dragon and his angels fought back. But he was not strong enough, and they lost their place in heaven. The great dragon was hurled down—that ancient serpent called the devil, or Satan, who leads the whole world astray. He was hurled to the earth, and his angels with him.

Então ouvi uma voz forte no céu, que dizia:

Then I heard a loud voice in heaven say:

— Agora chegou a salvação de Deus! Agora Deus mostrou o seu poder como rei! Agora o Messias que ele escolheu mostrou a sua autoridade! Pois o acusador dos nossos irmãos, que estava diante de Deus para acusá-los dia e noite, foi jogado fora do céu. (…)

—Now have come the salvation and the power and the kingdom of our God, and the authority of his Messiah. For the accuser of our brothers and sisters, who accuses them before our God day and night, has been hurled down. (…)

Quando o dragão viu que tinha sido jogado sobre a terra, começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. Porém a mulher recebeu as duas asas de uma grande águia para poder voar para o seu lugar no deserto, onde ela será sustentada durante três anos e meio, livre do ataque do dragão. Então o dragão lançou água da sua boca, como se fosse um rio, atrás da mulher, para que ela fosse arrastada pelas águas. Mas a terra ajudou a mulher, pois a própria terra abriu a boca e engoliu a água que tinha saído da boca do dragão. (Ap. 12:1-10, 13-16 NTLH)

When the dragon saw that he had been hurled to the earth, he pursued the woman who had given birth to the male child. The woman was given the two wings of a great eagle, so that she might fly to the place prepared for her in the wilderness, where she would be taken care of for a time, times and half a time, out of the serpent’s reach. Then from his mouth the serpent spewed water like a river, to overtake the woman and sweep her away with the torrent. But the earth helped the woman by opening its mouth and swallowing the river that the dragon had spewed out of his mouth. (Rv. 12:1-10, 13-16 NIV)

Introdução

Introduction

Nos estudos anteriores a respeito do Apocalipse, ficou patente pelas próprias características do Livro Sagrado que a Exegese Preterista é um meio sólido e confiável de se interpretá-lo. Nos trechos apresentados acima, natural e coerentemente, essa mesma ferramenta exegética deve ser usada considerando que eles são partes constituintes de um só Livro.

Previously, in the articles regarding to the Revelation, was very fixed by the patterns of the Holy Book that the Preterist Exegesis is a solid and reliable mean of its interpretation. In the excerpts aforementioned, naturally and coherently, that same exegetical tool can be used, since they are constituted parts of a single Book.

A Mulher

The Woman

A identidade da Mulher é naturalmente indicada pela de Seu divino Filho, o Messias, Jesus Cristo, Quem expulsou o Dragão dos Céus: a Santíssima Virgem Maria. Ela pariu Aquele do qual o profeta Isaías disse que seria o Servo, o Deus Forte, o Príncipe da Paz e o Pai da Eternidade. A seita dos evangélicos recusa-se a aceitar essa interpretação óbvia pelas implicações contidas nelas as quais negam a validade de sua religião. Aqui, Maria está adornada com uma coroa, o que indica Sua co-realeza com Cristo, e mais: essa coroa tem doze estrelas, o que não indica outra coisa senão a Igreja [1]. São João expressa mui especificamente neste ponto a realeza de Maria sobre a Igreja. Os evangélicos tem horror a esse fato como o demônio da Cruz. Isso não deixa de ser uma ironia macabra, pois em nosso mundo é perfeitamente normal considerar que as mães dos monarcas são providas de realeza e, por isso, chamadas de rainhas-mãe[2]. Todos concordam com isso. Porém, quando dizemos que essa trivialidade também ocorre no céus, somos reputados como que possuídos por Belzebu. É óbvio que a decadência generalizada da Igreja Evangélica Carismática, donde vem a maioria desses ataques fúteis, mostra quem é de quem. Mas isso é um outro tema.

The woman’s identity is naturally indicated by of Her divine Son, the Messiah, Jesus Christ, Who expelled the Dragon from the Heaven: the Most Holy Virgin Mary. She calved the One who the prophet Isaiah has spoken that He would be the Messenger, the Might One, the Prince of Peace, the Everlasting Father. The evangelicalism refuses to accept this clear interpretation, by its deep implications, because they denies the religion of its sectarians. Here, Mary, is adorned with a crown, which indicates Her royalty with Christ. And more: that crown has twelve stars, which doesn’t indicate other thing but the Church[1] St. John expresses very specifically the royalty of Mary over the Church. The sectarians feel horror of this fact as the Demon to the Cross. That’s a gruesome irony, because in our world is perfectly normal to regard the mothers of the kings as provided of full royalty. Due to that, they are called Mother Queens[2]. Everyone agree with it. Notwithstanding the agreement, when we say that the same triviality also happens into in skies, we’re reputed as belonging to Beelzebub. It’s obvious that the wide decadency of the Evangelicalism, from where the most of these futile attacks come, shows who is who. But it is another issue.

Com efeito, a Santa Igreja Ortodoxa canta em sua Divina Liturgia:

À Tua direita está a Rainha,
envolta num manto e ornada de finíssimo ouro.

Effectively, the Holy Orthodox Church sings in her Divine Liturgy:

The Queen stood at Your right hand,
vested in robes woven with gold, adorned in many colors.

O fato é que Maria é, por direito consanguíneo a Seu Filho, coroada de altos privilégios celestiais. Ser vestida pelo Sol e ter a Lua como estrado de Seus pés não apenas indica que Ela encontra-Se cheia da glória de Deus, como também que Ela foi feita maior do que os anjos dos céus. Eles são constantemente retratados no simbolismo bíblico como corpos celestes. Todas essas coisas desvelam de forma maravilhosa o simbolismo apocalíptico. Aqui, um motivo oculto pelo qual o Dragão — que representa Satanás, o chefe dos demônios — odeia a Mulher é que ele mesmo cobiçou várias dessas honrarias para si (Is. 14 e Ez. 28). Mas Deus Pai não só o privou de todas elas, como as deu para uma criatura cuja natureza era menor que a do mais humilde anjo. Dessa forma, o Senhor não só puniu Satanás como zombou dele e o humilhou profunda e publicamente em Maria.

Indeed, Mary is by right of blood with Her Son, crowned of high heavenly privileges. Being dressed of the Sun and having the Moon as dais of Her feet, not only indicates She is filled with the glory of God, but also She was done higher than the heavenly angels. They are constantly portrayed in the biclical symbolism as heavenly bodies. All these things unveil in a wonderful way the apocalyptical symbolism. Here, a concealed reason by the what the Dragon — which represents Satan, the head of the demons — hates the Woman, is he had wished these honors for himself (Is. 14 and Ez. 28). However God the Father, notwithstanding to have deprived him from them all, gave them to a creature whose nature was lesser than the humblest angel. Thence, Lord Almighty not only has punished Satan, but also did of him a public mockery in Mary.

A peregrinação da Mulher

The wandering of the Woman

Então é dito que a Santíssima Mulher sofre de dores de parto. Contudo, a Tradição da Igreja é unânime quando diz que Maria não sofreu tais dores, porque, desde a Sua concepção, Ela nunca pecou e Ela carregava o próprio Deus Encarnado. Ela é verdadeiramente imaculada de toda imundície. Essa mácula, o pecado, do qual todas as mulheres participam por herança racial em Adão, é consequência do juízo divino donde se originam essas dores. Como o mais perfeito Templo de Deus, Ela com justiça é chamada de Toda Pura.

It’s said that the Most Holy Woman suffers of child-birth’s pains. However, the Tradition of the Church unanimously states that Mary didn’t suffer such pains, because, since Her conception, She never sinned and She beared the God Incarnated. She is truly immaculate from all filth. As the Most perfect Temple of God, She with justice is called All-Holy and Pure.

Nas Escrituras Sagradas o mesmo termo apresentado no simbolismo apocalíptico para dores de parto afigura angústia e não dor física[3]. Na verdade todo o simbolismo é uma figura, já que Maria não pode vestir-Se literalmente do Sol e nem possuir asas. O Dragão afigura Satanás e São Miguel não pode lutar fisicamente contra ele, já que ambos são seres angélicos incorpóreos. Dessa forma não sendo literal o simbolismo e considerando a solidez do Preterismo, a dor de parto sofrida pela Mulher só pode afigurar um evento histórico da vida da Santíssima Mãe, o qual foi a Sua angústia em achar um lugar seguro e confortável onde pudesse dar a luz a Jesus. Por desígnio de nosso Deus Pai esse local foi uma caverna achada de última hora devido à crueldade imensa daqueles israelitas que não queriam hospedá-La, embora Ela estivesse visivelmente em trabalho de parto.

In the Sacred Scriptures the same term which is presented in the apocalyptical symbolism of child-birth’s pains, represents anguish and not physical[3]. Indeed, every symbolism is a figure. Mary obviously can not wearing Sun and has no wings. The Dragon is portraying Satan and St. Michael can not fight physically against him. Both are angelical beings and incorporeal. Not being the symbolism of literal meaning and considering the solidity of the Preterism, the child-birth pains which are suffered by the Woman can only represent a historical event of the Most Holy Mother: Her anguish to find a safe and comfortable place to give birth to Jesus. By wish of the our God Father, that place was a cavern found at last minute, due to the huge cruelty of those Israelites that didn’t want to shelter Her, even She being visibly in a childbed condition.

O rei Herodes, de linhagem iduméia da qual pesa a maldição de deicídio, soube da vinda iminente do legítimo Rei Celestial de todo o Israel. Dessa forma, como sabia ele ser um usurpador do trono davídico, o Dragão o tentou para que ele matasse a Semente de Maria na caverna onde o Rei nasceu. Falhando em localizar o Messias nascido, o Dragão lançou suas águas, isto é, o poder temporal de Herodes para o massacre generalizado dos infantes de Belém. Porém, a Santíssima Mãe refugiou-Se no deserto, que afigura o Egito, por três anos e meio. No fim dos quais, a terra tragou as águas, ou seja, a terra sepultou o falecido Herodes e Satanás perdeu sua a chance.

The King Herod, of Idumean lineage whereof the curse of deicide lies upon it, knew of the imminent arrival of the legitimate Heavenly King of all Israel. Hence, as he knew to be a usurper of the Davidic throne, the Dragon attempted him so that he could kill the Seed of Mary in the cavern where the King was born. As he failed to find the born Messiah, the Dragon threw his waters, i.e., the temporal power of Herod, whereby the generalized slaughter of infants happened in Bethlehem. However, the Most Holy Mother took refuge in the desert, a symbol to Egypt, by three years and a half. At the end of it, the earth swallowed the waters, i.e., Herod had died and was buried, and Satan lost his chance.

Conclusão

Conclusion

Esse é o fantástico e coerente significado preterista do simbolismo apocalíptico com todas as suas inefáveis implicações das quais os hereges fogem, como quaisquer ímpios quando confrontados com a luz. Como pensam eles que podem ser amigos de Cristo quando desprezam a Sua Mãe? Quem em sã consciência e com amor próprio quer ser amigo de alguém que despreza claramente um dos membros mais queridos de sua familia? Qual é o rei humano que, tendo o poder para isso, não puniria cruelmente por crime de alta traição um súdito que se recusasse publicamente a honrar a rainha-mãe? Este é portanto o pecado daqueles que não veneram a Rainha-Mãe Celestial adequadamente. Seus frutos maus são uma prova da falsidade de suas crenças.

That’s the fantastic and coherent Preterist meaning of the apocalyptical symbolism of whose inefable implications the heretics flee away. Like any wicked ones when face up the light. How can they think that they can be Christ’s friends if they despise His Mother? Who, being mentally healthy and having a bit of self-respect, would like to be a friend of someone who despises one of the most beloved members of his family? What is the human king that, having the power to do it, wouldn’t go to chastise brutally for high treason the subject who dares to refuse publically the honor that is due to the Queen Mother? That’s the sin of those that refuse to honor properly the Heavenly Queen Mother. Their bad fruits are a proof of falsehood of their beliefs.

Notas

  1. Cf. Ap. 7 e 21, ambas as referências tratam, respectivamente, da Igreja militante e da triunfante enumerando entes em dúzias.

    According to Rev. 7 and 21, both the references treat, respectively, of the militant and triumphant Church by enumeration of entities in dozens.

  2. Havendo, no Antigo Testamento, o costume de poligamia entre os monarcas, por motivos óbvios, o prestígio e o poder real eram dados não às várias esposas, já que a divisão dessas honras seria inviável. Mas à rainha-mãe (2Rs. 11). É ilustrativo comparar o tratamento dado por Davi à Bate-Sebá e o mesmo dado à ela pelo seu filho Salomão em 1Rs. 1 e 2. É óbvio que nosso Rei Jesus tem a mesma estima por Sua Mãe. Salomão tornou-se um arquétipo de Cristo no momento de sua escolha por Deus para a construção do Templo (2Sm 7).

    Having in the Old Testament the custom of polygamy among the monarchs, for obvious reasons, the prestige and the royal power were given not to the many spouses, since the partaking of both honors would be impossible. But to the queen mother (2 Kings 11). It’s illustrative to compare the treatment given by David to Bathsheba and the same given to she by his son Solomon in 1 Kings 1 and 2. It’s obvious that our King Jesus has the same esteem for His Mother. Solomon became an archetype of Christ at the moment of his choice by God for the building of the Temple (2Sm 7).

  3. O termo grego escolhido por São João para designar as dores de parto «δινουσα» também aparece como uma metáfora para angústia na LXX grega em Is. 26:16-18.

    The Greek term which was chosen by St. John for the designation the pains of child-birth «δινουσα» also appears as a metaphor to anguish in the Septuagint in Is. 26:16-18.

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