O Sufrágio Feminino

Introdução

As mulheres possuem muito mais força e influência do que elas geralmente gostariam de admitir. As guerras são lutadas por vários motivos, inclusive por que os homens gostam de violência. Mas, em última instância, a maioria esmagadora das conflagrações são travadas cruentamente para proteger a integridade física das filhas, das esposas, das irmãs e das mães dos soldados. Garantir que as mulheres e suas crianças não sofram violações do inimigo, sempre motivou as defesas militares desesperadas em causas perdidas como a queda de Berlim na Segunda Guerra Mundial ou a queda dos Confederados na Guerra Civil Americana. No primeiro caso, os alemães derrotados viram impotentes o estupro de um milhão de suas mulheres por hordas de hunos soviéticos. E no segundo caso, os sulistas viram a pilhagem de suas propriedades e o assédio às suas mulheres por gangues incentivadas pelos políticos da Reconstrução [i]. Essa verdade de tempos imemoriais foi lembrada por Tyrtaeus, o poeta marcial de Esparta, em seu poema escrito na segunda guerra da Messênia:

Mas seja nosso o guardar do lugar sagrado,
Para proteger a delicada prole e a esposa
Aqui firmemente aguarda a nossa destinada fortuna,
e, por causa deles, renunciamos ao dom da vida.

Por seus dons, talentos e capacidades peculiares ao seu sexo, em uma nação devastada por catástrofes diversas é preferível garantir a integridade física de uma única mulher a um pequeno grupo de homens. Um homem pode construir muitas coisas, mas não há homens sem mulheres vivas que os concebam e os criem. Por isso que em toda a história, as mulheres foram isentas do combate. Porque era de suma importância para a nação preservá-las vivas e livres da violação por parte de bandos inimigos. Esse foi o primeiro argumento dos anti-sufragistas: a cidadania política plena só pode ser dada àqueles que arcarão plenamente com as suas responsabilidades, incluindo o uso cruento da força pelo Estado.

A representação política e natural da mulher

Homens poderosíssimos não se rendem facilmente a exércitos encarniçados. Mas Assuero, o rei da Pérsia, capitulou imediatamente perante a mulher que amava: a israelita Esther. E fez, por amor a ela, todo o império persa marchar em defesa da afligida tribo de Judá. Pela mesma sedução feminina, na beleza de Popéia, uma mulher judia, Nero lançou-se contra os cristãos passando para a história como o Anticristo revelado de antemão por homens santos como o Apóstolo Paulo e o Apóstolo João. Movido por semelhante ardente paixão à Ana Bolena, o rei Henrique VIII criou um cisma na Inglaterra e fez chocar em seu reino a Reforma da Igreja Anglicana. Os exemplos são infindáveis do poder da mulher sobre aqueles que as amam a ponto de estarem dispostos, pelo bem dela, à renúncia de suas próprias vidas.

É esse o poder da mulher que os sufragistas não viram ou se recusaram a reconhecer. Deixaram-se iludir por um simbolismo equivocado que a negação do sufrágio feminino supostamente representava: a alegada inferioridade da mulher. O fato é que um ser tão desejado, tão capaz de mudar repentinamente a história de impérios inteiros apenas com sutilezas e docilidades, não pode ser inferior e não é. Contudo, a história depõe que quando a esposa é devidamente amada e correspondida pelo seu marido e quando ele assume devidamente o seu papel de líder da família, sem tiranizá-la, os interesses da mulher estão protegidos e bem representados. Esse foi o segundo argumento dos anti-sufragistas: a mulher faz sentir a sua presença política por meio dos seus filhos e maridos. E eles não são unanimemente tolos para se virarem contra as suas próprias mães e esposas.

A responsabilidade civil da mulher

Ser isento do combate é o primeiro aspecto da diminuição da responsabilidade civil sobre a mulher, a qual vigorava por toda parte antes do sufrágio universal. Os homens naturalmente lideram; e eles combatem ao preço da própria vida pelo Estado, por isso, perante ele, eram e são considerados plenos de responsabilidade civil. Porém às mulheres foram dadas outras tarefas igualmente críticas no seio familiar, refletindo a teologia. Assim, a questão do sufrágio, como a questão da responsabilidade civil da mulher, nunca foi uma questão acerca da superioridade do marido ou da inferioridade dela. Mas uma questão acerca da natureza dos papéis atribuídos por Deus a ambos.

A nossa civilização nem sempre foi individualista. Houve, em sua história, um período em que as pessoas se viam de forma holística, não como unidades, mas como membros de um coletivo familiar e tribal. Nesse contexto, em que o homem não é um átomo, mas sim um membro de sua família, a mulher não tinha responsabilidade civil. Não porque ela não podia gerí-lo, mas porque ela não realmente precisava disso. A mulher cuidava da casa, de uma família numerosa e, além disso, do empreendimento agrícola que gerenciava com o seu marido [ii] a partir do lar. É um grande feito que nada deve à responsabilidade civil, que é um conceito moderno. Ao homem, cabia agir como um chefe do lar, ou seja, aquele que assume a responsabilidade civil por todos os logros e malogros de sua família. A isenção da responsabilidade civil preservava a mulher de tais riscos jurídicos, ainda que ela viesse a sofrer indiretamente pelas infelicidades de seu marido.

Esse é o ponto que os sufragistas ocultaram às mulheres de seu tempo. A responsabilidade civil as sobrecarregaria de deveres jurídicos, algo que elas de fato temiam que aprovação do sufrágio universal e a posterior igualdade política com os homens as trouxesse. Nos nossos dias, as mulheres cuidam da casa, da família, do seu trabalho e, além do mais, lidam com todos os riscos jurídicos que cabiam apenas a seu marido. Obviamente, não foi a mulher que foi emancipada. Foi o homem, o marido, quem teve diminuídas as suas responsabilidades perante a sua família. O homem é o verdadeiro emancipado pelo sufrágio universal e pela igualdade política que veio. Esse foi o terceiro argumento dos anti-sufragistas: as mulheres seriam desviadas de suas funções naturais, igualmente importantes para a nação, e os homens conflitariam com as suas próprias esposas sobre quais responsabilidades caberiam a cada um.

A tragédia do divórcio

Se a mulher é plena e protegida de responsabilidades sob um marido que a ama e não a tiraniza, então ocorrendo o divórcio, as restrições legais aos quais ela estava subjugada, decerto a esmagariam. Após a violência, o divórcio é a arma mais destrutiva à mulher. Porque a realidade do divórcio obriga ao Estado a dar à mulher responsabilidades que não lhe são naturais, já que o marido recusa-se a cumprir as suas com a repudiada. Aqueles que querem impor uma ideologia igualitária sabem disso, por isso o aprovam entusiasticamente.

Primeiramente o homem teve diminuídas as suas responsabilidades perante a esposa, embora agora tenha que concorrer contra ela em casa ou no trabalho. Posteriormente, pelo divórcio, foi dada ao homem uma oportunidade definitiva de fugir de suas responsabilidades naturais. O divórcio é mais um instrumento de emancipação do homem, ao contrário do que costumeiramente se pensa.

A fuga do homem

O homem possui uma tendência natural de fugir de suas responsabilidades, que se manifesta em graus distintos conforme a sua raça. O que mais caracteriza a nossa geração, senão o medo patológico da paternidade? A paternidade é a entrada definitiva do homem ao mundo adulto e a todas as suas responsabilidades perante Deus em relação às futuras gerações. É grande e honrosa essa tarefa divinamente dada a ele. A mulher não pode, não está preparada e não deve assumir, em lugar do homem, essas responsabilidades. Contudo, a nossa geração precisa ser arrastada para essa realidade, pelos temores irracionais que ela nutre em crescer.

O divórcio e a recusa estatal em delinear juridicamente um claro papel para os sexos, contribuem para a confusão reinante entre as pessoas e as incentiva a se lançarem na promiscuidade. Porque esse vício em particular não é mais que uma fuga do homem às custas da integridade física da mulher e uma fuga de suas responsabilidades naturais. Esse foi o último e o mais importante argumento dos anti-sufragistas: o sufrágio universal e a posterior igualdade política trará a confusão e a discórdia entre os sexos.

Conclusão

A nós cristãos, que conhecemos essas coisas, não podemos deixar de incentivar os nossos filhos a casarem cedo e, às crianças homens, ajudá-las a aprenderem o quanto antes as suas responsabilidades masculinas. Devemos treiná-los, especialmente os homens, porque mais pesa-lhes a sua condição perante Deus do que o equivalente feminino sobre a mulher. Basta nos lembrarmos que Eva foi tão somente ferida em seu ventre por ter pecado contra o nosso Senhor. Mas a Adão, que a seguiu, sendo ele homem e o chefe da sua raça e, portanto, o responsável pelas ações de sua esposa, recaiu a morte sobre ele, à sua família e aos seus descendentes além dos sofrimentos diários que todos experimentam.

Um Estado verdadeiramente cristão deve impossibilitar o divórcio [iii], criminalizar a promiscuidade extra-matrimonial, e lançar sobre o homem e, a ninguém mais, as consequências civis de sua cidadania plena.

Notas

[i] O romance “E o Vento Levou” de Margaret Mitchell é um excelente relato das condições impostas aos confederados derrotados após a Guerra Civil.

[ii] A Verdade Absoluta de Nancy Pearsey.

[iii] Deve-se entender que o divórcio, a dissolução completa do matrimônio não é o mesmo que a concessão temporária de separação de corpos. Dar essa concessão é a solução para os casos de violência marital, que devem ser retribuídas conforme a Lei mosaica. Mas a separação de corpos não pode dar o direito de re-casamento aos cônjuges e nem revogar as responsabilidades do marido, exceto, obviamente, as obrigações sexuais.

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