A Angústia de Fukushima – Atualização 1

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Existe uma outra falha muito importante de projeto em relação à usina nuclear de Fukushima. Ao lado das contenções primárias de cada unidade da usina (são seis unidades de prédios, cada uma com um reator) existem piscinas profundas que são usadas para armazenar o combutível físsil utilizado nos reatores. Como eles contém restos de material físsil, eles geram calor e são perigosamente radioativos sem a sua imersão em água pura. A água pura, totalmente desmineralizada, é utilizada como agente de refrigeração em reatores nucleares, porque não é ativada por neutrons com facilidade, remanescendo praticamente livre de radiação. 

Contudo, o problema que Fukushima enfrenta neste momento é que apesar da TEPCO estar vencendo a batalha contra o calor residual dos reatores, e mantido-os a salvo e protegidos, o fato de vários de seus edifícios terem sido destruídos nas explosões de hidrogênio, deixaram essas piscinas expostas que, ademais, sofreram vazamento, e evidentemente estão sujas de pó e escombros. É por isso que as forças de defesa do Japão tem tentado repor a água das piscinas das unidades por meio de helicopteros. Mas a radiação que emana dos edifícios tem dificuldado a operação; e a menos que o material físsil gasto seja totalmente coberto ou removido do local, continuará exalando-a.

Esse é um erro de projeto gravíssimo por parte dos construtores dessa usina, pois jamais esses materiais gastos deveriam ficar em um compartimento que não possuisse as mesmas condições de segurança da contenção primária das unidades. Uma vez que os gases inflamáveis dos reatores superaquecidos emanavam para o interior dos edifícios, tornando inevitável a sua explosão, era óbvio que esses combustíveis iriam ficar expostos cedo ou tarde. Isso tornou inútil as defesas em profundidade de Fukushima.

Infelizmente essa era uma catástrofe anunciada, mesmo que não ocorresse o maremoto. Pois em princípio, a usina era fatalmente vulnerável a qualquer falha catastrófica de energia que, se não fosse a tragédia japonesa de nossos dias, seria motivada por outra coisa no futuro. Esse é o tipo de coisa para o qual um projeto de usina nuclear se esmera para evitar. Os projetistas de Fukushima falharam gravemente. O desastre daquela usina tornou-se agora muito pior do que o acidente de Three Mile Island; e pela exposição do combustível físsil usado, agora ele se assemelha mais à Chernobyl, contudo em grau menor.

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