A Primeira Guerra Civil de Israel

O Livro de Josué, do Antigo Testamento, não só conta a história da entrada de Israel à terra de Canaã, como também expõe o caráter ideal de um governo minimalista aos olhos do Senhor; e o seu contraste, o Livro dos Juízes, apresenta-nos a decadência desse caráter. De um lado, Josué é a realização do modelo mosaico de uma federação tribal uníssona  e unificada na adoração ao Senhor Deus, embora profundamente subsidiária em diversas cidades autônomas. E, por outro lado, Juízes nos apresenta uma confederação fraca, quase anárquica vendo-se fortemente influenciada pelo paganismo sumério dos povos cananeus.

Uma das consequências da decadência do modelo político mosaico foi que Israel, apostatando-se às abominações sumérias, apropriou-se para si o costume mundano de fidelidade total à tribo. É justamente nesse contexto que devemos entender a primeira guerra civil israelita, contra a tribo benjamita, relatada no Livro dos Juízes (Jz 19-21). Benjamim recusou-se a entregar os estupradores a Israel porque, como tribo e no contexto dos costumes da época, os benjamitas estavam ligados por laços etnocêntricos de fidelidade. Era estranho aos costumes da época que pessoas não fossem julgadas senão pelos seus pares consanguíneos. Em outras palavras, Benjamim provavelmente queria que os estupradores fossem julgados por benjamitas; ou, pior, já que os estupradores atentaram contra vítima de uma outra tribo distinta, a de Judá, provavelmente não acharam o caso digno de ser julgado, já que era normal no mundo antigo que a justiça fosse aplicada tão somente aos membros da tribo, vedando-a aos estrangeiros.

Aos olhos do Senhor, Benjamim estava pecando não só por colocar costumes sumérios acima de Sua Lei, como também por ignorar os laços consanguíneos que possuía para com Israel. Assim, quando Israel foi à peleja contra Benjamim, o Senhor os puniu até quase os aniquilar, mas não antes de Israel oferecer sacrifícios de expiação, a fim de que ele, na sua pressa irrefletida em guerrear, fosse relembrado da santidade de Deus.

A primeira guerra civil israelita serve-nos como um alerta de como o Senhor abomina o nacionalismo exacerbado em estatolatria, tais como os nacionalismos que conduziram o mundo à Primeira Guerra Mundial, o neopaganismo nazista ou o militarismo ditatorial terceiro-mundista. Pois a justiça do Senhor é para todos os homens de todos os povos e nações.

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