Os Evangelhos Gnósticos de Elaine Pagels

Eu confesso que tive receio de ler esse livro. E, como não tenho um conhecimento muito profundo das Doutrinas Reformadas e da História da santa Igreja (eu não tive o privilégio de ler as apologias dos Pais da Igreja, por que aqui no Brasil, as traduções de boas obras literárias, são geralmente sonegadas aos brasileiros), exceto o que li de Eusébio de Cesaréia, tive medo que esse livro danificasse a minha fé, devido a minha ignorância.

O meu medo residia no fato de que Pagels recebeu para a sua obra, o patrocínio e o auxílio de inimigos notáveis da civilização cristã ocidental, tais como o Conselho Nacional de Igrejas dos EUA e a Fundação Rockfeller.

E de fato, a obra de Pagels é praticamente uma apologia às vezes implícita, às vezes explicita à heresia gnóstica. Pagels, quando se refere à igreja ortodoxa, quase sempre a faz no sentido de que ela combatia os gnósticos devido a sua suposta sede irrefreável de poder político e de domínio sobre o laicato. Felizmente, Pagels não podia falsificar ou distorcer toda a História; e foi obrigada a reconhecer que a Igreja era corajosamente martirizada pelo Império Romano, enquanto que os gnósticos inventavam desculpas teológicas por meio de suas heresias, para covardemente fugir do martírio ou dos perigos resultantes de confessarem publicamente a sua fé em Cristo aos pagãos romanos.

Entretanto a obra de Pagels não é de todo ruim. Na verdade, a obra dela é uma boa oportunidade para os cristãos aprenderem que muitos dos sofismas e falsidades que os incrédulos lançam contra eles, é uma repetição nada original das idéias rídiculas do gnóstico Marcião. Marcião odiava de todo o seu coração a Deus retratado no Velho Testamento, por Ele ser supostamente mal e violento. Os textos de Marcião, citados por Pagels, não só fundamentam o ódio dos ateus militantes à religião cristã, como também fundamentam o satanismo. Pagels traz um texto de Marcião onde ele diz que a serpente era o animal mais sábio do Paraíso e que Deus amaldiçoou a ela e a Criação (pelo pecado de Adão) por mero ciúme; só por que Deus, egoísta, não queria dividir Sua sabedoria e glória com Suas “inocentes” criaturas. Mais luciferino que isso é impossível.

A obra traz outros trechos interessantes dos pensamentos gnósticos – que mostram o quanto eles eram hereges e perdidos – tais como os trechos que provam que eles não eram monoteístas. Além disso, Pagels demonstra que os gnósticos valentinianos foram os primeiros a introduzir a heresia feminista no seio da sagrada Igreja; e e também a herética concepção elitista de castas de crentes iluminados contra os “coitados” incultos e ignorantes, semelhantemente como fazem os pentecostais que alegam serem batizados com o Espírito Santo, contra aqueles que não receberam esse “batismo.”

No mais, a obra de Pagels não traz nada de novo. Aliás, nada do que Pagels apresentou, é inédito: tudo pode ser encontrado nas obras dos Apologistas da Igreja, que, inclusive, Pagels os cita abundantemente. Nesse sentido, a obra dela decepciona e não corresponde as expectativas de trazer novos documentos que descrevem as heresias gnósticas.

Portanto o livro até que pode ser lido por um cristão, desde que ele tenha um bom domínio da História da Igreja e de suas Doutrinas, já que Pagels deixa muito a desejar nesse quesito. Entretanto, o livro é dispensável, já que é melhor (e mais elucidativo, por se tratar de fonte primária; e mais honesto por se tratar de escritores cristãos) ler as obras dos Apologistas, especialmente a “Contra as Heresias” do Bispo Irineu de Lião.

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