A Tragédia Britânica nas Guerras Mundiais (1)

Patrick J. Buchanan, ativista do conservadorismo clássico, é o autor do livro “Churchill, Hitler and the Unnecessary War”, que advoga que a Segunda Guerra Mundial foi uma futilidade desnecessária, fruto de um erro estratégico da Grã-Bretanha. Ela atacou a Alemanha, apesar de não ter sido atacada. Essa guerra acabou por se alastrar sem controle, e Hitler, quando viu-se diante do castigo inevitável, procurou se vingar dos judeus euro-eslavos. Como resultado desse erro, além do Holocausto e da guerra de aniquilação com a URSS, a Grã-Bretanha viu a extinção de seu Império e permitiu que uma URSS stalinista cobrisse com o seu manto vermelho um território que ia do extremo oriental asiático à Europa Central, segundo Buchanan.

A intenção consciente de Buchanan é pôr essa desgraça nas costas da Grã-Bretanha, porque ela foi intervencionista. De fato, a Grã-Bretanha se imiscuiu ou interviu militarmente nos assuntos internos de 90% dos países da Terra. E a despeito desse impressionante e poder sem precedentes históricos, ela veio a perdeu o seu império em uma guerra fraticida na Europa. É isso que se pode concluir através de seu artigo “Was the Holocaust inevitable?”. Buchanan o escreveu na forma de apologia para o seu livro, contra as críticas apaixonadas de Christopher Hitchens, um ateu e, aparentemente, um britânico orgulhoso.

A tese de Buchanan pode parecer desconcertante. Porém, ele tem razão, em certa medida. Embora a sua tese seja fortemente revisionista e de certa forma atenua a culpa dos homens acusados por Buchanan. O apocalipse que ocorreu nos anos 40 do século passado não foi um evento fatalista. Para explicarmos o porquê, seria interessante entendermos a primeira e a segunda guerra mundial como um único conflito, tal como aqueles que a testemunharam, como o próprio Churchill, o compreendiam.

A Inglaterra na Primeira Guerra Mundial

Os motivos que levaram a Europa a entrar em uma luta encarniçada contra a sua própria raça na primeira guerra mundial são difíceis de compreender. Para ser sincero, são difíceis até mesmo de aceitar, pois a verdade dos fatos, é que eles foram fúteis. Não há outra forma de entender essa guerra, senão que a Alemanha a queria, pois glorificava o militarismo desde anos pregressos. O país julgava-se defensor da raça européia e da civilização cristã contra o czar russo[2]. Os líderes militares alemães queriam neutralizar a Rússia, o seu vizinho, e ampliar o território alemão às custas desse último. Era uma crença nacional dos alemãs que um Império Russo mais próspero e forte, destruiria a ela e a civilização da qual ela fazia parte. Uma intervenção preventiva da Alemanha poderia prevenir esse suposto destino.

A Alemanha não podia entrar em uma guerra de agressão e de conquista por sua própria e livre iniciativa. Nós deploramos a guerra de conquista em nossos dias e, da mesma forma, aqueles que viveram naquela época também compartilhavam desse sentimento. Portanto, os líderes militares alemães aguardavam uma oportunidade para deflagrar uma guerra. Eles sabiam que a guerra viria cedo ou tarde[1], pois as potências européias estavam organizadas em alianças militares antagônicas. Ademais, houveram conflitos anteriores e graves entre elas, como a guerra franco-prussiana em 1870 e a guerra dos balcãs no início do século XX. Foi uma confluência de eventos que levou a primeira guerra mundial a começar em 1914 e não antes. A guerra era querida pela Europa.

A oportunidade veio quando o arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando e sua esposa foram assassinados por uma organização terrorista apoiada pela Sérvia. A Sérvia, de raça eslava, e anexada ao Império Áustrio-Húngaro, fomentava a subversão para ganhar a sua independência. O Império austríaco era aliado da Alemanha e etnicamente alemão, ainda que um processo de eslavização tenha tomado lugar. Contudo, com o assassinato do casal real, desnudou a Sérvia perante o mundo. Contra ela, vieram as condolências e a solidariedade por toda a parte em favor do Império Áustro-Húngaro. O Império foi uma vítima inquestionável do fato. As potências européias compreendiam isso.

O Império Áustro-Húngaro, encorajado incondicionalmente pela Alemanha, deu um ultimatum à Sérvia, cujas condições eram impossíveis de se cumprir. O prazo imposto a Sarajevo era de 48 horas (!) para o cumprimento do ultimatum. Muitas de suas disposições exigiam a mudança da legislação sérvia, o que evidentemente não se podia fazer num prazo tão curto.

As potências européias ficaram surpresas com os termos do ultimatum, e o interpretaram como um instrumento sub-reptício para uma guerra contra a Sérvia. A Sérvia não tinha outra opção senão pedir o auxílio ao seu irmão racial, o Império Russo. O mundo antecipou o movimento sérvio, inclusive, e principalmente, os alemães. O czar, em resposta ao apelo sérvio, mordeu a isca, mobilizou parcialmente o seu exército na fronteira austro-germânica. A Alemanha, inflamada pelos seus líderes e pela imprensa, respondeu com a guerra. Decerto a atitude alemã foi inconcebivelmente desproporcional, senão não provocada. Mas, na mente alemã, a guerra contra a Rússia, tão almejada em anos precedentes veio como uma guerra de auto-defesa.

Entretanto, o Império Russo era aliado da França, um outro inimigo outrora tradicional dos alemães. Porquanto a Alemanha de antemão se preparara para a guerra, os militares alemães implementaram um plano ambicioso formulado por Alfred von Schlieffen em 1905. Esse plano previa a invasão da França através da Bélgica e, subsequentemente à rendição de Paris, a invasão da Rússia. Schlieffen o concebeu porque queria evitar que a Alemanha lutasse em dois fronts simultaneamente: o ocidental e o oriental. E a Alemanha o escolheu porque sabia que a Rússia demorar-se-ia para mobilizar os seus exércitos totalmente, por isso Paris era o alvo prioritário. Dessa forma, a Alemanha engolfou de surpresa a Bélgica e a França em sua guerra não provocada contra a Rússia.

A Alemanha confessadamente cometeu uma injustiça contra a neutralidade da Bélgica. Ela o fez porque havia descoberto que a França invadiria a Bélgica se a Alemanha não o fizesse primeiro. Contudo, a Inglaterra fiou-se a garantir a neutralidade belga em 1839. Este é o ponto nevrálgico da tese de Buchanan. Ao contrário da Bélgica, da França e da Rússia, a Inglaterra tinha a opção de se abster da guerra. Mesmo a França, obrigada pela aliança com a Rússia, não declarou guerra contra a Alemanha de imediato. Muito embora, em seu pleno e justo direito, os franceses tenham mobilizado os seus exércitos. Da mesma forma, a Itália, obrigada à guerra contra os inimigos da Alemanha, recusou-se a participar da aventura alemã. Somente a Inglaterra apressou-se à guerra em favor de um terceiro no além-mar.

Porque os ingleses não esqueceram o velhíssimo acordo belga como fizeram os outros colegas europeus com os deles? Alguns diriam: porque os ingleses não são covardes e respeitam os tratados internacionais. Talvez. Mas as questões que se põem a nós são: isso foi benéfico para os interesses ingleses? É justo que filhos ingleses fiquem órfãos por causa de um conflito totalmente alheio sofrido por um terceiro? No final das contas, depois da gripe espanhola, da destruição generalizada da civilização cristã, do advento do comunismo russo, da derrocada do colonialismo europeu, e do esfarelamento do império britânico apenas meio século depois, vê-se claramente que não. Foi a presença da Inglaterra que tornou o conflito muito mais amplo do que jamais teria sido, se os ingleses tivessem prezado pelos seus próprios interesses e amado os seus próprios filhos.

A dessacralização da guerra

A nossa civilização laica e ocidental deplora a guerra justa e santa lutada por valentes e abnegados cruzados cristãos contra os mouros e os turcos. Aparentemente, para a mente secular, cega e invertida de nossos dias, o bom e o justo é lutar por mesquinharias: pelas terras, pelo orgulho nacional, pelas disputas de fronteiras e pela a “democracia” — o mantra mais repetido pelos neocons de George W. Bush. Mas lutar pelo sagrado, pela coisas eternas, pelo divino, jamais. Isso é obscurantismo.

A guerra santa e a guerra justa são distintos conceitos cristãos. Nasceram no seio da Cristandade, muito antes de Maomé. Embora hajam sutis diferenças entre os Teólogos da Igreja — de São Agostinho a Bernado de Claraval — a guerra santa é o instrumento legítimo do uso da força estatal contra os povos pagãos, quando em defesa da honra do Deus Trino. A guerra justa, é a de defesa legítima[3] da nação contra uma agressão inespecífica.

Dessa doutrina, podemos aprender que a Alemanha foi fútil em seu casus belli contra a Rússia e as demais potências européias. A guerra que ela, e somente ela provocou, não foi nem legal, nem justa e nem santa. Por outro lado, a guerra que a Inglaterra travou pela Bélgica, foi legal, mas não foi justa e, tampouco, santa. Portanto, a Inglaterra e a Alemanha são co-responsáveis pela quase destruição da civilização cristã e da raça indo-européia que se seguiu à primeira guerra mundial, do ponto de vista do nosso Senhor.

Isso é algo difícil para a mente secular, rebelde e alienada de Deus, entender. Mas a dessacralização da guerra, longe de trazer um sonho de paz supostamente iluminista, trouxe a igual dessacralização da vida humana. Se antes a guerra só podia ser travada licitamente por pouquíssimos motivos, agora, sob a égide do laicismo, a guerra pode ser travada por qualquer razão que o Estado-deus queira. Essa pequeno tópico é importante para entendermos as questões envolvidas na segunda guerra mundial.

A Inglaterra na Segunda Guerra Mundial

O termo “Guerra Desnecessária” foi cunhada pelo próprio Winston Churchill. E Churchill a cunhou não porque acreditava que a segunda guerra era evitável estritamente falando, mas porque a magnitude daquela guerra, a intensidade que ela tomou não era algo inevitável. Por isso, devemos entender o uso do termo de Buchanan como um sagaz trocadilho. Churchill sempre advogou uma intervenção militar contra a Alemanha nazista. Ele sempre disse que o momento ideal da guerra contra a Alemanha era no início da década de 30 do século passado e não no final dela. Só que, como o tempo passava e os políticos britânicos e franceses não se mexiam devido a um pacifismo letárgico, e ainda por cima desarmavam os seus países próprios pela influência corrosiva dos esquerdistas, a Alemanha ficava mais e mais forte. O tempo corria contra a Europa e o sangue jorraria mais, quanto mais o tempo passasse.

Essa era a visão de Churchill que hoje é pouco questionada, especialmente por aqueles que subscrevem a ideologia americana de intervenção irrestrita ou preventiva em prol do avanço da democracia por todo o globo. Todavia, os fatos do pós-guerra mostram que Churchill errou miseravelmente. Em consequência, a civilização européia de outrora foi totalmente destruída.

O erro de Churchill foi considerar que Hitler queria dominar toda a Europa, inclusive a Inglaterra. Não era esse o caso. Hitler queria reunificar as nações germânicas da Europa num único território contíguo. Por isso, quando Hitler cumpriu o seu intento com a neutralização da França e com a quase derrota da Inglaterra na batalha de Dunquerque, ele passou a propor a paz, embora estivesse em enorme vantagem militar. A batalha de Dunquerque foi reveladora das intenções alemãs, já que Hitler não aplicou a sua força total contra um exército britânico acuado e cercado. Ele, na verdade, foi deliberadamente omisso para o choque dos generais alemães. Ele pensou que mostrando clemência, a Inglaterra desistiria.

Essa é a grande e terrível lição para todos os governos nacionais que empreendem a guerra: a guerra só acaba quando um dos beligerantes propõe o armistício. Ela nunca acaba antes disso, mesmo que certos atos pontuais de clemência dêem a esperança do contrário. Esse foi o primeiro erro estratégico de Hitler. Ele também propôs a paz à Inglaterra, porque queria tirar a Grã-Bretanha para que pudesse empenhar todos os seus recursos militares contra a URSS. A invasão soviética sem a calma no lado ocidental da Europa, foi o segundo erro estratégico e fatal de Hitler.

A ligação entre as duas guerras

Quando, na primeira guerra mundial, a Alemanha Imperial venceu a Rússia, o tratado de Brest-Litovsk conferiu-lhe lebensraum que ela tanto queria. O recuo das fronteiras políticas alemãs depois do Tratado de Versalhes, revogou o lebensraum e dividiu a Alemanha em dois territórios descontínuos, e a diminuiu. Era uma questão de honra para os alemães recuperá-lo, pois o território de seus ancestrais era sagrado ao paganismo nazista de sangue e solo. A expansão geográfica do país era o seu interesse estratégico.

É nesse contexto que devem ser compreendidas as anexações nazistas à Alemanha durante a década de 30 do século XX. A Alemanha recuperou os seus territórios cedidos à França na Renânia, num ato de suprema ousadia. E anexou o território checo-austríaco, racialmente germânico, do então dissolvido Império Áustro-Húngaro, seu antigo aliado. Diante desses fatos, as potências européias anteviram que a Alemanha anexaria o território que perdera para a Polônia para reunificar o país, uma consequência lógica dos movimentos nazistas. Então, imprudentemente, a Inglaterra e a França fiaram-se a proteger a Polônia. A fiança foi imprudente porque a Polônia era, na época, considerada um estado-pária, tanto quanto o Irã é considerado pária, hoje. Ela cometeu atos de bárbaros de genocídio contra a população alemã estabelecida na Polônia, nos meses pregressos à guerra. Essa limpeza étnica, infelizmente contou com o apoio de judeus comunistas da Polônia. Por isso e pela ideologia de lebensraum que Hitler invadiu o país.

Dessa forma, as duas guerras mundiais são um único conflito. Churchill chamou o período de 1914 a 1945 muito apropriadamente de “Guerra dos Trinta Anos”. Essa guerra foi uma guerra civil européia por disputas de territórios, envolvendo três ideologias concorrentes: o imperialismo, o nacionalismo racial e o comunismo.

Notas

  1. O Último Verão Europeu de David Fromkin
  2. Judeus influentes tiveram um papel importante de jogar a Alemanha contra a Rússia através da imprensa, porque queriam vingança dos pogroms que os seus pares sofreram no país. Posteriormente, usaram o mesmo instrumento na América para jogá-la contra a Alemanha, porque queriam que a Inglaterra lhes concedesse a Palestina.
  3. Um outro aspecto da guerra santa é que ela só pode ser lutada pelos poderes estatais quando a degeneração do inimigo é tão abrangente e grave que nada mais se pode fazer senão lancetar o mal. De Abraão, quando Deus pela primeira vez anunciou a Sua intenção de destruir os cananeus, até Josué, quatro séculos se passaram. Ou seja, Deus esperou pacientemente para que o estado moral e espiritual dos cananeus justificasse uma medida drástica. Nesse período, somente Sodoma, Gomorra e o Egito foram destruídos parcial ou totalmente por uma intervenção divina clara. Sabe-se que Sodoma foi destruída porque a pederastia era uma prática geral de todo o povo. O Egito, porque tentou matar todos os bebês masculinos dos israelitas, além do Faraó apertar a escravidão.

    No dia do acerto de contas, os cananeus foram alvos do furor divino, não porque Ele achava os israelitas exemplares ou justos, como se houvesse alguma vazão para a supremacia racial por parte de Israel. Muito pelo contrário, Deus quase destruiu Israel várias vezes, tamanha era a injustiça do país. E não só isso. O Senhor efetivamente lancetou Israel da Terra durante os séculos I e II, sobrando somente um terço deles, os quais foram convertidos ao Cristianismo.

    Deus escolheu Israel para exterminar os cananeus, porque eles cometeram uma série de pecados que foram listados na Lei de Moisés. Israel foi escolhido não porque era bom aos olhos de Deus, mas porque servia como um martelo. No extermínio, nem mesmo as crianças foram poupadas, porque um homem é um homem de sua raça. Não herdamos de nossos pais apenas as características físicas, mas também as comportamentais. Se Ele quis exterminá-las, é porque uma nova geração de cananeus seria cananéia em todos os sentidos. Ademais, devemos nos lembrar que ninguém morre para Deus. As crianças são imediatamente levadas à vida eterna e dessa forma gozam hoje uma vida muito melhor do que se tivessem crescido nas condições que os seus pais lhes deixaram.

    O extermínio dos cananeus não foi levado a cabo de repente e nem foi exclusividade dos israelitas. Ele demorou mais de um milênio e os romanos também os combateram com ferocidade. É isso que os novos seguidores de Marcião teimam em não ver.

Os comentários estão desativados.